Coluna: Os Antípodas — Os alquimistas estão chegando

Alan Mortean

Contam-se muitas histórias sobre os alquimistas. Eles, supostamente, foram os precursores da química atual; buscavam, com seus experimentos, o elixir da vida que lhes propiciaria viver para sempre, e a pedra filosofal que transformaria qualquer metal em ouro. 

Mas, antes de encontrar a pedra filosofal e o elixir da vida, você precisa realizar uma jornada de autoconhecimento. Para isso, instinto e intuição são professores poderosos, como disse J. C. Jenkins, e como mostra Paulo Coelho, no livro “O alquimista”. 

Falando em autoconhecimento, reflitamos: “o que eu faço com meu cocô e xixi diários? ”, “Para onde eles vão depois que eu dou a descarga?”, “Será que eu estou ajudando a poluir o meio ambiente?”. E pra quem vive em Ourinhos: “Será que eu estou ajudando a poluir o rio Paranapanema e o Rio Pardo a cada descarga?”. 

“Como não se extinguiriam, se o líquido que lhes dava a vida era o mesmo onde cagavam?”

Segundo GTZ, um órgão do governo alemão, 90% do esgoto gerado no mundo não recebe tratamento. No Brasil, cerca de 50% do esgoto gerado recebe algum tratamento. Em Ourinhos, o site da SAE (Superintendência de Água e Esgoto) não está atualizado quanto a este tema, dizendo que o sistema de tratamento de esgoto do município não era adequado (ou seja, polui) e que em 2013 havia conseguido uma licença ambiental para a construção de uma estação de tratamento de esgotos para o Rio Pardo. 

Sempre escutamos que cocô e xixi são sujos, ruins, maus, né? Mas talvez haja um outro lado para esta história. Pergunte a um praticante de urinoterapia, ou a alguém que trabalhe com saneamento sustentável. 

Nossos excrementos são grandes fontes de nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos como NPK, que são os principais nutrientes que as plantas usam para seu desenvolvimento. Se despejamos esses nutrientes em um rio, eles são poluição. Mas se os colocamos na terra, eles geram vida. 

Mas como fazer isso? 

O primeiro passo no caminho para a sustentabilidade passa por uma mudança de paradigmas: parar de enxergar Lixo e começar a enxergar Recursos. 

Que tal começar parando de cagar na água que você toma? Hoje, Ourinhos toma a água do Rio Pardo, onde Santa Cruz do Rio Pardo cagou, e caga na água que Salto Grande bebe. Essa é a regra no mundo, com nossos sistemas de saneamento utilizando água para carregar urina e fezes para longe. Imagine um alienígena visitando nosso planeta, como ele reagiria ao saber disso? 

A alquimia contemporânea também requer uma jornada de autoconhecimento, e uma grande mudança de paradigmas. Nossa pedra filosofal é a transformação de cocô e xixi em vida! 

Você também quer ser um alquimista? Comece seu caminho de autoconhecimento e fique atento aos textos desta coluna. 

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