Societatem enim mori (Sociedade está moribunda)

184 mortes em Ourinhos, 331 mil no Brasil. Estes números assustadores, mas mais assustador será o mês de abril, onde se prevê um total de 100 mil mortes. Seria fácil escrever estes dados, sem qualquer sentimento, se não pensasse em cada rosto, em cada nome de cada uma das pessoas que faleceu vítima desta pandemia. Hoje, dedico esta vossa crônica a cada um que esteja a lê-la, a cada um que perdeu alguém para esta enfermidade. Chegou a hora de apelar a cada um individualmente, já que, enquanto sociedade, fracassamos, caminhamos para a extinção a passos largos, já caminhávamos pelos males que estamos causando ao meio ambiente, mas, agora, enquanto sociedade é agonizante o que estamos vivendo. Cada um deverá executar e cumprir o seu papel, já que o Estado (todo ele, não somente a União) enquanto agente responsável por garantir direitos e deveres aos cidadãos entrou em coma há mais de oito meses, para não falar desde o início da pandemia. Já vos falei que fingimos estar em fase emergencial, vejamos a falta de fiscalização, vejamos as pessoas vivendo cada dia como se não houvesse amanhã, desrespeitando as regras, mal redigidas e pessimamente aplicadas, diga-se em abono da verdade. Temos que deixar o negacionismo de lado e manter o distanciamento, o isolamento, enquanto pudermos. O problema está naqueles que não podem, porque são autônomos ou porque trabalham para uma empresa que os obriga a ir trabalhar mesmo com covid, porque a pessoa não apresenta sintomas. Acontece que mesmo não apresentando sintomas transmite e agora entendemos por que em Ourinhos essa enfermidade está cada vez pior. A cada dia que abrimos as mídias sociais, as notícias, é um rosto familiar que nos aparece, vítima de tal doença. Acredito que não se questiona agora se pegaremos a doença, mas antes, quando pegaremos e de que forma. Mesmo perante esse cenário devemos cumprir escrupulosamente o distanciamento, o isolamento, a higiene, porque está cada vez mais perto das nossas portas. Enquanto para alguns os sintomas podem ser leves, para outros é bem mais problemático e com o colapso do sistema de saúde podemos virar facilmente mais um dado estatístico. Triste realidade, mas que temos que pensar nela a toda a hora por forma a conseguirmos sobreviver a mais uma praga.

Falando em praga, lembremos da decisão de Nuno Marques, Ministro do STF. Isoladamente liberou cultos e missas presenciais, o que é um ultraje para com a saúde e a vida, neste momento tão difícil que vivemos, num dos momentos mais graves da pandemia. Indicado por Bolsonaro, a decisão favorece a presença de público perante líderes religiosos bolsonaristas, principal base de apoio do Presidente, tanto católicos quanto evangélicos, numa altura em que murcha a popularidade do Presidente.

A igreja foi fundada por Jesus e seus apóstolos. A Igreja não é um edifício. A Bíblia diz que Jesus é a pedra angular da igreja. Se é a pedra angular, é a primeira pedra de um edifício, em torno da qual toda a construção é realizada. A Igreja é, então, um grupo de pessoas, e não um edifício, aliás, somente construído quando Jesus voltou para o Céu.

Esta decisão serve outros interesses que a própria fé, que a própria religião. Cada um de nós pode conversar com Deus individualmente, no conforto dos nossos lares, sem correr o risco de pegar ou transmitir o vírus.

Vírus se tornou também o Orçamento de Estado de 2021. Quando o Congresso aprovou no dia 21 de março o Orçamento de 2021, fê-lo com diminuição de gastos com saúde, e com cortes em diversas áreas sociais. Coloca 25,9% (R$ 451,1 bilhões) condicionados à aprovação de créditos suplementares por maioria absoluta de deputados e senadores, o chamado excedente da Regra de Ouro, impedimento para o Governo se endividar para pagar despesas do dia a dia, mostra mais uma vez a incapacidade de governantes de serem audazes e terem a tenacidade de cortar o mal pela raiz. Muitas vezes escrevi que o Brasil precisa de Reforma Política acima de tudo e acredito que seria o remédio para doença tão grave que o país atravessa há muitos anos. Afinal nem Bolsonaro consegue ou quer acabar com privilégios, regalias das forças poderosas deste nosso país. Imaginem os próprios políticos votarem contra e enchimento dos seus bolsos, impensável diria eu, impraticável diriam os políticos, impossível diria a sociedade. Acredito que um referendo mostraria a realidade e colocaria os políticos em seus devidos lugares. É um escândalo o peso da máquina pública no Brasil, mas não nas categorias de baixo, naquelas que recebem um pouco mais que o salário-mínimo. O peso está nos assessores, nos motoristas, nas despesas pagas daqueles que, supostamente servem para nos representar, mas quando vamos ver não servem para nada. Veja-se o caso do Capitão Augusto, deputado federal, que postou uma foto de Auschwitz e falando que o comunismo é o sistema da morte, que não existe comunismo sem derramamento de sangue. Meu caro Capitão das medalhas, Auschwitz nada tem que ver com comunismo, acho que deve voltar para a escola para as aulas de história que não assistiu. O meu país, Portugal, vive sob um Governo de Esquerda há 2 mandatos e não derramou sangue. Não entendo esta perseguição de alguns anos com a esquerda, lemos e vemos coisas impensáveis para o séc.XXI.

