Pelas redes sociais, grupos conservadores mobilizam-se e organizam “ato contra o aborto” em Ourinhos

Enquanto mulheres do Brasil e de outros países lutam para regulamentar o aborto legal e seguro, grupos conservadores manifestam seus posicionamentos contrários. Em Ourinhos, um ato está sendo organizado para este sábado. 

Os discursos carregados de preconceito e informações falsas sobre a descriminalização mostram-se fortes e atrasam ainda mais o fim da clandestinidade do procedimento e da mortalidade das mulheres que optam por abortar.

O folder mostra um exemplo da distorção feita pelos grupos conservadores. Na imagem, um bebê em estágio avançado da gestação representa a “luta à favor da vida”, enquanto, na verdade, a descriminalização regulamentaria o aborto apenas até o terceiro mês — estágio em que as estruturas do feto ainda não se formaram e a forma humana é irreconhecível.

Quem luta “contra o aborto”, luta apenas contra a sua regulamentação; e automaticamente, dá apoio à continuidade dos abortos clandestinos e à mortalidade das mulheres. É uma questão lógica, esses abortos não deixarão de acontecer.

Entender a causa da descriminalização não significa ser favorável ao ato do aborto ou uma forma de colaborar com que ele exista. Decidir a sua existência não é do poder da população, pois o aborto já é uma realidade — mesmo que de forma ilícita. 

A compreensão do aborto legal e seguro, no entanto, é apenas um ato de solidariedade às mulheres que têm sua morte sentenciada nas macas de clínicas clandestinas.