Prefeitura assume rodízio de abastecimento de água

Crise hídrica atinge a cidade de Ourinhos, prefeitura responde através de nota

Após muitas reclamações dos ourinhenses nas redes sociais e conversas cotidianas a prefeitura resolveu assumir que a cidade vive sob um rodízio de abastecimento de água. Postagens no Facebook de munícipes indignados e cobrando respostas do poder público reclamavam da falta de água constante em suas residências, prejudicando o cidadão nos seus afazeres diários.
O problema foi observado em vários bairros, Anchieta, Matilde, Nova Sá, Centro, Santa Fé, Nova Ourinhos, entre outros. Os prejudicados afirmam que na maioria dos casos a falta de água ocorre em horários estabelecidos, por exemplo, em alguns bairros ocorrem somente no período da noite, dia sim dia não, somente de tarde, etc. O que leva a uma conclusão que a falta d’água não é um problema casual e sim uma crise sistêmica.
Após intensas reclamações o prefeito divulgou em suas redes uma resposta onde abordava o problema colocando a culpa em gestões passadas que não fizeram investimentos, afirmando que o problema já vinha desde a década de 1970. A crítica porém atinge também as gestões Claury Alves da Silva e Claudemir Alves da Silva, respectivamente seu pai e tio que estiveram à frente da prefeitura neste período. Além de publicar uma fotografia de uma dona de casa lavando a calçada e criticar o desperdício no uso da água com atividades domésticas, a nota informava que o Executivo municipal estudava aplicar multas em que fosse pego praticando tais atividades.
Em uma segunda nota disparada através do aplicativo WhatsApp, o problema da crise hídrica era tratado com maior aprofundamento e assumindo categoricamente que a cidade vive sob um rodízio de abastecimento água, como não há falta de água nos mananciais e o regime de chuvas está normal, o problema de abastecimento de Ourinhos é de gestão e falta de investimentos. A nota afirma ainda que a SAE tem um plano de ação para o enfrentamento da crise que assola a cidade.

Abaixo segue as nota duas notas emitidas pela prefeitura.

 

Nota 1 (18/12/2018)

SE A POPULAÇÃO NÃO SE CONSCIENTIZAR, FICARÁ DIFÍCIL
Veja a foto tirada no dia de hoje (18/12) da senhora lavando a calçada tranquilamente, sem pressa.

Prefeitura estuda multar quem for flagrado lavando calçada ou quintal com água potável.

ONU diz que cada pessoa deveria gastar 110 litros de água por dia. Em 15 minutos, usando a mangueira, são jogados fora cerca de 300 litros de água.

Em todo o Brasil, mais de 860 municípios estão em situação de emergência por causa da seca. Na cidade de São Paulo, que nos últimos anos enfrentou um forte racionamento, a prefeitura está multando quem for flagrado lavando calçada, carro ou quintal com água potável.

Em Ourinhos, a falta de investimento de gestões passadas fez estourar mais uma bomba para a gestão do Prefeito Lucas Pocay.
“Estamos enfrentando e iremos resolver mais este problema arrastado desde a década de 60.
Se cada um fizer realmente a sua parte, principalmente neste calor, teremos um retorno coletivo. E não é só para as pessoas, mas também para o meio ambiente”, Lucas Pocay.

 

Nota 2 (21/12/2018

ENTENDA SOBRE A ÁGUA EM OURINHOS
SAE afasta necessidade de racionamento; Prefeitura anuncia investimentos para acabar com a falta d´água

O Superintendente da SAE (Superintendência de Água e Esgoto) de Ourinhos, Marcelo Simoni Pires, afasta a possibilidade de racionamento de água na cidade e destacou algumas medidas anunciadas pelo município para normalizar o abastecimento. A Prefeitura de Ourinhos está atuando em diversas frentes para solucionar o problema antigo de falta de água na cidade.

Entre as principais ações para lidar com a questão estão a medição da totalidade de perda de água com investimento na eficiência na rede de distribuição, ampliação do número de filtros para modernizar a distribuição, além da instalação de novos poços de captação e melhora na gestão dos já existentes. Além disso, uma campanha de conscientização constante para alertar a população sobre os prejuízos causados pelo desperdício de água. Lembrando ainda a obrigatoriedade de toda residência ter sua própria caixa d’água com a ligação nos chuveiros e torneiras, amenizando as situações de falta.

Lavar calçadas e carros ainda são cenas comuns em Ourinhos.
“Não há que se falar em racionamento. Racionamento é implantado quando não se tem água nos mananciais, o que não é o caso. O Rio Pardo tem vazão mais que suficiente para atender a necessidade atual e futura. O que ocorre há muito tempo é que a Estação de Tratamento foi construída em 1962, e sem nenhuma melhoria ou ampliação até hoje, ou seja, está trabalhando sobrecarregada e muito acima de sua capacidade nominal”, diz Marcelo Pires.

Ele explica que a Estação de Tratamento utiliza um volume muito grande de água tratada para lavar e limpar os filtros, e que poderia ser utilizada no abastecimento. “Mas sem limpar os filtros a estação para”, diz. “A água tratada, que sobra, armazenada nos reservatórios da Estação não consegue ser enviada para consumo, na vazão necessária, devido deficiência no sistema distribuidor composto por redes antigas e saturadas, há muito sem investimentos.”

No verão, fala Marcelo, a situação se agrava, pois o consumo aumenta. A única medida que pode ser tomada, e que já vem sendo implementada pela SAE é a prática do rodízio distribuindo a água em parte do dia, mas todo dia. “Quem possui caixa d’água, que é obrigatório por lei, quase não percebe a falta. A situação deve persistir durante o período das temperaturas altas”, informa.

Marcelo ressalta que o problema da falta de água não surgiu recentemente, mas é reflexo de uma rede de distribuição antiga, que não foi ampliada de acordo com o crescimento da população. A primeira ação a ser realizada para acabar com a falta d’água em Ourinhos é a medição da totalidade de água perdida nos vazamentos da rede de distribuição. “Servidores antigos relatam que dos 100% que é captado de água, cerca de 60% se perdem por conta de inúmeros vazamentos existentes, exatamente por conta da estrutura antiga que a rede possui.”, explica.

Tendo controle de perda, o próximo passo é ampliar o número de filtros, que utilizam cerca de um milhão de litros de água para a manutenção dos mesmos. Por fim, uma terceira medida que deve ser adotada pelo Poder Executivo é a instalação de novos poços e a melhoria na gestão dos já existentes. “São atitudes a curto e médio prazo, mas que terão um impacto significativo numa questão que foi arrastada por tanto tempo. A falta de água não é de dois anos, é de décadas, mas estamos trabalhando para solucionar mais este problema herdado de outras gestões.”

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Rafael Dantas

Editor e fundador do Jornal Contratempo, geógrafo e entusiasta da mídia colaborativa.