COMO O YOUTUBE RADICALIZOU O BRASIL

No ultimo dia 11, o mundialmente conhecido jornal “The New York Times” publicou um profundo (e aterrador) retrato de como o mecanismo de recomendações de videos do YouTube, destinado a induzir os espectadores a passar cada vez mais tempo na plataforma, acabou por inadvertidamente promover a radicalização política (para a direita) do Brasil e se tornou uma das ferramentas centrais na eleição de um personagem (até então obscuro e marginalizado da política brasileira) à presidência da quarta maior democracia do mundo.

O Jornal Contratempo trouxe a seguir uma tradução integral do artigo, traduzido pelo colaborador Filipe Luiz dos Santos Rosa.

O artigo original em inglês pode ser acessado CLICANDO AQUI.

 

 


COMO O YOUTUBE RADICALIZOU O BRASIL

Por Max Fisher

NITERÓI, Brasil – Quando Matheus Dominguez tinha 16 anos, o YouTube recomendou um vídeo que mudou sua vida.

Ele estava em uma banda em Niterói, uma cidade cercada de praias no Brasil, e praticava guitarra assistindo tutoriais online.

O YouTube instalou recentemente um novo e poderoso sistema de inteligência artificial que aprendeu com o comportamento do usuário e emparelhava vídeos com recomendações para outras pessoas. Um dia, o Youtube o levou  a um professor de violão amador chamado Nando Moura, que conquistou muitos seguidores ao postar vídeos sobre heavy metal, videogames e, acima de tudo, política.

Em discursos paranóicos e exagerados de extrema-direita , Nando Moura acusou feministas, professores e políticos de travar grandes conspirações. Matheus Dominguez ficou vidrado.

Como o tempo dele assistindo o site cresceu, o YouTube recomendou vídeos de outras figuras  similares de extrema-direita. Um deles era um deputado chamado Jair Bolsonaro –  até então uma figura inexpressiva na política nacional – mas uma estrela da comunidade de extrema direita do YouTube no Brasil, onde a plataforma passou a ser mais assistida que a maioria dos canais de TV.

No ano passado, ele se tornou “Presidente Bolsonaro”.

“O YouTube se tornou a plataforma de mídia social da direita brasileira”, disse Matheus, agora com 17 anos de idade, que diz também pretender concorrer a um cargo político.

Os membros da agora fortalecida extrema direita – de organizadores de bases a deputados federais – dizem que seu movimento não teria aumentado tanto e nem tão rápido, sem o mecanismo de recomendação do YouTube.

Uma nova pesquisa descobriu que eles podem estar certos. O sistema de pesquisa e recomendação do YouTube parece ter desviado sistematicamente os usuários para canais de extrema-direita e de teorias da conspiração no Brasil.

Uma pesquisa do New York Times no Brasil descobriu que, repetidamente, os vídeos promovidos pelo site revolucionaram momentos comuns da vida cotidiana.

Os professores descrevem as salas de aula descontroladas por alunos que citam vídeos de teorias da conspiração do YouTube ou que, incentivados por estrelas de direita do YouTube, filmam escondidos seus docentes.

Por sua vez, alguns pais procuram no “Dr. YouTube ”por conselhos de saúde, mas em vez disso, obtém informações erradas e perigosas, dificultando os esforços nacionais para combater doenças como o Zika vírus. Paralelamente, vídeos incitando ameaças de morte contra os defensores da saúde pública viralizam na plataforma.

E na política, uma onda de estrelas de direita do YouTube concorreram para o congresso apoiando Bolsonaro, alguns foram eleitos com margens históricas. A maioria ainda usa a plataforma, governando a quarta maior democracia do mundo por meio de trollagens e provocações virtuais.

O sistema de recomendações do YouTube foi desenvolvido para maximizar o tempo de exibição, entre outros fatores, mas não para favorecer qualquer ideologia política, diz a empresa. O sistema sugere o que assistir a seguir, muitas vezes reproduzindo os vídeos automaticamente, em uma busca incessante para nos manter colados às nossas telas.

