Prefeitura Municipal de Ourinhos: entre medos e esperanças

O termômetro eleitoral está em ação. As pessoas estão apreensivas. Adesivos em carros e curtidas no facebook podem servir como parâmetro para um imaginário ranking? Quanto maior a aglomeração humana nas fotos, melhor? Ou o que mandará em última instância será o velho e importante “boca a boca”?

Essas e outras indagações permeiam e invadem o imaginário da população, como também dos servidores e servidoras municipais. Enquanto para os primeiros pode resultar num momento de esperança, muitas vezes para os segundos o sentimento é de medo.

Aqueles e aquelas que entraram via concurso, que dedicaram momentos preciosos de suas vidas ao estudo, conquistando a tão sonhada estabilidade, contraditoriamente são os que mais se sentem vulneráveis, já que muitas vezes não podem externalizar os seus posicionamentos políticos publicamente. Quando os nervos estão à flor da pele, a linguagem binária dita as regras.

Perseguições, disputas internas a cargos comissionados, probabilidade de serem mudados de setor sem a mínima consulta e análise prévia de seus currículos e suas trajetórias por parte dos governantes, como também ficarem relegados ao ostracismo, ou abandonados em um local totalmente avesso às suas vocações. Essas e outras inquietações invadem o cotidiano pré-eleitoral dos estatutários municipais.

Assim estão sendo esses dias para muitas pessoas. Ao invés de todos estarem imersos e ávidos por mudanças, projetando-as e alimentando-as através de uma corrente de esperanças e paisagens renovadoras de inspirações, infelizmente o medo está contagiando até mesmo os mais novatos, perseverantes e batalhadores, mas não somente.

Enquanto a instituição não olhar para ela mesma, seus problemas, continuidades e limitações, nem mesmo as mais valorosas, esbravejantes e bem intencionadas profecias e promessas de mudanças irão perseverar. Sementes não florescem em concreto. É preciso terra fértil, água, luz e condições climáticas favoráveis. Como diz o provérbio: com apenas uma flor, não se faz primavera.

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André R. da Silva é licenciado em História, trabalha com Gestão Cultural e adora o mundo das Artes.