Coluna: Luiz Bosco — A verdade deve ser o fundamento da democracia

Luiz Bosco Sardinha Machado Júnior 

 Uma democracia tem como base a participação de todas e todos na esfera pública, que compreendemos como o espaço em que ideias e posicionamentos se confrontam, para que possamos decidir o que é melhor para a coletividade e para os indivíduos que a compõem. 

Para isso, cada pessoa deve ter acesso às informações necessárias para guiar suas escolhas. Tais informações têm de ser amplamente debatidas, sem nenhuma forma de coibição ou censura, nem se pode permitir que se esconda o que pode ser relevante para decisões que afetarão um povo.  

Nas eleições que vivemos agora, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) reiteradamente se esquiva do debate com seus adversários, não permitindo à população assistir ao embate de propostas, tão necessário à democracia. A alegação de que seu estado de saúde não permitiria soa estranha, pois o candidato mantém agenda de campanha, com entrevistas para a televisão e participação em eventos públicos. 

Essa atitude é uma estratégia, como o próprio candidato assumiu em entrevista coletiva de 11 de outubroO quadro fica mais sombrio quando junta-se a isso a denúncia, realizada pela Folha de S. Paulo em 18 de outubro, de um suposto esquema de empresários pagando a empresas voltadas à propaganda em redes sociais, para disparar boatos e notícias falsas (fake news) contra o Partido dos Trabalhadores e contra seu candidato, Fernando Haddad, em grupos de WhatsApp. 

O candidato Bolsonaro, no mesmo dia, esquivou-se, afirmando que não poderia controlar o que seus seguidores fazem e que ele contaria com “apoiadores voluntários”. 

Independentemente de esse esquema existir ou não, é facilmente observável o quanto sua popularidade está fundamentada em boatos disseminados intensamente. O mais notável deles é o do famigerado “kit gay”. O candidato chegou a tentar exibir um livro que comporia o tal “kit”, em entrevista concedida ao Jornal Nacional em 28 de agosto. O Ministério da Educação já desmentiu várias vezes sobre a existência do “kit” e em 16 de outubro, o TSE ordenou que se retire as menções a ele de todos meios usados pela campanha de Bolsonaro. 

A enxurrada de notícias falsas que transborda pelas correntes de WhatsApp produz medo nas pessoas. Elas atingem valores morais e religiosos que são muito caros a maioria dos brasileiros e nos empurram a acreditar que haja uma grande conspiração da qual o PT faça parte e que Bolsonaro seja um salvador. 

A boa política não pode ser jamais fundamentada em mentiras ou distorções. Temos direito ao acesso a informações verdadeiras. O medo serve apenas para aumentar o desespero de pessoas que já estão acossadas pela crise econômica e pela falta de emprego geradas pelo governo Temer.  

A democracia deve ser fundamentada na verdade e na transparência. Esperamos que esse seja o posicionamento de ambos candidatos, agora e no futuro.