Mas são as emoções que atraem as pessoas – como medo, dúvida e raiva – e estas são muitas vezes características centrais das teorias da conspiração e, em particular, dizem os especialistas, do extremismo de direita.

Como o sistema sugere vídeos cada vez mais apelativos para manter os usuários assistindo, ele pode direcioná-los para conteúdos extremistas que, de outra forma, nunca encontrariam. E é projetado para levar os usuários a novos tópicos para despertar novos interesses – um benefício para canais como o de Nando Moura, que usam a cultura pop como porta de entrada para ideias de extrema-direita.

O sistema agora leva 70% do tempo total na plataforma, diz a empresa. À medida que a audiência sobe globalmente, o YouTube está atraindo mais de US $ 1 bilhão por mês, acreditam alguns analistas.

Zeynep Tufekci, um estudioso de mídia social, o chamou de “um dos mais poderosos instrumentos de radicalização do século 21”.

Representantes da empresa contestaram a metodologia dos estudos e disseram que os sistemas da plataforma não privilegiam nenhum ponto de vista nem direcionam os usuários para o extremismo. No entanto, representantes da empresa admitiram algumas das descobertas e prometeram fazer mudanças.

Farshad Shadloo, um porta-voz, disse que o YouTube “investiu pesadamente nas políticas, recursos e produtos” para reduzir a disseminação de desinformação prejudicial, acrescentando: “vimos que o conteúdo autoritário está prosperando no Brasil e é um dos mais recomendados conteúdos no site. ”

Danah Boyd, fundador do instituto de pesquisa Data & Society, atribuiu a perturbação no Brasil ao esforço implacável do YouTube para o envolvimento dos espectadores e as receitas que isso gera.

Embora escândalos de corrupção e uma profunda recessão já tivessem devastado o establishment político do Brasil e deixado muitos brasileiros prontos para romper com o status quo, Boyd chamou o impacto do YouTube de uma indicação preocupante do crescente impacto da plataforma nas democracias em todo o mundo.

“Isso está acontecendo em todos os lugares”, disse ela.

O PARTIDO DO YOUTUBE

Maurício Martins, vice-presidente local do PSL (partido de Bolsonaro) em Niterói, creditou “a maior parte” do recrutamento do partido ao YouTube – incluindo o seu próprio.

Ele estava matando o tempo no site um dia, quando a plataforma mostrou a ele um vídeo de um blogueiro de direita. Ele assistiu por curiosidade. Mostrou-lhe outro e depois outro.

“Antes disso, eu não tinha um histórico político ideológico”, disse Maurício. As recomendações de reprodução automática do YouTube, declarou ele, eram “minha educação política”.

“Foi assim com todos”, disse ele.

A influência política da plataforma é cada vez mais perceptível nas escolas brasileiras.

“Às vezes, assisto a vídeos sobre um jogo e, de repente, estou em um vídeo do Bolsonaro”, disse D. Inzaghi, um estudante de 17 anos que mora em Niterói.

Cada vez mais seus colegas estão fazendo declarações extremistas, muitas vezes citando como referência estrelas do YouTube como Nando Moura, o guitarrista que se tornou teórico da conspiração.

“É a principal fonte que as crianças têm para obter informações”, disse ele.

Poucos ilustram melhor a influência do YouTube do que Carlos Jordy.

Bombado e todo tatuado – sua mão esquerda tem um crânio flamejante com olhos de diamante – ele foi eleito para a Câmara Municipal em 2017, com poucas perspectivas de subida através da política tradicional. Então, Jordy se inspirou em blogueiros como Moura e seu mentor político, Bolsonaro, voltando seu foco para o YouTube.

Ele postou vídeos acusando os professores locais de conspirar para doutrinar os estudantes no comunismo. Os vídeos lhe renderam uma “audiência nacional”, disse ele, e impulsionaram sua ascensão impressionante, apenas dois anos depois, para o cargo de deputado federal.

“Se a mídia social não existisse, eu não estaria aqui”, disse ele. “Jair Bolsonaro não seria presidente”.

