Editorial: Os Chiuauas de Lucas Pocay

Na última quarta-feira (29/03/2016), o jornalista Luis Galletta, colaborador e parceiro do Jornal Contratempo, publicou reportagem que mostrava a prática de nepotismo cruzado entre José Renato Pietroforte Costa, filho do prefeito de Piraju, José Maria Costa, e a bióloga Natália Latansio de Oliveira, sobrinha do Chefe de Gabinete de Lucas Pocay, Jefferson Nogaki de Oliveira.

Diante da gravidade da denúncia, uma administração séria poderia esclarecer a sociedade sobre um eventual caso de homônimo ou de competências extraordinárias. Até mesmo a necessidade de alianças políticas externas seria uma explicação melhor do que adotada pela imprensa chapa branca de Pocay.

Ao partir para ataques pessoais contra Galletta, a imprensa chapa branca deixou claro que não existe justificativa razoável para esta prática de nepotismo e quanto a sua veracidade, pois no livro “Como vencer um debate sem precisar ter razão”, Arthur Schopenhauer explicita a motivação dessa estratégia retórica: a falta de argumentos!

 

“38 – ÚLTIMA ESTRATÉGIA

Como último recurso, parta para o ataque pessoal.

Quando se percebe que o oponente é superior e que vamos nos dar mal, então devemos partir para o lado pessoal, ser ofensivos e rudes. Isso significa sair do assunto da discussão (porque ali o jogo está perdido) e atacar de alguma maneira aquele com o qual se disputa é a última esperança. Isso pode ser chamado de argumentum ad personam em oposição ao argumentum ad hominem, que se afasta do assunto completamente objetivo para se ater ao que o oponente tenha dito ou admitido em relação ao assunto. Mas ao ir para o lado pessoal, abandona-se o assunto completamente e os ataques são direcionados à pessoa do oponente: a pessoa então será sujeita a humilhações, maldades, afrontas e grosseira “

 

Arthur Schopenhauer

 

Como previsto por Schopenhauer, o venal órgão de imprensa chapa branca não apresentou um único argumento para justificar a prática de nepotismo cruzado entre as prefeituras de Ourinhos e Pirajú.

É gravíssimo que o Poder Executivo se negue a prestar esclarecimentos de forma madura e responsável ou tome medidas para se ajustar aquilo que se espera de uma administração democrática e proba.

A história fica ainda pior quando lembramos que a falta de transparência tem sido a tônica da gestão Lucas Pocay. Enquanto nega o reajuste da inflação aos funcionários da PMO, não disponibiliza de modo prático o Relatório Resumido de Execução Orçamentária e Relatório de Gestão Fiscal conforme determina a Lei de Responsabilidade Fiscal*.

A hipocrisia é tamanha que aquele jornal esquece que ele próprio apoiou Belkis até recentemente, mas que mudou de lado na pretensão de continuar se valendo das benesses dos cofres públicos. Esquece que dois importantes assessores da Prefeitura, Felipe Chamorro e José Luis Martins (este um grande profissional), atuaram como jornalistas antes de assumirem seus cargos públicos. O que sugere a imprensa aliada a Pocay? Que ambos abandonem suas carreiras após a temporada nos cargos públicos?

É importante que se diga que o Jornal Contratempo não recebe e não quer receber dinheiro público. Isto nos permite uma independência que o leitor não verá na imprensa patrocinada pelo dinheiro do povo.

O desconhecimento da  profissão de jornalista é tão grande que esquece que jornalistas famosos como Carlos Alberto Sardenberg trabalhou no Governo Sarney, como Ribamar Oliveira que trabalhou no governo Itamar, como Cláudio Humberto que trabalhou com Collor e que Alexandre Garcia foi porta-voz do General Figueiredo.

A falta de competência jornalística é tão grande que sequer checaram que Luis Galletta jamais trabalhou na Prefeitura durante a gestão Belkis.

A atuação pretérita no poder público não desabona ninguém e o rigor da verificação dos fatos pode ser mantido plenamente. Este Jornal Contratempo inclusive defende a transparência de informar ao leitor as preferências pessoais, políticas e ideológicas, enquanto os fatos são mostrados de forma fidedigna.

Lucas Pocay deveria ter uma assessoria de imprensa de alto nível, informando ao cidadão aquilo que é importante da gestão pública e corrigir tempestivamente os desvios de rota. Mas, infelizmente, prefere utilizar a imprensa aliada para desviar o foco e tentar proferir ofensas descabidas.

Muito mal, prefeito!

Certa vez Abraham Lincoln afirmou: “Você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”.

Lucas talvez ache que possua pit-bulls. Mas pelo nível da argumentação, que não resistirão quatro anos, não passam de chiuauas que latem muito, mas não assustam e nem dão segurança a ninguém.

Se Lucas Pocay não mudar a postura de sua gestão, a melhor coisa que poderá acontecer será um fim de governo melancólico. Mas ainda há tempo para um pouco de republicanismo e dignidade no cargo.

*Após publicado este editorial, verificamos às 22h43 de 03/04, que a PMO publicou os referidos relatórios. Desta vez, parabenizamos a gestão. É isso que se espera do gestor publico. Erros acontecem, mas devem ser corrigidos o mais rápido possível. Ainda resta o cumprimento do §3º do art. 48 da LRF, mas já é um avanço notar a publicação das contas no site da PMO.