Feliz Dia dos Professores? Feliz dia do Funcionalismo Público?

O magistério paulista não tem o que comemorar neste 15 de outubro. Após mais de duas décadas de administração neoliberal do PSDB, a Educação no Estado se tornou uma herança que administrações futuras levarão décadas para reconstruir. Escolas superlotadas, abandono material e estrutural, falta de segurança, desrespeito e desamparo aos seus alunos, educadores e um dos piores salários da Federação é o legado que Geraldo Alckmin e seus antecessores estão deixando para seus eleitores e aos contribuintes do Estado.

Nossas escolas tornaram-se grandes “barris de pólvora” que já estão explodindo. A violência contra alunos e, principalmente, professores estampa as páginas dos jornais, noticiários televisivos e mídias virtuais e já não dá mais para o governo paulista esconder e omitir o que passamos diariamente em nossas escolas. Quando o Poder Público abandona suas obrigações outros a assumem e nas escolas, o tráfico, o desrespeito e violência tomam esse assento. Nós, professores e funcionários estamos reféns do descaso governamental e de parcelas significativas da sociedade que foram ludibriadas pelo marketing governamental que faltam com a verdade sobre as reais condições de nossas carreiras, salários e as péssimas condições de trabalho a que estamos submetidos. Nada é feito para minimizar o abandono e se fatos graves ocorrem em nossas atividades, não nos ouvem ou atendem nossas necessidades, porém a propaganda e o discurso desse governo ilude e engana os incautos. Existem sempre ladainhas prontas para qualquer situação ou desastre que apareça.

O Sindicato dos Professores- APEOESP, em conjunto com o Instituto de Pesquisa Locomotiva, realizou pesquisas em todo o Estado sobre a violência nas escolas e a qualidade da educação paulista e os resultados são catastróficos para a sociedade. Resumindo, nossas escolas não conseguem mais cumprir minimamente sua função que é principalmente a de ensinar, por conta das fracassadas políticas educacionais, pela insatisfação geral, pelos irrisórios salários pagos, a não atratividade das carreiras do magistério aos jovens e, ainda, pela violência que domina o ambiente escolar.

Apesar de todo o caos que observamos, a sanha de nosso governante contra a Educação e serviços públicos parece que não tem fim. Agora em outubro, mês dos professores, das crianças e do funcionalismo público, quando esperávamos que Alckmin, por estar no “apagar das luzes de seu desgoverno”, já que deve afastar-se para tentar levar as trevas em que se encontra nosso Estado para o restante do País, cumpriria suas obrigações constitucionais e repararia os danos causados a todo o funcionalismo propondo um reajuste imediato de salários e um plano para corrigir os quase quatro anos de esquecimento. Porém, o governador nos surpreende com a apresentação de dois projetos na Assembléia Legislativa sendo que, um deles, decreta mais dois anos de congelamento salarial e, pior ainda, confisca nossos planos de carreira e evoluções funcionais que eram as únicas coisas que ainda conseguiam minimamente, aliviar a situação aviltante a que fomos relegados pelo seu desgoverno.

Com os baixos salários e sem perspectivas, deveremos ter uma debandada dos profissionais do serviço público. Hoje já está impossível sobreviver e somos obrigados a acumular cargos e funções no serviço público ou bicos no setor privado. Professores trabalhando mais de 60 horas semanais; policiais sendo obrigados a dobrar horas com serviços delegados ou bicos de segurança; funcionários obrigados a irem para o comércio informal para pagarem suas contas e, praticamente todos, com boa parte de seus míseros salários comprometidos com empréstimos e cartões de crédito. As temidas 12 horas de trabalho e as outras monstruosidades aprovadas pela reforma trabalhista de Temer, no funcionalismo paulista é uma realidade de anos e, se nossos deputados não tiverem expectativas de continuarem com seus mandatos e aprovarem mais essa aberração, para sobrevivermos teremos que ampliar ainda mais nossas horas de trabalho, quem sabe para 16 ou 18 horas por dia, para que nossos filhos se alimentem. É o fim.

Torna-se urgente que a população de nosso Estado e os meios de comunicação entendam o que está acontecendo, que compreendam que os serviços públicos não estão abaixo do desejado por culpa do funcionalismo e sim de um desgoverno que nesses mais de 20 anos se propôs a implantar um Estado mínimo em São Paulo e passou a minar tudo que tínhamos de melhor. Chegamos agora a uma situação de “terra arrasada” em nossas atividades, quase todos os setores públicos em ruínas e permanecendo esse grupo político em 2019, continuarão com mais garra no projeto de desmonte do Estado e transferência das obrigações dele para seus parceiros gananciosos dos setores privados.

Também passou da hora do funcionalismo estadual e seus representantes sindicais unam-se e lutem contra os permanentes ataques que sofremos de Alckmin e seus asseclas. Ainda é possível termos esperança no reconhecimento da sociedade e unidade na defesa dos serviços públicos e seus servidores, mas para isso é preciso arregaçar as mangas e utilizar todos os meios que a democracia nos dispõe, para pressionar nosso legislativo e o judiciário a não aceitarem o que querem nos impor e, enquanto não revertemos isso, não há o que comemorar nos dias 15 e 28 de outubro de 2017.

Vamos à luta e se não retirarem esse monstrengo, que é a PL 920/17, da Assembleia Legislativa, nosso único caminho é tomar as ruas e decretar uma greve geral do funcionalismo por tempo indeterminado.