ADENTRANDO NA TOCA DO COELHO

A algumas centenas de quilômetros de distância de Niterói, uma equipe de pesquisadores liderados por Virgilio Almeida, da Universidade Federal de Minas Gerais, debruçou-se sobre computadores, tentando entender como o YouTube molda a realidade de seus usuários.

A equipe analisou transcrições de milhares de vídeos, bem como os comentários abaixo deles. Eles descobriram que  os canais de direita no Brasil viram seu público expandir muito mais rápido do que os outros e pareciam estar pautando o conteúdo político em geral na plataforma.

Nos meses após o YouTube ter mudado seu algoritmo, as menções positivas de Bolsonaro aumentaram, assim como as menções de teorias da conspiração que ele havia veiculado. Isso começou quando as pesquisas ainda mostravam que ele era extremamente impopular, sugerindo que a plataforma estava fazendo mais do que apenas refletir tendências políticas.

Uma equipe do Centro Berkman Klein de Harvard começou a testar se a ascensão meteórica da extrema direita brasileira na plataforma foi impulsionada pelo mecanismo de recomendação do YouTube.

Jonas Kaiser e Yasodara Córdova, com Adrian Rauchfleisch da Universidade Nacional de Taiwan, programaram um servidor baseado no Brasil para acessar um canal popular ou termo de pesquisa, depois abriram as principais recomendações do YouTube, seguiram as recomendações de cada um deles e assim por diante.

Repetindo isso milhares de vezes, os pesquisadores rastrearam como a plataforma movia os usuários de um vídeo para o outro. Eles descobriram que, depois que os usuários assistiram a um vídeo sobre política ou até mesmo de entretenimento, as recomendações do YouTube geralmente favoreciam canais de direita, cheios de conspiração, como o de Nando Moura.

Crucialmente, os usuários que assistiam a um canal de extrema direita geralmente eram apresentado a muitos outros mais.

O algoritmo reuniu a canais outrora marginais – e então construiu audiência para eles, concluíram os pesquisadores.

Um desses canais pertencia ao Bolsonaro, que há muito usava a plataforma para publicar boatos e teorias conspiratórias. Apesar de ser um dos primeiros adeptos do YouTube, seus seguidores online pouco fizeram para expandir sua base política, que mal existia em nível nacional.

Então o sistema político do Brasil entrou em colapso assim que a popularidade do YouTube disparou. As opiniões de Bolsonaro não mudaram. Mas a extrema direita do YouTube, onde ele era uma figura importante, viu seu público explodir, ajudando a recrutar grandes números de brasileiros para sua mensagem em um momento em que o país estava pronto para uma mudança política.

O YouTube desafiou a metodologia dos pesquisadores e disse que seus dados internos contradizem suas descobertas. Mas a empresa recusou os pedidos do  NY Times para acessar esses dados, bem como pedidos de certas estatísticas que revelariam se as descobertas dos pesquisadores estavam corretas ou não.

“DR. YOUTUBE”

As conspirações não se limitaram à política. Muitos brasileiros que buscavam informações de saúde no YouTube encontraram vídeos que os aterrorizavam: alguns disseram que o zika estava sendo disseminado por meio de vacinas ou por inseticidas destinados a conter a disseminação da doença transmitida por mosquitos que castigava o nordeste do Brasil.

Os vídeos pareciam se popularizar na plataforma da mesma forma que o conteúdo político extremista: fazendo afirmações alarmantes e prometendo verdades proibidas que mantinham os usuários colados em suas telas.

Médicos, assistentes sociais e ex-funcionários do governo disseram que os vídeos criaram a base de uma crise de saúde pública, já que pacientes assustados recusaram vacinas e até mesmo inseticidas anti-zika.

As conseqüências foram pronunciadas em comunidades mais pobres como Maceió, uma cidade no nordeste do Brasil que estava entre as mais atingidas pelo zika.

“As fake news são uma guerra virtual”, disse Flávio Santana, neurologista pediátrico radicado em Maceió. “Nós temos isso vindo de todas as direções.”

