Alunos questionam professora sobre o corte de árvores da escola estadual Maria do Carmo Arruda da Silva

A professora foi impedida de protocolar o seu pedido que solicita a justificativa sobre o corte de árvores para a diretoria

 

Juliana Neves

 

Professora da escola estadual Maria do Carmo Arruda da Silva, em Ourinhos, foi questionada pelos alunos sobre os cortes de árvores realizados na frente, lateral e no interior da escola. A profissional elaborou um documento, como membro do Conselho Escolar da instituição de ensino, que solicita para a diretoria a justificativa para o corte das árvores, mas não obteve sucesso.

Em janeiro deste ano, foi realizada uma reunião do conselho que a professora não participou e estava em pauta o assunto sobre os cortes de árvores, conta um morador do bairro que é ligado à escola, que terá sua identidade preservada por motivos pessoais.

No interior da escola, há um espaço entre os corredores com terra no estilo jardim de inverno que foi explicado pela diretoria que haveria uma ação de remodelação no local com plantio de algumas plantas e instalação de bancos para os alunos.

“Eu moro próximo a escola e durante o período de aula remoto escutei vários barulhos de equipamentos e motosserra em alguns dias, desconfiei que poderiam estar cortando as árvores. Sei que algumas haviam sido plantadas rente a calçada e já prejudicavam a estrutura da escola, mas a maioria não precisava. Quando voltou as aulas presenciais, foi quando fiquei sabendo de que algumas árvores estavam no talo e outras haviam sido cortadas por inteiro, inclusive o abacateiro que fazia sombra para a sala de aula e a árvore de Ypê. Foram cortadas seis árvores, aproximadamente”, conta a professora.

O morador do bairro também relata que no segundo dia de aula presencial, iniciada neste mês de agosto, autoridades uniformizadas no estilo de Tiro de Guerra (TG), mas não são do TG, estiveram presentes na escola em razão de uma denúncia anônima sobre os cortes de árvores. Neste dia, a dirigente escolar acompanhou essas pessoas durante o processo de inspeção no local.

“Uma professora da escola elaborou um documento para solicitar o motivo dos cortes das árvores e a ata da reunião do conselho em janeiro para ler, a profissional iria protocolar o pedido na secretaria. Mas descobriu vice-diretor que não era mais um membro do conselho. A diretoria tirou a professora do conselho sem avisá-la. E como foi feita uma denúncia anônima sobre o corte de árvores, a professora resolveu não fazer mais nada. Mas sei que a bronca dela com as árvores é pela sujeira das folhas, a professora está sem resposta até o momento e não sei se estes cortes têm nota fiscal, porque eu sei que não foram feitos pela prefeitura”, finaliza o morador.

Rafael Cortez, ambientalista, explica que cerca de dois meses atrás viu uma árvore sendo cortada no local da escola e que, aparentemente, estava tudo certo com a planta. “Não tenho certeza, mas tem um reparo na calçada e me parece que a árvore estava localizada neste ponto. É um reparo que não é novo, já estava encardido e acho que, realmente, foi abatido uma árvore neste ponto. Provavelmente, a reposição da árvore não foi executada, atitude que aumenta o déficit da natureza. Inclusive, a Prefeitura Municipal de Ourinhos tem o costume de retirar árvores de diversos pontos do município sem justificativa plausível e, às vezes, realiza o replantio em outro local, com falhas e não faz manutenção da muda, e outras vezes não. De modo geral, é preciso cortar somente as árvores que estão prejudicando em algum sentido e realizar a compensação em outro ponto da cidade, caso contrário pode ser realizada só uma poda para manter a saúde da árvore”, finaliza Rafael.

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