Quem saiu mais forte no debate?

por André Rodrigues da Silva
Pergunta que não quer calar. Questionamento que ecoava por toda a cidade. Anseios da população em saber quem estaria mais apto a ocupar a posição de chefe do executivo ourinhense. Essas e outras indagações permeiam o cotidiano da nossa cidade. Qual candidato conseguiu cativar com mais precisão e clareza aos telespectadores do Canal San 21 e da ABNTV?

Primeiramente é interessante observamos que a iniciativa da OAB de Ourinhos em fomentar e realizar um evento como este foi de extrema importância. Nunca na história da nossa cidade tamanha proeza havia sido concretizada. Sabemos que as perguntas dirigidas aos candidatos foram previamente enviadas pela sociedade civil, fator que aumenta a transparência. Porém, acredito que os eixos temáticos foram demasiadamente repetitivos, limitando o escopo de reflexões, fator que mesmo assim não diminui o mérito da iniciativa.debate_2

Toshio Misato (PSDB), Mário Ferreira (PT), Lucas Pocay (PSD) e Professor Robson (PRTB) ganharam a cena e tiveram as mesmas possibilidades de participação. Estive presente enquanto colunista deste jornal, e pude perceber que clima interno ao recinto estava bastante polarizado. Palmas entusiasmadas, risadas e conversas paralelas temperaram a situação, embora a organização estivesse o tempo todo administrando as emoções. Gritos vindos da rua puderam ser escutados.

Asfalto, meio-ambiente, infraestrutura, saúde e educação, bem como a problemática dos cargos comissionados foram colocados à mesa. Em relação aos cargos comissionados, Toshio Misato e Lucas Pocay prometeram rever e modificar esta situação de apadrinhamento sem critérios técnicos e profissionais que persiste em continuar em nossa cidade. Mário Ferreira e Robson Sanches foram mais incisivos dizendo abertamente que irão, caso ganhem, eliminar a maior parte desses cargos. Tratando deste assunto, o que é melhor, pragmatismo ou flexibilização?

Respondendo à pergunta inicial que fez com que você, leitor ou leitora se interessasse em ler este artigo, lhes repondo: Quem saiu mais forte neste debate foi a democracia enquanto cenário de discussão, problematização e reflexão. Quem saiu mais forte foi a população que pôde assisti-lo e construir as suas próprias considerações. Quem saiu mais forte foi a cidade de Ourinhos enquanto localização geográfica, histórica e social.

Esperamos que esta prática de debate se instaure em terras ourinhenses, suplantando métodos eleitorais bastante anacrônicos, dispendiosos e ineficazes, que pouco dialogam com a sociedade, construindo na maior parte das vezes “semideuses” salvadores da pátria. Debater é humanizar. Debater é propor novas ideias. Debater é abrir-se para um novo horizonte de expectativas. Diferentemente de trocar mercadorias, onde cada um sai com apenas uma delas, quando alguém troca uma ideia ou ponto de vista, ambos saem ganhando, já que além de ficarem com as suas propostas iniciais, agregarão novos saberes às suas reflexões.

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André R. da Silva é licenciado em História, trabalha com gestão cultural e adora o mundo das Artes