Quando o zika se espalhou pela primeira vez em 2015, os agentes de saúde distribuíram larvicidas que mataram os mosquitos que espalham a doença.

Não muito depois de o YouTube ter instalado seu novo mecanismo de recomendação, os pacientes da Dra. Santana começaram a dizer a ele que tinham visto vídeos culpando as vacinas pelo Zika – e, mais tarde, pelos larvicidas. Muitos recusaram ambos.

A médica Auriene Oliviera, especialista em doenças infecciosas do mesmo hospital, disse que os pacientes cada vez mais desafiam seus conselhos, inclusive sobre procedimentos cruciais para a sobrevivência de seus filhos.

“Eles dizem: ‘Não, pesquisei no Google, já vi no YouTube”, disse ela.

Os provedores de saúde, disse ela, competiam “Todo santo dia” contra o “Dr. Google e Dr. YouTube ”- e eles estavam perdendo.

Mardjane Nunes, um especialista em Zika que recentemente deixou um cargo sênior no Ministério da Saúde, disse que os profissionais de saúde em todo o Brasil têm relatado experiências semelhantes. À medida que mais comunidades recusam o larvicida anti-Zika, ela acrescentou, a doença está vendo um pequeno ressurgimento.

“A mídia social está ganhando”, ela disse.

A comunidade médica do Brasil tinha motivos para se sentir superada. Os pesquisadores de Harvard descobriram que os sistemas do YouTube frequentemente direcionavam usuários que procuravam informações sobre o zika, ou mesmo aqueles que assistiam a um vídeo respeitável sobre problemas de saúde, em direção a canais de conspiração.

Um porta-voz do YouTube confirmou as descobertas do Times, chamando-as de não-intencionais, e disse que a empresa mudaria a forma como sua ferramenta de busca exibia vídeos relacionados ao Zika.

UM “ECOSSISTEMA DO ÓDIO”

À medida que a extrema direita aumentava, muitas de suas principais vozes haviam aprendido a transformar os vídeos de teorias conspiratórias em verdadeiras armas de guerra, oferecendo a seus grandes públicos um alvo: as pessoas  a serem culpadas. Eventualmente, os teóricos da conspiração do YouTube voltaram seus holofotes para Debora Diniz, uma ativista dos direitos das mulheres, cuja defesa do aborto a tornara alvo da extrema direita.

Bernardo Küster, uma estrela do YouTube cujos discursos caseiros lhe renderam 750 mil assinantes e uma recomendação oficial do próprio presidente Bolsonaro, acusou-a de envolvimento nas supostas conspiração para espalhar o Zika.

Os vídeos de Bernardo Küster sugeriam que as mesmas pessoas que trabalham para ajudar as famílias afetadas pelo Zika, estavam na verdade por trás da doença e que, com o apoio de grupos estrangeiros obscuros, tinham como objetivo abolir a proibição do aborto no Brasil – ou mesmo tornar os abortos obrigatórios.

À medida que os canais de extrema-direita e teorias da conspiração começaram a citar um ao outro, o sistema de recomendações do YouTube aprendeu a agrupar seus vídeos. Por mais implausível que qualquer rumor individual pudesse estar por conta própria, eles criaram a impressão de que dezenas de fontes diferentes revelavam a mesma verdade aterradora.

“Parece que a conexão é feita pelo espectador, mas a conexão é feita pelo sistema”, disse Debora Diniz.

Ameaças de estupro e tortura preencheram o telefone e o e-mail de Diniz. Alguns citaram suas rotinas diárias. Muitos repetiram as acusações dos vídeos de Bernardo Küster, ela disse.

Bernardo Küster comentou as ameaças em tom de brincadeira, embora nunca tenha endossado explicitamente. Isso o manteve dentro das regras do YouTube.

Quando a universidade onde Debora Diniz lecionava recebeu um aviso de que um atirador atiraria nela e em seus alunos, e a polícia disse que eles não poderiam mais garantir sua segurança, ela deixou o Brasil.

“O sistema do YouTube de recomendar o próximo vídeo e o próximo vídeo”, ela disse, criou “um ecossistema de ódio”.

