Cerveró: “Propina ao governo FHC foi de US$ 100 milhões”

Apesar da evidente seletividade das investigações, diversos delatores da Lava Jato têm afirmado em seus depoimentos que o esquema de corrupção na Petrobras existia desde o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. O ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró disse aos investigadores que a compra do conglomerado de energia argentino Pérez Companc (PeCom) pela Petrobras, em julho de 2002, “envolveu uma propina ao governo FHC de US$ 100 milhões”.

Segundo Cerveró, diretores da Perez Companc e Oscar Vicente, executivo argentino que presidia a empresa na época da aquisição, disseram isso a ele. A empresa custou US$ 1,02 bilhão.

A informação foi divulgada pelo jornal Valor Econômico que teve acesso com exclusividade ao documento sigiloso em que Cerveró faz a afirmação.

Em nota, o ex-presidente tucano disse que as afirmações são “vagas” e, “sem especificar pessoas envolvidas, servem apenas para confundir e não trazem elementos que permitam verificação”.

Ainda segundo o documento, Cerveró teria dito: “Cada diretor da Perez Companc recebeu US$ 1 milhão como prêmio pela venda da empresa e Oscar Vicente US$ 6 milhões”. A Petrobras reuniu os ativos da PeCom com outros adquiridos na Argentina e formou a Petrobras Energia SA (Pesa), com ações da bolsa.

Cerveró disse ainda que a “maior parte da propina ficou na Argentina” e que ele e o lobista Fernando “Baiano” Soares, também delator da Lava Jato, receberam US$ 300 mil cada como parte do esquema. A delação de Baiano confirma as informações de Cerveró.

Procurado pela reportagem, FHC disse em comunicado divulgado pela assessoria de imprensa de seu instituto que não tem “a menor ideia” do que trata a matéria e ressaltou que são “afirmações vagas”.

 

Fonte: Portal Vermelho