Pelas consequências

Somos todos hipócritas na medida em que escolhemos sobre o que nos exaltar e manifestar nossa indignação.

Corre nas timelines compartilhamentos que babam senso comum recheado de ódio seletivo.

Duas escolas gaúchas fizeram uma ‘brincadeira’ de fantasiar seus alunos em ‘sub-empregos’, caso nada desse certo na carreira brilhante que almejam.

Tudo nos conformes. E por que digo isso? Simples. Todos os colégios particulares vendem o discurso de vencedores, líderes. Escolas que formam apenas novos Jobs e Zuckerbergs. O neoliberalismo em sua máxima eficiência, a vida só é boa se for uma vida de sucesso (individual) curricular e empresarial. Uma vida de mandar e não uma vida de obedecer ordens.

O empreendedorismo é ensinado como religião, como dogma, aquilo que não pode ser discutido ou problematizado; apenas aceito, seguido e enaltecido. Não há espaço para se pensar o diferente, o comum. Há é muito cacique pra pouco índio nessa história toda.

Até programa de cantor mirim dominical segue essa lógica. Só o melhor nos interessa. Os demais, no máximo um discurso romantizado e de crítica politicamente correta, quase um elogio à mediocridade do perdedor da rodada.

Falta-nos distanciamento da nossa vida para compreendermos que vida vivemos. Confunde-se muito corriqueiramente as consequências com as causas. Todas as pessoas dentro das escolas envolvidas são tão cegas que não posso culpa-las. Elas vivem numa bolha, e dentro dela só enxergam o próprio reflexo. Elas não foram ensinadas e pensar diferente, elas foram doutrinadas a serem quem são. Elas não são a causa da desigualdade social, tampouco são causa da meritocracia.

O que não está certo é o individualismo vigente, a dignificação do homem pelo seu salário, a valorização do status social. E a Escola está na base dessa ideologia. Aprendemos desde cedo a dar as respostas certas, mas não a fazer as perguntas necessárias.

As escolas envolvidas, em si, estão erradas. Mas como as vejo, como signos de nossa era, não fogem ao andar do todo. São coerentes ao que pregam.

Assim, pensemos agora nas causas, talvez encontremos, se quisermos.