Hoje não me vou alongar muito mais, já que vivemos um período tumultuoso, desafiador, temeroso. Cada dia que passa é uma dádiva estarmos vivos e podermos respirar o ar deste nosso redondo planeta. Não poderia deixar de escrever umas palavras relativamente à educação na nossa cidade. Os servidores foram iludidos com um bônus que serviu para nada mais que promessa eleitoral. Prefeito e Vice durante a campanha, em reuniões com os profissionais da educação, levaram a bandeira do bônus como um dado adquirido, aliás mesmo após a posse essa promessa continuava a circular sob a forma de mensagens no Whatsapp, áudios, enfim, uma bela forma de angariar votos, quando nem precisava. O Professor Robson nunca iria ganhar uma eleição, a forma de fazer política não é a correta a meu ver, ao invés de falar dele passou o tempo atacando. Lógico que a gestão do atual Prefeito tem muitas falhas, já o critiquei publicamente quando entendo que devo criticar, não devo nem presto vassalagem a ninguém, aliás vocês sabem que até hoje nunca votei no Brasil, como vejo nas mídias sociais algumas pessoas fazendo. Ser livre me dá o direito de poder opinar sem ter a visão turva, ou os neurônios chocarem por conflito entre servidão e carácter, como tenho visto por aí ultimamente.

Esperava mais desta atual gestão, que cuidasse melhor da educação, já que tinha tantas reclamações que o Prefeito nem sabia e se assustou em plena campanha eleitoral. Pois bem, sabemos que o cargo de Vice é vazio de poder, que nada decide, só é acionado quando o Prefeito sai da Cidade. Até aí entendemos, o que não entendemos é a falta de palavra das pessoas. Como dizia Carlos Drummond de Andrade “Acreditar em nossa própria mentira é o primeiro passo para o estabelecimento de uma nova verdade.”. Quando o Prefeito abriu a perguntas no seu Instagram e lhe perguntaram sobre o bônus, ele respondeu que estamos enfrentando uma pandemia, que compromete o orçamento. Pandemia já existia durante a campanha. Pois bem volto a frisar, o dinheiro do Fundeb entrou na Prefeitura em dezembro. Não sei sinceramente e não consegui apurar se essa verba pode ser aplicada, em caso de calamidade pública, em outro quesito que não seja a educação. Sei que virão uniformes novos, material didático novo. Mais um exemplo de má gestão, quando estamos sem alunos na escola há 1 ano, uniformes e material estão em excelentes condições, só comprar para os alunos novos que ingressaram agora. Se a verba foi devolvida, se foi usada em outra área que seja informado, pelo bem da transparência. Mas como se costuma falar Deus escreve direito por linhas tortas, quem sabe foi uma justiça divina que desceu à Terra para condenar aqueles professores que não queriam dividir o bônus com os profissionais da educação, aqueles que foram inclusive ameaçar com tribunais se o bônus fosse distribuído fora do âmbito da categoria dos professores. Utilizo o sujeito indefinido porque acredito que seja melhor assim e muitos dos meus amigos professores não concordaram com essas posições e atitudes, graças a Deus que é uma ínfima parte de pessoas sem empatia e amor ao próximo.

Poderia escrever muita coisa sobre esta situação, mas deixo na consciência de cada um a análise dos fatos, já que quando discordamos, somos acusados de ser da oposição, de ser difamadores e caluniosos. Deixo-vos mais uma vez com uma frase de Fernando Sabino: “Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um.”

Pedro Saldida

Juliana Neves

Escrevo com a intenção de mudar o mundo ofertando a verdade para a sociedade. Mas a luta é diária e constante, realmente, vivendo e aprendendo e tendo o jornalismo como meu aliado.