Ourinhos finaliza março com alta em estatísticas de mortes por Covid-19

Dados preocupam a população e prefeitura não esclarece os fatos; produção de caixões se mantém na normalidade

 

Juliana Neves

 

De recorde em recorde, o Brasil está aumentando, diariamente, o número de mortos por Covid-19 em todo o país, sendo que 3.950 é a estatística mais recente, registrada no dia 31 de março deste ano. Um sinal que nos faz refletir até quando mais seres humanos irão morrer pelo contágio do coronavírus e quando que a vacina estará disponível para todos, para a massa populacional sem exceção.

Em análise mais estreita, via ângulo estadual, a realidade do estado de São Paulo também é de registro de recordes a cada dia que passa. Segundo divulgado no Estadão, no dia 30 de março, em 24 horas, o estado registrou 1.209 novas mortes por Covid-19 totalizando 73.492 mortes vítimas fatais da doença.

Com estes dados e informações divulgados pela Prefeitura Municipal de Ourinhos, todos os dias à noite, é possível constatar que a triste realidade não está tão distante de nós, afinal o município está sofrendo com a alta de casos e pela média de quatro a sete mortes por dia de Covid-19. O último mês, março, iniciou com 108 óbitos e 34 novos casos na cidade e finaliza com a média de 2.141 novos casos no mês e 174 óbitos, um aumento de 66 mortes em um único mês.

Diante do cenário, questionamos a Prefeitura Municipal via Secretaria de Comunicação sobre a ocupação do cemitério público: qual a estatística em um ano de pandemia, por dia e por semana sobre o aumento da ocupação no local, como estão sendo realizados o ritual de velório, bem como a proteção dos caixões e tudo que for necessário para se realizar o momento de despedida com respeito e cuidado, mas não obtivemos resposta.

É um cenário que causa estranheza e preocupação por parte da população ourinhense e que faz surgir dúvidas em relação a produção de caixões, objeto destinado para o sepultamento. Entretanto, é mais um questionamento não esclarecido pela prefeitura em termos públicos e os centros velatórios particulares afirmam não estarem em falta de caixões, mesmo com o alto registro de mortes por Covid-19 em Ourinhos e região.

“Não mudou nada, a produção de caixão continuou normal, é sensacionalismo o que estamos vendo nas grandes mídias. Claro que as mortes aumentaram, mas a questão de produção de caixões continua em sua normalidade. Estamos usando um pouco acima da média e não há fatores complicando o nosso estoque, temos capacidade de atender até quatro vezes mais que um mês normal. Sendo assim, atendemos 14 municípios da região e neste mês que finalizamos atendemos 24 mortos por Covid-19, aproximadamente, sendo 20 somente de Ourinhos. Fevereiro foi cerca de 15 e março foi atípico”, conta Marcio Carvalho, administrativo de centro de velatório particular de Ourinhos.

Por fim, Marcio informou que está permitida a realização do velório baseado em decreto municipal com o caixão lacrado e higienizado, com o corpo envolto de um plástico higienizado para depois ser colocado no caixão, permissão de no máximo dez pessoas no local com máscara e distanciamento com a duração de duas horas de velório. “E o velório público também está liberado fazer o ritual de acordo com as regras de prevenção à saúde, mas é a prefeitura que não faz”, conclui o administrativo.

Juliana Neves

Escrevo com a intenção de mudar o mundo ofertando a verdade para a sociedade. Mas a luta é diária e constante, realmente, vivendo e aprendendo e tendo o jornalismo como meu aliado.