Por que o capitalismo é assassino?

Não se trata de pessoas que matam em nome de um sistema. Trata-se de um sistema que por si só é assassino.

Toda a química investida em nossa alimentação, em benefício da produtividade e do lucro, age em malefício à nossa saúde e nos mata, aos milhões, de câncer.

Todo o trabalho excedido à capacidade humana, ou insuficientemente condicionado à nossa adaptação, em benefício da produtividade e do lucro, age em malefício à nossa saúde e nos mata, aos milhões, de doenças derivadas do desgaste.

Toda a moda imposta ao mercado, em benefício da produtividade e do lucro, age em malefício à nossa saúde e nos mata, aos milhões, de depressão em decorrência de não nos encaixarmos em padrões determinados.

Todos os recursos naturais extraídos em excesso, incluindo animais e plantas, em benefício da produtividade e do lucro, agem em malefício à nossa saúde e nos mata, aos milhões, em decorrência do ambiente desarmônico criado em nosso planeta.

Todo o discurso meritocrático levado à instância econômico-social, em benefício da produtividade e do lucro, age em malefício à nossa saúde e nos mata, aos milhões, pela péssima sensação de incapacidade diante da vida e do afugentamento em caminhos obscuros.

Toda a grandiosa administração econômica farmacológica, em benefício da produtividade e do lucro, age em malefício à nossa saúde e nos mata, aos milhões, segmentando entre os vivos e os mortos por critério de poder aquisitivo.

Toda a grandiosa manobra econômica de exportação de gêneros alimentícios, em benefício da produtividade e do lucro, age em malefício à nossa saúde e nos mata, aos milhões, de fome, pois a distribuição desses gêneros se dará, a priori, por critério de poder aquisitivo.

Toda a casa mal instalada, com condições precárias até mesmo de saneamento básico, em benefício da economia pública e da política de contenção de gastos, em benefício da produtividade e do lucro, age em malefício à nossa saúde e nos mata, aos milhões, em consequência de doenças ou desastres. O que mantêm o capitalismo vivo são o fetichismo da mercadoria e a condição sócio-econômica idealmente favorável sempre pairando horizonte.

O primeiro se realiza até que logo se canse do brinquedo antigo e parte-se em busca do novo brinquedo lançado; a segunda se realiza permanente para um porcentagem mínima da sociedade e ora ou outra para uma porcentagem maior. – Porém tanto no primeiro quanto no segundo caso, temos uma das balanças da expectativa de vida.

Ganha o jogo quem possuí os recursos certos e que sabe utilizá-los com destreza. Quanto maior a riqueza financeira, menor a necessidade de destreza; quanto maior a miséria, maior a necessidade de sobrevivência, e é para esse fim que vai se canalizando naturalmente a destreza, não importando quantos caprichos possam vir a aparecer. Ou isso ou a morte.

Jota Carneiro é Professor de História e Escritor de contos e poesias