Artesanal ou comercial?

Boa tarde povo! Ontem tive uma discussão ferrenha a respeito de qual cerveja é melhor. De um lado pessoas insistindo que cervejas comerciais, daquelas que compramos nos fardinhos do mercado, são melhores. De outro, eu insistindo que as “artesanais” são melhores. E ai?

Ao ir no mercado ou em lojas especializadas nos deparamos com prateleiras de cervejas chamadas de “artesanais” ou “especiais” ou até mesmo “gourmet”.  Usar estes termos corretamente impede que cometamos pecados. De acordo com a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), as microcervejarias ou cervejas especiais se caracterizam, na maior parte das vezes, pela produção de pequenas quantidades de cerveja, desenvolvidas com ingredientes especiais, maior quantidade de malte por hectolitro, uma seleção mais apurada de lúpulos e em microindústrias de origem familiar.  Cervejas artesanais são aquelas que seguem a mesma definição acima, porém com uma fabricação em menor escala. Cervejas “gourmet” ou “especiais” muitas vezes se confundem com cervejas importadas – uma Erdinger na Alemanha ou uma Guinness na Irlanda,  por exemplo.  Essa cerveja exige um pouco mais de atenção na hora de se apreciar. O copo certo, a temperatura certa, a harmonização correta, um conhecimento básico sobre o estilo e até mesmo o modo de servir podem interferir na experiencia. Cabe a pessoa ficar atenta a estes detalhes e não confundir desatenções com a famosa expressão “cerveja ruim”.

Ai vamos para as comerciais.

A industrialização da produção de cerveja interfere diretamente na sua qualidade e preço.

Produzidas em ampla escala, suas industrias não conseguem obter um volume de matéria-prima necessário para atender a um padrão de paladar semelhante aos das cervejas ditas “especiais” sem afetar significativamente o preço.

O uso de milho e arroz nas cervejas comerciais tem gerado debate.

Resultado: vamos ser criativos. Se vai faltar cevada, vamos usar milho. Se vai faltar lúpulo, vamos usar produtos químicos que imitem. Como consequência a cerveja perde em qualidade mas ganha em preço. O uso de conservantes químicos,  aditivos, carboidratos diversos etc. contribui para tornar a cerveja um vilão para a saúde e ao paladar.

No final, qual ganha? Cerveja é cerveja. Se for pra apreciar, harmonizar (veja nossa matéria sobre harmonização) a cerveja “especial” pode te oferecer mais. Mas, em um churrasco as vezes seria melhor pensarmos em “beber menos e beber melhor”.

Eduardo Devai

Eduardo Devai é professor de Geografia na rede pública e privada e psicopedagogo. Sócio-proprietário do Kazebre Beer, loja especializada em cervejas artesanais.

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