Delegado recorre à Justiça para obter vídeo de morte de jovem em abordagem da PM na FAPI

fapiA Polícia Civil de Ourinhos (SP) vai acionar a Justiça ainda nesta segunda-feira (13) para obter as imagens das câmeras de segurança que registraram a abordagem da Polícia Militar que terminou com a morte de um jovem de 22 anos, na última quarta-feira (8). De acordo com a Polícia Civil, as imagens estão em poder da PM e foram solicitadas desde a última semana para esclarecimento do caso.

Até esta segunda-feira, 13, não houve nenhum esclarecimento sobre a solicitação das imagens e também porque não foram entregues à Polícia Civil.

Ainda segundo a polícia as imagens são essenciais para a investigação do caso. Testemunhas e familiares de Bryan Bueno já foram ouvidas. Entretanto, a Polícia Militar ainda não prestou depoimento oficial, mas o comando alega que o disparo que matou o jovem foi acidental. O policial que fez o disparo foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Membros do Conselho Estadual de Direitos Humanos também estiveram em Ourinhos e vão representar o policial na Ouvidoria das Polícias.

 

Entenda o caso
Bryan Bueno, de 22 anos, morreu baleado durante uma abordagem da Polícia Militar, na madrugada de quinta-feira (9), próximo ao recinto da Fapi – Feira Agropecuária e Industrial de Ourinhos -, que fica na Avenida Jacinto Ferreira de Sá, em Ourinhos. Segundo informações da Polícia Militar, o carro andava em zigue-zague e um dos meninos teria derrubado alguns cones de sinalização.

Dois policiais pediram para que o carro parasse. Bryan estava no banco da frente, do lado do motorista, e levou o tiro de um dos policiais. “O policial não declara que fez o acionamento desse gatilho. Ele declara um recuo diante desse esboço de reação da vítima. E nesse recuo que ele fez, com esse passo para trás, que ele teria dado esse disparo”, explica a comandante do Batalhão da Policia Militar de Ourinhos, Cenize Araújo Calasane.

O jovem, que morava em Santa Cruz do Rio Pardo, foi atingido no pescoço. Ele foi socorrido pelo Samu, mas chegou já sem vida na Santa Casa.

Sem reação
Um dos amigos do jovem, que estava no carro, contou que eles não tiveram tempo de sair do carro. “O Bryan estava no banco da frente e ele fez uma brincadeira, colocou a mão para fora do carro e pegou um dos cones. Um dos policiais que estava ali na frente viu e deu sinal de luz para que a gente parasse. Nós paramos certinho, não tivemos nenhuma reação. Aí um dos policiais veio em uma das janelas e outro, que estava mais exaltado, foi na outra janela e ele já veio com a arma apontada, pegou no colarinho da camisa do Bryan e mandou ele sair do carro e nisso atirou. Nós só descemos do carro depois que ele atirou, quando pediram para parar. Não deu nem tempo de fazer nada, não fizemos nada, foi coisa de segundos”, afirma o estudante Wesley Moraes, amigo da vítima.

Ainda segundo o jovem, Bryan não teve nenhuma reação. “Não deu tempo dele fazer nada. Como o policial chegou, pegou no colarinho dele e já atirou e ele já abaixou a cabeça”, completa.

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Fonte: G1