O Obscurantismo venceu

Até a última sexta-feira (10) eu comemorava o fato de o Prefeito Lucas Silva não ter dado ouvidos aos clamores da parcela mais conservadora de sua bancada na Câmara Municipal e de parte da opinião pública que tem dificuldade em aceitar as novidades. Afinal, até o final da tarde daquele dia o Secretário de Cultura, Paulo Flores, continuava firme e forte à frente de sua Secretaria.

Durou pouco minha esperança, pois no início da noite do mesmo dia veio a notícia de que Flores havia pedido demissão de seu cargo e que o Prefeito havia nomeado Rodrigo Donato para o cargo.

Flores, vinha, desde que assumiu a secretaria, sofrendo uma forte campanha pela sua demissão. Interessados não faltavam na defenestração do então secretário, desde os conservadores de plantão, às claques de outros postulantes àquele cargo.

O primeiro fato a colocar o então Secretário em rota de colisão com os setores mais retrógrados da sociedade ourinhense foi a divulgação de postagens que ele havia feito no passado em rede social, em que desancava aquilo que aparentemente julga ser uma religiosidade tacanha e ignorante.

Mas não foi só isso. Flores, no que diz respeito à atuação na Secretaria, ousou mexer em coisas há muito tempo arraigadas.

Teve a coragem de tirar a Escola Municipal de Bailado do Centro Cultural Tom Jobim e rompeu convênios com ONGs locais. Mexeu num vespeiro.

Mais do que isso, Flores teve coragem de mexer com pessoas até então consideradas intocáveis naquela estrutura arraigada e demitiu a então diretora da Escola de Bailado. Aí sim foi um alvoroço total. Afinal mexer com deus até que deu pra suportar. O que não se pode, em hipótese alguma, é mexer com algumas pessoas.

Um verdadeiro furor estabeleceu-se em defesa da ex-diretora da Escola de Bailado, cujo trabalho, é preciso reconhecer, foi importantíssimo ao longo de décadas. O que não se pode, no entanto, deixar de levar em conta, é que ninguém, absolutamente ninguém, é insubstituível, assim como é também lícito pensar-se que, assim como a ex-diretora, deve haver outras pessoas tão capacitadas quanto ela – não ouso sequer que possam ser mais – para o exercício daquela importante função.

Quando me dei conta da grandeza das reações cheguei a pensar que se todas essas pessoas estivesssem corretas o futuro da escola de bailado seria caótico, pois um dia, seja por aposentadoria ou por alguma dessas peças que o destino insiste em nos pregar, a tão defendida ex-diretora teria que parar. O que seria, então, da Escola de Bailado?

Fato é, que o Prefeito Silva demonstrou fraqueza ao se render às investidas dessas forças obscurantistas e “aceitou “ o pedido de demissão de Paulo Flores. Menos mal que nomeou em seu lugar um novo secretário que parece afinado com o modus operandi do antecessor.

Se eu fosse aqui me utilizar uma metáfora agrícola, diria que o alcaide descuidou de sua horta e deixou que a erva daninha destruísse a mesma.

Durval de Lara Fernandes é Tecnólogo em Gestão Pública, MBA em Gestão de Recursos Humanos e Pós-graduando em Direito do Trabalho.