Após greve de 24 horas Trabalhadores e CPFL Santa Cruz vão a justiça

Devido ao movimento paredista, a CPFL Santa Cruz entrou com pedido de dissídio coletivo, na última  quarta-feira, 01, para tentar resolver o impasse que se formou no Acordo Coletivo com os trabalhadores representados pelo Sindicato dos Eletricitários de Ipaussu, Ourinhos e mais 25 cidades. A audiência de conciliação foi marcada para amanhã 07 de fevereiro.

Os trabalhadores de forma pacífica e ordeira fizeram movimento grevista que terminou as 17:00 horas do dia 01 de fevereiro, mesmo com a pressão exercida por algumas das lideranças que de um momento para o outro fizeram transformar em emergência, solicitações que já haviam sido feitas no dia anterior, entretanto a responsabilidade  vivenciada no dia a dia com os consumidores permitiu que os trabalhadores fizesse o atendimento das ocorrências inadiáveis e de emergências para a população cumprindo o que determina a legislação.

A greve dos eletricitários foi uma grande demonstração de união e força, os trabalhadores mostraram toda sua indignação e insatisfação com a proposta da Empresa em causar um desiquilíbrio financeiro aos trabalhadores, já que na maioria dos casos o empregado terá de pagar um valor 120% maior do se paga hoje no plano médico de saúde, contra um reajuste salarial de 7,87%.  A categoria espera que a CPFL Santa Cruz reconheça todo o empenho e dedicação dos trabalhadores que, aliás, tem a levado a receber vários prêmios, o ultimo na categoria de melhor distribuidora de energia elétrica do país. André Paladino, presidente do Sindicato disse que a adesão dos trabalhadores ao movimento grevista, mostrou a força dos eletricitários. “A greve aconteceu em frente a todos locais de trabalho, onde unidos num só propósito, enfrentamos sol escaldante que passou dos 30 graus, a estas pessoas, muito obrigado em nome de toda a diretoria do sindicato, vocês fazem nosso trabalho valer a pena e nos reafirmam que somente com unidade e a força dos trabalhadores conseguiremos alcançar os objetivos e manter nossos benefícios”.

Para o Sindicato o pedido de dissidio da CPFL Santa Cruz mostra a falta de sensibilidade da empresa que mesmo com a sinalização das Assembleias que a proposta em relação ao Plano Médico de Saúde não seria aceito por falta de espaço no orçamento da grande maioria dos trabalhadores e em especial os menores salários, a mesma apostou em continuar insistindo na proposta.

O sindicato espera que agora na Justiça a mesma mude a postura e tenha a transparência que não houve até o momento, em abrir os números para mostrar qual valor desembolsa com Plano de Saúde e quanto o trabalhador contribui. “ Na audiência de terça feira vamos esperar que seja cumprido o que manda a lei, dar a inflação sobre salários e benefícios e manter o plano de saúde, lembrando que o Sindicato tem uma decisão judicial do ano de 2014 que assegura a manutenção do atual plano médico. ” Nós acreditamos na justiça brasileira, e temos a certeza de que o magistrado que julgar esse dissídio coletivo agirá de forma a não prejudicar nenhum trabalhador, mantendo assim o atual plano médico de saúde. Lembrando que o Sindicato já manifestou disposição em discutir futuras alterações no plano médico, porém, precisamos conhecer de fato quais as reais necessidades da Empresa, já que segundo ela própria no mês de maio próximo, poderão serem excluídos do plano 163 vidas, o que reduzirá em R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) mensais o desembolso da CPFL Santa Cruz, afirmou o presidente.

O impasse surgiu quando a CPFL Santa Cruz quis mudar o formato do plano de saúde, o que segundo estudo realizado por ela própria e confirmado pelo sindicato ficará muito mais caro para os trabalhadores que ganham menos, que são a grande maioria e ficará mais barato para os trabalhadores com vencimentos maiores, que para o Sindicato isso é uma forma de agradar aos líderes, engenheiros e gestores da empresa.

Armadilha

Impedida judicialmente de mudar o plano de saúde dos trabalhadores apenas por si mesma, a CPFL Santa Cruz condicionou o ACT 2016 a manutenção do plano de saúde, criando uma verdadeira pegadinha para os trabalhadores, Paladino afirma que “agindo dessa forma a CPFL Santa Cruz quer nos obrigar a mudar o plano de saúde, já que temos uma sentença judicial que proíbe a empresa de alterar o plano unilateralmente, isso foi no ano de 2014 quando a  Empresa tentou de todas as formas migrar de unilateral nosso plano médico para a Fundação CESP, o que é totalmente inviável para a realidade salarial praticada pela Santa Cruz”.

O plano de saúde dos eletricitários tem travado as negociações salariais que começaram em novembro de 2016. “A empresa começou a colocar essa condição para poder fechar o ACT. Os trabalhadores não aceitam que de um momento para o outro o seu desembolso com o plano de saúde sofra um aumento substancial como pretende a empresa. Tentamos de todas as formas negociar, mas eles sempre chegam com a mesma conversa, e não mudam a proposta”, falou Paladino, que garantiu que foram realizadas pelo menos cinco mesas de negociações.

Prática Antissindical, coação e assédio moral.

Nas últimas negociações entre o sindicato e a empresa, durante o período de assembleias, os diretores receberam inúmeras denúncias de coação, chantagens e assédio moral, feitas pelas lideranças aos trabalhadores, com objetivo de força-los a aceitar a proposta da CPFL. O Sindicato está ouvindo o depoimento de todos os trabalhadores.

Ao Sindicato, os trabalhadores se queixam da pressão sofrida em épocas de negociações de acordos coletivos ou PLR, “Eles nos chamam em uma sala para dizer que não podemos rejeitar a proposta, e fazer isso e aquilo, e ameaçam dizendo que a empresa está treinando outros trabalhadores, e caso a proposta seja rejeitada várias pessoas poderão ser demitidas, diz a CPFL Santa Cruz, afirmam vários trabalhadores.” Isso é prática antissindical, é coação é assédio moral”, diz o presidente do Sindicato André Paladino.

A CPFL Santa Cruz acaba de ser condenada pela Justiça por práticas Antissindicais e terá de reintegrar aos seus quadros 5 trabalhadores que foram demitidos quando da rejeição da contra proposta da empresa nas negociações coletivas no ano de 2015, por conta disso o Sindicato já deu início a denúncia formal na OIT contra a CPFL Santa Cruz por práticas Antissindicais, ameaça, chantagem e coação.