O suicídio político de Marta Suplicy

Por Altamiro Borges

Na festa dos seus 70 anos de idade, na sexta-feira (20), a senadora Marta Suplicy aproveitou para se reunir com a “sua nova turma da política” – como estampou no título o jornal Estadão. De fato, a ex-petista mudou de lado e anunciou a sua filiação ao PSB, do vice-governador Marcio França – o mais tucano da pragmática sigla “socialista”. Não é para menos que ela tem sido tão paparicada pela mídia – a mesma que a satanizou durante sua gestão da prefeitura de São Paulo e ajudou a criar o estigma de “Martaxa”. A festança de aniversário, porém, não deve render maiores frutos. Na sua ambição pessoal, Marta Suplicy caminha para se tornar mais um instrumento da direita e tende ao suicídio político.

Segundo a eufórica matéria do Estadão – assinada, entre outros, por Eliane Cantanhêde, a da “massa cheirosa” tucana – a festança foi animada. “A ausência mais notada foi justamente a de ex-companheiros petistas… Além da cúpula do PSB, passaram pelo salão de festas do prédio onde mora o empresário Márcio Toledo, namorado da senadora, líderes do PMDB, PPS, Pros, PDT, PTB, DEM, PP e de outras legendas menores. São potênciais aliados em eventual candidatura de Marta à prefeitura de São Paulo em 2016, o próximo passo que se prevê da ex-ministra após deixar o PT, possivelmente em abril. O PSDB faltou, embora Marta tenha convidado o governador Geraldo Alckmin e todo seu secretariado”.

Já a Folha tucana, também bastante empolgada, registra neste domingo (22) que os “convidados de Marta deram prazo a Dilma” para se safar da atual crise. “A presidente Dilma Rousseff tem 20 dias para romper o isolamento político, reestruturar o seu governo e apontar caminhos para sair da crise econômica. Caso contrário, será difícil manter a governabilidade e evitar a escalada da insatisfação popular. O diagnóstico e o ultimato foram repetidos, com pouca variação, durante a concorrida festa de 70 anos de Marta Suplicy, na sexta, em São Paulo. Além da comemoração, o evento teve um clima de ‘cerimônia do adeus’ da senadora depois de 35 anos no PT”, registra a jornalista Vera Magalhães, que completa:

“Na festa, o novo caminho de Marta ficou claro pela presença maciça do comando do PSB, sigla à qual ela se filiará… O ingresso num partido de oposição a Dilma e próximo ao PSDB-SP levou Marta a se aproximar dos tucanos. O governador Geraldo Alckmin foi convidado, mas pediu ao vice que o representasse. Marta sabe que terá de se reinserir no eleitorado ‘azul’ da cidade, ironicamente aquele composto pela classe social a que ela mesma sempre pertenceu e que era predominante na festa… Entre os convidados, as críticas a Dilma rivalizavam com queixas dirigidas ao prefeito Fernando Haddad. Marta não hesitava em fazer suas próprias: ‘O governo dele é de uma incompetência total’”.

Pelos relatos eufóricos da festança, a ex-petista decidiu agora destilar todo o veneno contra o seu ex-partido. Enquanto foi ministra da Cultura de Dilma Rousseff, ela evitava explicitar divergências e sempre adotou uma postura servil. Mas ao deixar a Esplanada dos Ministérios, Marta Suplicy parece que mudou de atitude para fazer valer, a qualquer custo, o seu projeto político pessoal. Em discursos e artigos, ela agora é só mágoas e intrigas. Ela cospe no prato em que comeu e veste o figurino, raivoso, de histórica militante antipetista – com o objetivo de atrair o “eleitorado azul” de São Paulo. A tendência, porém, é que seja abandonada pelo “eleitorado vermelho” e não consiga enganar a elite paulistana, que sempre a detestou! A própria mídia, agora tão cordial, vai tratá-la em breve como produto descartável!