SAE abre sindicância contra coletores de lixo que reivindicaram por melhores condições de trabalho

No último mês, um processo de sindicância foi aberto contra os coletores de lixo da Superintendência de Água e Esgoto (SAE), acusados de infração disciplinar. A acusação, no entanto, atingiu somente os coletores que participaram das reivindicações pela regularização das condições de trabalho, no início de janeiro.

Sindicância é um processo administrativo pelo qual servidores são incumbidos de realizar uma investigação administrativa com o objetivo de esclarecer um determinado ato ou fato cujo esclarecimento e apuração são de interesse da autoridade que determinou sua instauração.

A dois meses e meio, a SAE e os coletores entraram em conflito porque os funcionários vinham trabalhando com a equipe reduzida pela metade e muito trabalho foi deixado para trás, gerando reclamações da população e pressão sobre a empresa e os trabalhadores da coleta de lixo.

Neste mês de março, os coletores foram questionados sobre o trabalho “deixado para trás” e apontados por infringir os artigos 146 (incisos I, III e IV) e 147 (incisos I e IV) do Estatuto dos Servidores Públicos de Ourinhos.

No diário oficial, as iniciais de 30 servidores foram citadas na sindicância. Segundo os funcionários, todos os coletores que se organizaram nas reivindicações de janeiro serão investigados pela responsabilidade na falta de coleta de lixo e por infringir os deveres do cargo exercido, sob o risco de perderem seus empregos.

Para os coletores, além de apresentar uma conduta autoritária contra reivindicações legítimas, a SAE está transferindo a culpa da falta de coleta de lixo para os trabalhadores. Ao invés de encarregar a responsabilidade sobre as falhas do serviço para a equipe de administração da superintendência que permitiu que a coleta trabalhasse com a metade da equipe.

A SAE foi procurada pela reportagem várias vezes, em diversos dias, mas não respondeu às perguntas.

 

 

Eduarda Schuh

21 anos e ourinhense de coração. Estudante de Jornalismo na UNESP de Bauru. Aspirante a jornalista há algum tempo. Buscando um caminho para um mundo mais justo há ainda mais tempo. Contra qualquer tipo de exclusão e elitização, escrevo para quem precisa entender. Feminista e progressista, procurando os erros e acertos.