Coluna Os Antípodas – Uma verdade inconveniente, ou… Por que eu não como carne?

Neste texto, compartilho alguns dos motivos que me fazem vegetariano. Para fazer isso, não posso ignorar os impactos ambientais da indústria mundial da carne, como os ignorou Al Gore em seu famoso documentário ‘Uma Verdade Inconveniente’, de 2006. É importante frisar que não pretendo “converter” os leitores ao vegetarianismo, mas gerar reflexões.

Com o objetivo de ser mais didático, o conteúdo está separado em oito perguntas.

 

1 – Você mataria um boi? Um porco? Uma galinha?

Eu não mataria, e, por coerência, não comeria sua carne. Não quero pagar para que outras pessoas façam o “trabalho sujo” que eu não tenho coragem de fazer.

“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos” – Paul McCartney.

 

2 – Você sabe quantos litros de água são necessários para produzir um kg de carne de vaca, de porco e de frango?

Frango: 4.325,00 L/Kg

Porco: 5.988,00 L/Kg

Vaca: 15.414,00 L/Kg

Fonte: http://waterfootprint.org/en/resources/interactive-tools/product-gallery/

 

3 – Você sabe qual a área necessária para criar uma vaca em regime extensivo (solta) pastando?

Segundo o Censo Agropecuário de 2006, realizado pelo IBGE, a média brasileira de lotação de pastos é de quase um boi por hectare, ou seja, cada boi ocupa 10.000,00 metros quadrados, que poderiam ser usados para agricultura, florestas ou para agroflorestas, que é uma técnica de plantio que gera comida e florestas.

Um boi morto resultará em aproximadamente 190kg de carne, em um hectare. Se produzirmos, por exemplo, trigo, neste mesmo hectare, teríamos uma produção de pelo menos duas toneladas. Se falamos de mandioca, a produção é de pelo menos 15 toneladas por hectare. A diferença é gigantesca.

Fonte:

Censo –http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/49/agro_2006_resultados_preliminares.pdf

Rebanho bovino brasileiro: http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2015/10/rebanho-bovino-brasileiro-cresce-e-chega-a-212-3-milhoes-de-cabecas-de-gado

 

4 – Você sabe qual a principal causa do desmatamento na Amazônia e no Cerrado?

De agosto de 2014 a julho de 2015, foi desmatada uma área equivalente a 753 mil campos de futebol na floresta Amazônica (dá pra ter noção disso??), e as duas maiores contribuições para isso são a agricultura e a pecuária, segundo a então ministra do Meio Ambiente Isabela Teixeira. Nesse ecossistema, 60% da área desmatada é destinada à pecuária, e quase 40% da carne vendida no Brasil vem de lá. Desde 1970, 91% da área desmatada na Amazônia é usada para criação de gado.

A cadeia de produção de carne usa cerca de 70% de toda a área de agricultura do mundo. Isso inclui as áreas ocupadas diretamente pelos animais e a área destinada aos cultivos que os alimentam, como a soja.

89% da soja brasileira é produzida no cerrado, onde é permitido o desmatamento de 65% a 80% das propriedades rurais. Neste ecossistema estão as nascentes de 80% das bacias fluviais brasileiras, e metade desse ecossistema já foi convertido em área agrícola. De cada 10 toneladas de soja produzidos no mundo, 8 toneladas são usados para a alimentação de animais.

Fontes:

Desmatamento na Amazônia: http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Desmatamento-da-Amazonia-dispara-novamente-/

Vídeo Carne ao molho madeira, Greenpeace: https://www.youtube.com/watch?v=dHvdic-wI5g

Site: http://carneaomolhomadeira.org.br/

Livro ‘Livestock Long Shadow: environmental issues and options’, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação: http://www.europarl.europa.eu/climatechange/doc/FAO%20report%20executive%20summary.pdf

Vídeo ‘Brasil: pecuária e meio-ambiente’: https://www.youtube.com/watch?v=gxBZmZHxPsA

Uso da soja: https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/agricultura/agr_soja/

 

5 – Você já ouviu falar de especismo?

Para falar de especismo, vamos antes falar de racismo, um conceito com o qual estamos mais familiarizados. Racismo se dá quando uma raça se acha superior a outra, uma crença que foi a base para massacres na história da humanidade, como o massacre dos indígenas americanos pelos colonizadores europeus.

O mesmo conceito podemos aplicar a especismo, ou seja, uma espécie se achar superior a outra. Neste caso somos nós, humanos, nos achando superiores a todas as outras 8 milhões de espécies do planeta.

 

Campanha da ONG PETA, comparando campos de concentração de judeus, na Segunda Guerra Mundial, com a criação intensiva de animais para alimentação humana.

Não seriam também as áreas de criação intensiva de gado um tipo de campo de concentração? E a criação de porcos? E a produção intensiva de leite de vaca? E as granjas?

Fontes:

Especismo: http://especismo.com.br/

Número de espécies no mundo: http://agencia.fapesp.br/cientistas_calculam_quantas_especies_existem/14383/

 

7 – Você ama cachorros? E vacas? Porcos? Galinhas?

A Sociedade Vegetariana Brasileira lançou uma campanha bastante pertinente há uns anos chamada “Se você ama um, por que come o outro? ”.

Imagem da campanha “Se você ama um, por que come o outro?” da Sociedade Vegetariana Brasileira.

8 – Você sabia que a pecuária produz mais gases de efeito estufa que todos os carros, motos, caminhões e aviões do mundo juntos?

É verdade, e estamos falando somente da pecuária, ou seja, criação de gado. Se você é uma pessoa que se preocupa com o aquecimento global, precisa saber disso. Recomendo que assista ao documentário “Cowspiracy”.

Fonte:

Matéria sobre pecuária e gases de efeito estufa: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,gases-de-bovinos-causam-mais-efeito-estufa-que-os-automoveis,174754e

Documentário Cowspiracy: https://www.youtube.com/watch?v=R6GrNENv2e0

 

Além destes oito motivos, há outros mais para não se comer carne; e ,claro, também há motivos para comer. E você, por que come? Ou por que não come?