Base aliada de Lucas Pocay surpreende e abertura da CPI da Cultura é aprovada

Na última segunda-feira, 12, foi levada à Câmara dos Vereadores, pela segunda vez após o escândalo da denúncia de casos de corrupção na Secretaria de Cultura de Ourinhos, a votação para a aprovação da abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) a fim de investigar o caso.

No início deste mês de março, o Jornal Negocião, de Ourinhos, através da denúncia de Daniela Gonçalves Andrejavas, diretora da Cooperativa Brasileira de Trabalho dos Profissionais das Artes, publicou o envolvimento de funcionários da Prefeitura em casos de superfaturamento e corrupção com o uso do dinheiro público destinado à Secretaria da Cultura da cidade.

Paulo Flores, diretor da Escola Municipal de Música de Ourinhos (EMMO), nomeado pelo Prefeito Lucas Pocay, foi o protagonista dos casos de corrupção, que envolveu também professores da EMMO e o Secretário da Cultura, Rodrigo Donato.

Na mesma semana, o Prefeito pronunciou-se nas redes sociais e disse ter afastado Paulo das suas funções, suspendido o repasse de verbas para a Cooperativa e que abriria sindicância para apurar os casos.

Entretanto, na primeira sessão da Câmara dos Vereadores posterior à denúncia, no dia 05 de março, a abertura de uma CPI que investigasse o caso foi colocada em votação, mas não foi aprovada. Os vereadores que votaram “sim” foram, justamente e apenas, os três que se opõem ao Prefeito. Portanto, a medida não foi aprovada naquele momento, com o voto negativo dos 12 vereadores restantes e da base aliada de Lucas.

No entanto, a sessão da Câmara do dia 12 de março, que reabriu a discussão da CPI, surpreendeu. Comumente ­– para não dizer “obrigatoriamente” – , acompanhando as votações na Câmara dos Vereadores, os 12 membros do Legislativo ourinhense que apoiam Lucas, não mostram divergências nas votações. Discussões importantes, como a recente proposta da Prefeitura de remoção da administração da Zona Azul pelos adolescentes da AMO-SIM, tiveram o “placar” de 12 (base aliada de Lucas) a 3 (oposição), e assim, como a esmagadora maioria das propostas do Prefeito, foi aprovada na Câmara.

A surpresa veio em dois momentos. Vadinho, opositor de Lucas, mostrou no telão disposto na Câmara dos Vereadores, um print de uma conversa no WhatsApp de Daniela, a delatora do caso, com o ex-diretor da EMMO, Paulo Flores. No print, Paulo pede para que Daniela compre, com o dinheiro atribuído para a Cooperativa, uma bateria que Rodrigo Donato, Secretário da Cultura, estava vendendo. Essa bateria foi avaliada no valor de R$2.500,00, porém, foi comprada pela Escola de Música por R$6.500,00, em novembro de 2017.

 

Print mostrado por Vadinho da conversa de Daniela com Paulo Flores.

A outra surpresa, foi quando os vereadores Santiago, Caio Lima, Carlinhos do Sindicato e Sargento Sérgio, mudaram de opinião e passaram a assinar junto aos três vereadores, Vadinho, Flavinho do Açougue e Dr. Salim, a aprovação da abertura da CPI que investigará os funcionários a Prefeitura, a Secretaria de Cultura e os envolvidos no caso.

A população reage ao caso nas redes sociais. Vídeos da transmissão da TV Câmara de Ourinhos, textos que parabenizam os vereadores, que demonstram revolta e o print de Paulo Flores estão sendo muito compartilhados. Os ourinhenses mostram que não acreditam no discurso dos parlamentares que foram contra a abertura da CPI.

http://https://www.facebook.com/elisete.silva.31/videos/1529474767163477/

Vídeo da munícipe, Elisete Silva, reagindo ao discurso da vereadora Raquel Spada

Na busca de informar a população e entender de várias formas a história, nas últimas semanas, viemos tentando contatar Paulo Flores, que até respondeu a reportagem com um “oi”, mas ao ser questionado, não respondeu mais. Junto à população e às outras mídias ourinhenses, o Jornal Contratempo vem acompanhando e abre a discussão sobre o caso, e outros que, eventualmente possam ocorrer.

Eduarda Schuh

21 anos e ourinhense de coração. Estudante de Jornalismo na UNESP de Bauru. Aspirante a jornalista há algum tempo. Buscando um caminho para um mundo mais justo há ainda mais tempo. Contra qualquer tipo de exclusão e elitização, escrevo para quem precisa entender. Feminista e progressista, procurando os erros e acertos.