Material escolar que fazia promoção de Dória é barrado pela Secretaria de Educação do Estado

Coluna – MARCOS CORRÊA

Em tempos em que o professor é apontado como “doutrinador”, a Secretaria de Educação obrigou o governador de São Paulo, João Dória, a retirar um material, que seria entregue aos estudantes da rede pública do estado, com propaganda de autopromoção e ataque a adversários. Além de ser condenada pela secretaria, a atitude foi repudiada por professores.

Na cartilha de Língua Portuguesa e Matemática do 5º ano, havia um texto de associação explícita ao nome de João Dória a um programa governamental (forma de propaganda). Seguindo o texto, em uma das perguntas formuladas com base no material fornecido, além de ler o excerto propagandista, o estudante seria levado a responder o questionamento com o nome do governador.

Questão do texto fornecido sobre a relação do governador com o programa “Respeito a Vida”. A resposta para o exercício seria o nome de João Dória.

De acordo com professores do estado, outro problema foi percebido: o material de Ciências Humanas envolvia a reprodução um texto de um blog da internet, com claro posicionamento político conservador. O texto referia-se ao ano de 2011, a transposição do rio São Francisco e fazia alusão ao Partido dos Trabalhadores logo no título “Um Pecado Petista”; o material produzido aprestaria um raso juízo de valor sobre questões políticas e classificava o PT, por exemplo, como populista – sem colocar, no mesmo espaço, outro texto que apresentasse novos pontos e fizesse o aluno a pensar e construir seu próprio posicionamento.

A APEOESP, sindicato dos professores da rede estadual, alega que os educadores são acusados de “doutrinamento” ideológico em sala de aula. No entanto, afirmam que quem impõe uma doutrina é o próprio governo do estado de São Paulo (personificado na pessoa de João Dória).

“Isso não passa de uma farsa e de uma mentira. Primeiro, porque os professores cumprem seu papel de formar crianças e jovens para a cidadania, para o mundo do trabalho e para a vida, com os princípios definidos pela Constituição e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: a liberdade de ensinar e aprender e a pluralidade de ideias e concepções pedagógicas. Segundo, porque nossos estudantes não são, de forma alguma, uma tabula rasa ou uma folha em branco na qual o professor possa inscrever o que bem entende”, notificou a APEOESP.

Edição: Eduarda Schuh