Coluna Espaço Cidadão: “Não quero prejudicar ninguém, apenas usufruir de um direito que é meu e dos demais deficientes.”

A imagem destacada é de um episódio que ocorreu em 2015, em Maringá, onde um carro estacionado na vaga de deficiente foi “vítima” de uma pegadinha. Um canal no YouTube cobriu todo o carro com papéis, formando o mesmo símbolo da vaga reservada para deficientes físicos. O objetivo do canal foi de conscientizar a população, ridicularizando a atitude dos motoristas que cometem este tipo irregularidade.

Através do WhatsApp do Jornal Contratempo, Antonio Mortari, morador de Ourinhos enviou um desabafo e pede por todos os deficientes físicos do nosso município. Na coluna “Espaço Cidadão” nós procuramos dar voz ao leitor para que conte suas experiências e reclamações.

Antonio já presenciou, em Ourinhos, várias cenas de vagas para deficientes ocupadas por pessoas sem deficiência física, reclama da falta de atenção da Polícia Militar, conta que até uma multa lhe foi aplicada injustamente e acredita que não é um problema que exige de alta complexidade para resolução, entretanto, que persegue e atrapalha ainda mais a vida e a locomoção dos deficientes físicos.

“Sou deficiente e a muito tempo tenho tido problemas, assim como outros deficientes, com relação as vagas reservadas para deficientes.
Para utilizar as vagas, precisei fazer um cartão de autorização na prefeitura o qual de tempos em tempos preciso atualizar.
Se eu parar em uma vaga, mesmo sendo deficiente, e não deixar o cartão visível serei multado.
Inclusive, já fui multado uma vez por ter esquecido de por o cartão e, mesmo o policial vendo que meu carro tinha o símbolo internacional de deficiente e também que ando com muita dificuldade com auxílio de moletas auxilares, ele me multou.
Me revolta ver todos os dias pessoas normais paradas nas vagas e viaturas passarem ao lado do veículo parado e nem ao menos verificarem se tem o cartão de permissão para estar ali.
A Polícia Militar somente envia viatura se alguém ligar e denunciar e, por duas vezes, precisei da vaga e liguei. Após longa espera da viatura, desisti.
Em outra situação precisava muito parar em uma vaga no centro ocupada por um veículo sem autorização e, ao ligar para a PM, me foi pedido marca, modelo e laca do veículo. Como??? Ando de moletas. Como descer no meio da rua com carros buzinando, correndo risco e sem falar de um acidente mais sério??
Sei que o efetivo de policiais não é suficiente para tanto trabalho. Mas acho que este problema pode ser resolvido com muito pouco trabalho e desgaste. Basta somente um policial parar emparelhado com veículos onde houver vagas especiais e olhar para o lado.
O problema em pouco tempo será resolvido pois brasileiro só se liga que há regras que deve cumprir quando o bolso é atingido.
Não quero prejudicar ninguém, apenas usufruir de um direito que é meu e dos demais deficientes. Um direito que é primordial para nossa locomoção e qualidade de vida.”

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