Ourinhos sustentável: Angra Doce e o Programa de Cidades do Pacto Global (ONU)

 

ribeirão-ClaroNo último dia 03, em reunião realizada na cidade de Curitiba (Paraná), a Prefeita Belkis Gonçalves Fernandes, acompanhada pelo ex-secretário municipal de cultura Fernando Cavezale, juntamente às docentes da Unesp de Ourinhos, Dra. Fabiana Lopes da Cunha e Dra. Andréa Aparecida Zacharias, discutiram e pactuaram junto aos governantes paranaenses um acordo que respalda algumas parcerias (convênio entre universidades), como também o projeto de Lei N°3031/2015 (Angra Doce) de autoria do Dep. Federal Capitão Augusto Rosa.

A iniciativa buscou solidificar através de comprometimentos, a criação de uma área especial de interesse turístico, batizada de “Angra Doce”, que envolve geograficamente cidades dos Estados de São Paulo e Paraná. Os municípios de Barão de Antonina, Bernardino de Campos, Canitar, Carlópolis, Chavantes, Fartura, Ipaussu, Itaporanga, Jacarezinho, Ourinhos, Piraju, Ribeirão Claro, Salto do Itararé, Siqueira Campos e Timburi são os que comporão este projeto.

Assim sendo, faremos uma pequena reflexão e análise do potencial que uma iniciativa desta envergadura, ancorada conjuntamente a outras ideias (Programa de Cidades do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU)), poderá trazer para o município de Ourinhos no que se refere ao desenvolvimento sustentável, meio ambiente, turismo e cultura.

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Ourinhos sustentável

Sustentabilidade é um conceito extremamente utilizado atualmente. Muitos o enxergam com ceticismo argumentando que nada é passível de se sustentar tendo como pano de fundo um sistema capitalista, que avassala qualquer medida que não esteja de acordo com a lucratividade à qualquer preço, produção desenfreada e consumismo. Talvez pensar assim seja algo confortável e “lugar-comum”, já que o indivíduo antes de problematizar e buscar alternativas, joga a toalha no ringue ao invés de enfrentar os desafios da sociedade contemporânea.

Desta forma, buscar um desenvolvimento pautado na criação de energia limpa, reciclagem e reaproveitamento de materiais, políticas públicas inclusivas e redistributivas, economia criativa, novos meios de transporte público, respeito aos direitos humanos, proteção ao meio ambiente, lazer e turismo são demandas presentes e totalmente passíveis de serem implementadas na cidade dos ourinhenses e outras mais.

Angra Doce

É dentro desta agenda progressista que se insere o projeto “Angra Doce” de autoria do Dep. Federal Capitão Augusto. Como mencionado anteriormente, o mesmo objetiva impulsionar o turismo em cidades do interior dos Estados de São Paulo e Paraná. Criação de novos postos de trabalho, lazer, bem-estar e cultura também caminham juntos ao mesmo.

Além de incentivar a criação de campings, pousadas, hotéis, restaurantes e lojas, o Angra Doce incrementa a prática de vários esportes como rafting, canoagem, trekking, voo livre, paragliding, passeios náuticos, cavalgadas, caça e pesca, movimentando a economia de toda a região.

Fomentando a cultura, o lazer e a valorização do patrimônio histórico em diversas localidades, esta mesma iniciativa vem acompanhada do projeto “Rota Angra Doce: De volta aos trilhos”. Salto Grande, Ourinhos, Canitar, Chavantes e Ipaussu poderão oferecer passeios de trem que ademais de divulgar a historicidade dos trajetos, auxiliará a estes municípios na revitalização de suas antigas áreas ferroviárias, trazendo nova vida a esses entornos (museus, centros culturais, espaços de memória, lanchonetes, restaurantes, galerias de arte, jardins e etc).

Cidades do Pacto Global da Organização das Nações Unidas

Neste mesmo diapasão, o  “Angra Doce” buscou o apoio no projeto Cidades do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) para potencializar as suas ações e angariar novas fontes de recursos. Para que isso possa ser concretizado, faz-se necessário que os municípios a serem beneficiados pelo projeto do Dep. Federal Capitão Augusto assinem um termo de compromisso junto à ONU. A prefeita municipal Belkis Gonçalves Fernandes foi a primeira a aderir.

Cidades brasileiras como Birigui, Paranaguá, Porto Alegre, Rosana, Imbituva e Maringá já fazem parte e figuram juntas com outros municípios dispersos pelo mundo e também signatários do “Cidades do Pacto Global” (Ex: Berlim (Alemanha), Barcelona (Espanha), Melbourne (Austrália), Seul (Coreia do Sul), Badajoz (Espanha), Budapeste (Hungria), Cidade do Cabo (África do Sul), Cleveland (EUA)).

A base operacional deste projeto está na University of Melbourne (Universidade de Melbourne) localizada na Austrália. Este projeto da ONU pode auxiliar aos municípios participantes do “Angra Doce” através de uma rede de especialistas, que além de oferecem parcerias com universidades locais (no caso de Ourinhos a UNESP já se comprometeu, como também a UENP em Jacarezinho), incentivando e fomentando projetos de extensão, também disponibilizará espaços para publicações, encontros, redes de trabalho, análises e catalisação de políticas públicas e diversas outras ferramentas.

Desafios

Embora o projeto de Lei n°3031/2015 (Angra Doce) ainda esteja em tramitação na Câmara dos Deputados em Brasília, como também a aderência dos municípios participantes deste ainda não tenha sido totalizada junto ao Projeto “Cidades do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU)”, precisamos divulgar cada vez mais esta ideia para sensibilizarmos as autoridades municipais, estaduais e federais da importância do mesmo, como também informar aos munícipes das cidades em questão, para que apoiem a esta fundamental iniciativa, dando suporte aos demais agentes políticos comprometidos com esta bandeira.

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André R. da Silva é licenciado em História, trabalha com Cultura e adora tocar bateria.

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