Uma visita ao Instituto Bourbon em Cambará: um exemplo de solidariedade e gratidão

Através do convite do Bourbon Hotéis e Resorts, representando o Jornal Contratempo, pude conhecer uma grande iniciativa e patrimônio da cidade de Cambará: o Instituto Bourbon de Responsabilidade Socioambiental.

Começo o meu relato expressando que quem conhece a entidade, fica encantado pelo lugar e pelas pessoas, é inevitável. Dá pra sentir o carinho de quem trabalha ali. Sem falar da estrutura e das possibilidades já oferecidas durante a história do Instituto; é um choque de realidade e um fôlego — principalmente, em consideração ao contexto brasileiro de desvalorização da educação e desprezo pelas situações de desigualdade.

Visita à Biblioteca Gutemberg — convidadas e funcionários do Instituto Bourbon e Escola Caetano Vezozzo.

Os 25 mil habitantes da cidade do norte pioneiro do Paraná, que fica a apenas 30 km de Ourinhos, receberam o Instituto Bourbon por um ato de solidariedade e agradecimento ao município. A intenção de ajudar e agradecer é do sr. Alceu Vezozzo, proprietário da rede de Hotéis e Resorts Bourbon — franquia com mais de 20 hotéis e 50 anos de tradição, no Brasil e em países vizinhos — e fundador da instituição.

Fui recebida no mais novo hotel da rede, em Cambará, construído para fomentar a economia da cidade e oferecer um local e estrutura adequados para hospedar pessoas e sediar eventos.

Recepção e faixada do hotel.

Por que Cambará? — Cambará foi privilegiada com o instituto em razão da ligação de Vezozzo com a cidade. Ele nasceu, cresceu e construiu seus princípios morais lá e, também, pôde conhecer as raízes dos problemas de estrutura e de desigualdade do lugar. Por isso, a disposição em se solidarizar e a responsabilidade em agradecer ao município.

A primeira história apresentada e explorada começou nos anos 90, quando o sr. Alceu, com o apoio da prefeitura e de outros parceiros, idealizou uma vila para acolher pessoas que não tinham uma casa para morar ou estavam em situação de extrema vulnerabilidade social.

No entanto, faltava uma coisa. As pessoas teriam casas… mas, e o caminho para a mudança de suas realidades em longo prazo? A educação foi a primeira resposta! E aí, veio a ideia de instalar uma escola no projeto.

Enfim, em 2002, a ideia se concretizou e 80 casas foram concedidas a 80 famílias, inaugurando o Conjunto Habitacional Rotary — nome dado em homenagem aos apoiadores do Rotary Club de Londrina e Cambará.  E junto ao bairro, a Escola Caetano Vezozzo foi inaugurada para as crianças da comunidade.

Hoje, a Caetano Vezozzo virou colégio e forma crianças e jovens em todos os graus do ensino básico, com qualidade, conforto e trabalhos de assistência social.

Ao longo dos anos, a escola se mantém e adquire recursos com a colaboração do governo estadual e do reforço do time Bourbon.

Casas da Vila Rotary ao fundo; imagem aérea da praça e complexo escolar do Instituto Bourbon. / Foto: Instituto Bourbon — Reprodução

A segunda parte da história socioeducativa construída pelo sr. Alceu Vezozzo é o momento oficial da criação do Instituto Bourbon de Responsabilidade Socioambiental, em 2013. A intenção do projeto era clara: dar continuidade ao que havia sido implementado até agora na cidade de Cambará.

A iniciativa começou com o financiamento e apoio a jovens ingressantes de cursos superiores, com a ajuda no transporte ou com o apadrinhamento no programa “Bom Aluno”.

O Bom Aluno foi um dos primeiros projetos da instituição e funcionava da seguinte forma: estudantes de destaque da comunidade eram patrocinados permanentemente por parceiros do Instituo Bourbon, enquanto concluíam os seus estudos e formação. Desta forma, dezenas de pessoas conseguiram concluir o ensino superior e transformar suas realidades.

O mais recente feito do instituto é a surpreendente Escola Profissionalizante Milton de Faria Ribeiro, inaugurada em 2017. A escola promove cursos profissionalizantes para os moradores de Cambará, em parceria com o Sistema S (Senai, Sesc, Sesi, Senac, Senar, Sescoop e Sest) e com o governo do estado.

Lá os cambaraenses podem se especializar em cursos de culinária, estética, informática, RH e muito mais. Tudo gratuitamente, com uma estrutura impecável, linda, humanizada e cheia de carinho. Lá, além de educar e profissionalizar, existe uma equipe de assistência social, que procura cuidar e assegurar os direitos fundamentais de quem passa por ali.

Escola Profissionalizante Milton de Faria Ribeiro / Foto: Reprodução Instituto Bourbon

Visitar este lugar mostrou-me de forma concreta o poder da transformação social feita pela educação, em coletividade e sem violência.

No meio de uma comunidade muito carente e vulnerável, um ambiente de preocupação e zelo trouxe perspectivas novas para pessoas que, pela condição de pobreza, não conheciam a importância da educação e nunca se sentiram incluídas e amparadas. Estar ali, com gente comprometida em fazer a diferença, mudou tudo para crianças e jovens que, muitas vezes, não tinham o que comer em casa.

Cambará é privilegiada pela atitude particular de uma pessoa de grande poder aquisitivo. Esta é uma exceção muito grande, tendo em vista os casos majoritários em que os mais pobres não são amparados, mas sim, explorados por empresas ou instituições, incluindo o Estado. Por isso, esta é uma história a ser contada e deve servir de espelho para quem quer se transformar e transformar outras vidas.

Durante a visita, eu e as demais convidadas que tive o prazer de conhecer, vimos um vídeo — link do vídeo — que assim como o meu relato, resume um pouco das ações do instituto. Com chave de ouro, o vídeo terminou com uma frase do mestre Paulo Freire. E com essa lição, termino também a minha forma de contribuir e contar a história de uma das iniciativas mais bonitas que já vi:

“Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo.”

 

Eduarda Schuh

21 anos e ourinhense de coração. Estudante de Jornalismo na UNESP de Bauru. Aspirante a jornalista há algum tempo. Buscando um caminho para um mundo mais justo há ainda mais tempo. Contra qualquer tipo de exclusão e elitização, escrevo para quem precisa entender. Feminista e progressista, procurando os erros e acertos.

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