Sem apresentar investigação e respostas, CPI da SAE é engavetada na Câmara de Ourinhos

Na última sessão da Câmara Municipal de Ourinhos, na segunda-feira, 16, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para a investigação de irregularidades na SAE foi engavetada pelos vereadores, com 5 votos contra e 11 a favor do engavetamento. O relatório final da CPI não encontrou nenhuma irregularidade na Superintendência de Água e Esgoto. No entanto, a conclusão foi tirada a partir de entrevistas com apenas dois funcionários da empresa: o superintendente Marcelo Simoni e uma funcionária, Edna Domingos – ambos ocupantes de cargos de confiança.

Quem foi contra e quem foi a favor do fim da CPI?

  • Contra: Vadinho, Dr. Salim Mattar, Flavinho do Açougue, Alexandre Zóio e Cícero Investigador.
  • A favor: Abel Fiel, Anísio Felicetti, Cido do Sindicato, Ari da Autoescola, Caio Lima, Carlinhos do Sindicato, Sargento Sérgio, Raquel Spada e Santiago.

Os vereadores a favor do fim da CPI afirmaram que não há motivos para continuar a investigação, pois nada de irregular foi encontrado pela comissão composta em fevereiro pelos vereadores Carlinhos da Lambo (PSC), Ari da Autoescola (PSC), Anísio Felicetti (PL), Alexandre Zóio (PRB), Carlinhos do Sindicato (PSB), Cido do Sindicato (PSD) e Sargento Sérgio (PRB).

“Sem essa história de aumentar CPI e fazer relatório […] o nosso superintendente disse que vai haver investimento na ETA até o meio do ano que vem e nesse período vai faltar água sim! Pode fazer quantas CPI quiser, não adianta ficar inventando conversinha e moda aqui não. […] não é vereador que vai botar água na sua casa”, afirmou Ari da Autoescola ao justificar o seu voto a favor do fim da CPI.

Para o vereador Vadinho, o voto contra a CPI é uma forma de proteger o prefeito, o superintendente da SAE e um “tapa na cara” da população.

“Nós (a CPI) ouvimos só um lado. Ouvimos só o que interessa para o prefeito municipal, só o superintendente e uma funcionária. Não ouvimos nenhuma das 400 pessoas que reclamaram de valores abusivos das contas. Nenhuma pessoa ouvida, nenhum funcionário da SAE […] nós precisamos dar uma satisfação!”, exclamou Vadinho.

A discussão sobre o final da CPI durou mais de uma hora na Câmara dos Vereadores. Em resumo, a base aliada da prefeitura afirmou não ver sentido na investigação e justificou diversas vezes: a falta de água é temporária e fruto das gestões anteriores, mas garantiram que a prefeitura está investindo na resolução.

Já os parlamentares que insistiram no inquérito questionaram as razões do prefeito, ciente dos problemas na SAE desde o início da gestão, ter priorizado outros investimentos e gastos. Além disso, defenderam mais investigação, em nome da transparência pública, para sanar dúvidas acerca dos cargos comissionados e sem especialização da SAE, do aumento nas contas e de mais detalhes técnicos e imparciais sobre as causas da falta de água em mais de 10 mil casas ourinhenses.

A CPI é um direito do povo e um dever do Poder Legislativo. O posicionamento de boicote a esta ferramenta demonstra contradição e deve ser questionado.