BRASIL, PRIMEIRO NO RANKING

Bem que a frase acima poderia ser referente a alguma coisa boa, mas infelizmente não é.

Nosso país, quando se trata de coisas positivas, como índice de IDH, qualidade na educação e atendimento em saúde, por exemplo, se arrasta em posições bem ruins.

Quando se trata, no entanto, de aspectos negativos, aí nós ganhamos de goleada.

Na semana passada ficamos sabendo que o Brasil lidera o ranking da propina. Não tem pra ninguém, é Brasil na cabeça!

E para continuar firma na primeira posição nesse ranking a “bola da vez” passou a ser o ex-ministro Geddel Vieira Lima, homem da mais absoluta confiança de Michel Temer, investigado pela Polícia Federal na mais nova operação daquele órgão, a “Cui Bono”, derivada da “Catilinárias”, que por sua vez é desdobramento da “Lavajato”. Geddel está sendo acusado pelo Ministério Público de chefiar, na companhia do ex-deputado Eduardo Cunha, uma “verdadeira oragização criminosa”.

Há fortes indícios, encontrados em aparelho de celular apreendido na residência do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de um enorme esquema de cobrança de propina sobre empréstimos concedidos pela Caixa Econômica Federal a empresários. Geddel era na ocasião Vice-presidente de Pessoa Jurídica do Banco estatal.

Geddel que deixou o Ministério de Temer ao ser acusado pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de pressioná-lo para autorizar a construção de um prédio na Bahia, no qual Geddel possui uma das unidades.

Nesta sexta-feira mais uma notícia veio abalar as estruturas do Brasil. A Organização Internacional do Trabalho, OIT, divulgou previsão de que no mundo todo em 2017 cerca de 3,4 milhões de pessoas perderão o emprego e que em torno de 1,2 milhões serão brasileiros.

Ainda segundo a OIT o Brasil vai continuar a sofrer em 2017 os efeitos deletérios da profunda recessão em que o governo Dilma/Temer jogou o país. Prevê-se que o porcentual de desempregados suba de 11,5 para 12,4% ao longo do ano.

Mas o desempenho do Brasil não para aí, não. Somos campeões absolutos também no crescimento da população carcerária e agora estamos assumindo o primeiro posto em uma nova categoria, que é a de guerras entre facções criminosas.

Somente nos primeiros 15 dias do ano 133 detentos foram assassinados em episódios sangrentos de uma guerra cujo fim não se vislumbra para tão cedo.

Nossas autoridades, assim como nós, são meras espectadoras desse horror que se espalha pelos nossos presídios (acidente pavoroso, nas palavras do Presidente Temer), pois fica patente que quem governa na cadeia são as facções em guerra.

Isso tudo me faz lembrar o samba “Itajara”, letra de Aldir Blanc e música de Moacyr Luz, que no início afirma que “Capim (propina, dinheiro) Dá em baixo, dá no alto, Dá na rampa do planalto” e que em sua estrofe final diz que no Brasil

“Todo mundo afana:

Da gang do Escadinha ao seu bacana,

Só que a falange vermelha

Ao menos governa em cana”

Durval de Lara Fernandes é Tecnólogo em Gestão Pública, MBA em Gestão de Recursos Humanos e Pós-graduando em Direito do Trabalho