“’Eu ouvi neste vídeo que ela é uma inimiga do Brasil. No próximo eu ouço que as feministas estão mudando os valores da família. E no próximo eu ouço que eles recebem dinheiro do exterior ”, disse ela. “Esse ciclo é o que leva alguém a dizer ‘farei o que deve ser feito’”.

“Precisamos que as empresas enfrentem sua responsabilidade”, disse Diniz. “Éticamente, eles são responsáveis”.

Conforme as conspirações se espalham no YouTube, os produtores de vídeo têm como alvo grupos cujo trabalho toca em questões controversas como o aborto. Até mesmo algumas famílias que há muito tempo confiavam nesses grupos chegaram a se perguntar se as acusações poderiam ser verdadeiras e começaram a evitá-los.

No Brasil, existe uma prática on-line crescente conhecida como “linchamento virtual” . Jair Bolsonaro foi um dos pioneiros, espalhando vídeos em 2012 que falsamente acusavam intelectuais de esquerda de conspirar para distribuir nas escolas os “kits gays” para supostamente converter crianças à homossexualidade.

Carlos Jordy, seu protegido tatuado de Niterói, não ficou incomodado ao saber que sua campanha no YouTube, acusando professores de espalhar o comunismo, tinha virado as vidas dessas pessoas de cabeça para baixo.

Uma dessas professoras, Valeria Borges, disse que ela e seus colegas foram inundados por mensagens de ódio, criando um clima de medo.

O Carlos Jordy, longe de contestar isso, disse que esse era seu objetivo. “Eu queria que ela sentisse medo”, disse ele.

“É uma guerra cultural que estamos lutando”, explicou ele. “Foi para isso que eu fui eleito!”

A DITADURA DA CURTIDA.

O marco zero para a política de YouTube pode ser a sede paulista do Movimento Brasil Livre, que se reuniu para incentivar o impeachment da presidente de esquerda Dilma Rousseff em 2016. Seus membros são jovens, de classe média, de extrema direita e extremamente conectados.

Renan Santos, coordenador nacional do grupo, apontou para uma porta marcada como “a divisão do YouTube” e disse: “Esse é o coração das coisas”.

La dentro, oito jovens cutucavam o softwares de edição. Um deles foi estilizar uma imagem de Benito Mussolini para um vídeo argumentando que o fascismo havia sido injustamente vinculado à direita.

Mas mesmo algumas pessoas aqui temem o impacto da plataforma na democracia. Santos, por exemplo, chamou a mídia social de “arma”, acrescentando que algumas pessoas em torno de Bolsonaro “querem usar essa arma para pressionar instituições de uma forma que eu não vejo como responsável”.

O co-fundador do grupo, Pedro D’Eyrot, ex-guitarrista de rock, disse que “temos algo aqui que chamamos de ditadura da curtida“.

A realidade, segundo ele, é moldada por qual mensagem se tornar a mais viral.

Mesmo enquanto ele falava, um vídeo do YouTube de duas horas estava cativando a nação. Intitulado “ 1964 ” (o ano do golpe militar no Brasil) argumentando que a tomada de poder tinha sido necessária para salvar o Brasil do comunismo.

Dominguez, o adolescente que está aprendendo a tocar violão, disse que o vídeo o persuadiu de que seus professores haviam inventado os horrores do regime militar.

Valeria Borges, a professora de história demonizada no YouTube, disse que esta situação trouxe de volta as memórias do toque de recolher militar, do desaparecimento de ativistas e dos espancamentos policiais.

“Eu não acho que eu tive a minha última surra”, disse ela.

The Interpreter é uma coluna de autoria de Max Fischer e Amanda Taub explorando ideias e contexto por trás de grandes eventos de âmbito mundial. Siga-os no Twitter: @Max_Fischer e @amandataub.

Mariana Simões contribuiu com a reportagem a partir de Niterói e Maceió, Brasil. Kate Steiker-Ginzburg contribuiu a partir de Niterói, Maceió e São Paulo, Brasil. Renata Matarazzo contribuiu com trabalho de pesquisa.

 

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