Coluna: Os Antípodas — Observe a natureza

Alan Mortean

Este texto, filosófico, está baseado nas ideias revolucionárias de Ernst Gotsch, um agricultor que faz agricultura e planta florestas no mesmo lugar.

A Terra é viva, viva como nós.

Observe a natureza. Os processos que ocorrem na formação das galáxias, ocorrem de maneira semelhante na formação das plantas e dos seres humanos; tudo está interligado.

Um solo degradado, vítima de um estilo de agricultura que só funciona minerando seus recursos, e que sobrevive insustentavelmente extraindo massivas quantidades de fósforo e potássio de rochas (e nitrogênio da atmosfera) e aplicando-os no solo na forma de fertilizantes químicos, é um dos reflexos de uma crise de percepção que afeta a humanidade.

A agricultura convencional é um processo entrópico, ou seja, de desperdício de energia, enquanto a sucessão natural, que leva uma terra degradada à regeneração, é um processo sintrópico de acúmulo de energia, de aumento de complexidade e de geração de recursos.

Usando o conhecimento contido no livro da natureza, podemos acelerar a sucessão natural; é isso que nos ensina Ernst Gotsch, suíço radicado no Brasil, criador dos termos “agrofloresta” e “agricultura sintrópica”.

Por que não, em um mesmo ninho, plantar rúcula, alface, feijão, milho, mandioca, banana, mamão, inhame, abacate, manga, jabuticaba, eucalipto, ipê, jacarandá e mogno, tudo junto?
(Sim, eu disse ninho, não disse cova!).

O milho será o apoio onde o feijão trepará; o feijão preparará o solo, agregando nitrogênio, para que venham as próximas plantas. Em três meses se colhem alfaces e rúculas; em seis meses feijão e milho; em nove meses o inhame, a banana e o mamão; em um ano e meio se colhe a mandioca. Toda a matéria orgânica do pé de milho, do feijão, folhas do inhame, da banana, da mandioca, são depositadas no solo, se decompõem e ajudam a aumentar sua
fertilidade.

Imagem: numa mesma linha de plantio agroflorestal, podemos observar milho, feijão, bananeira, mandioca e inhame.

Enquanto isso, estarão crescendo as frutíferas e, no momento propício, poderemos escolher entre elas a mais forte e frondosa, ou seja, a que melhor se adaptou àquele lugar, e cortamos as outras e as deixamos no solo; assim, na forma de adubo, elas passarão a auxiliar a mais apta a desenvolver-se. Finalmente, depois de algumas décadas, teremos a espécie madeireira já grande e desenvolvida, o que seria o ápice do sistema produtivo e da sucessão natural.

Desta maneira criamos recursos, criamos vida, nos reconectamos com a natureza, não como seu Senhor e Mestre, mas como uma espécie a mais, cooperando com as outras, cumprindo nossa função no planeta, criando sintropia.

A felicidade e a paz interior serão uma consequência natural do cumprimento de nossa missão.

Saiba mais sobre Ernst:
https://www.agendagotsch.com/
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