Após 5 anos, Lei Brasileira de Inclusão não é respeitada

Por Jaci Guimarães

Os brasileiros que têm algum tipo de impedimento de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, conquistaram em 2 de janeiro de 2015 um valioso instrumento no que diz respeito à acessibilidade, permitindo assim uma melhor interação com o meio físico no qual está inserido, o que se reverte também em prol da sociedade como um todo. Nessa data, entrou em vigor a Lei Brasileira de Inclusão, ou simplesmente LBI, sancionada em 6 de julho de 2015, com a Lei 13.146/15.
Essa lei estabelece uma série de regras para atender essa fatia da população, e ratifica os compromissos assumidos na convenção da ONU de 2008, relativa aos direitos das pessoas com deficiência. Não obstante esses cidadãos já terem garantia na legislação brasileira antes mesmo da existência da LBI.
Vale citar o Decreto federal 5.296, de dezembro de 2004, que disciplinou as regras de construção para a execução de projetos que atendam essa demanda, cujos fundamentos técnicos se encontram normatizados pela NBR-9050 (Norma Brasileira de acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Sendo assim,ressaltamos o artigo 10, que determina que “a concepção e a implantação dos projetos arquitetônicos e urbanísticos devem atender aos princípios do desenho universal, tendo como referências básicas as normas técnicas de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnica (ABNT), a legislação específica e as regras contidas neste decreto”.
Deixando claro, que o desenho universal tem como objetivo definir produtos e serviços para serem usados por todos, tendo sete princípios de acessibilidade, que são: princípio igualitário ou do uso equiparável; princípio do adaptável ou do uso flexível; princípio do óbvio ou do uso simples e intuitivo; princípio do conhecido ou da informação de fácil percepção; princípio do seguro ou do tolerante ao erro; princípio do sem esforço ou do baixo esforço físico e o princípio do abrangente ou da divisão e espaço para aproximação e uso.
Também já era obrigatória a aplicação da acessibilidade em todos os procedimentos e etapas dos projetos, além de determinar que essas exigências sejam seguidas para a concessão ou renovação de alvarás, assim como para concessão de “habite-se”. Isso alguns municípios já tinham anteriormente, como o caso de São Paulo, a maior cidade brasileira, que desde 1993 exige acessibilidade em edificações com fluxo de pessoas, como bancos e locais de reunião.
Esses princípios legais reforça a necessidade de criação de um ambiente integralmente acessível. A entrada em vigor da LBI contempla a necessidade de adequação dos ambientes das edificações às exigências das normas técnicas e das legislações sobre acessibilidade, e não mais somente aos edifícios novos ou àqueles submetidos à reforma, como previa a legislação até então existente.
A legislação obriga, por exemplo, na questão da acessibilidade na hotelaria, cujos estabelecimentos terão prazo de 24 meses para anteder às exigências legais. Além disso, eles terão que disponibilizar mínimo de 10% de seus dormitórios acessíveis, garantindo uma unidade pelo menos, assim como os projetos de edifícios corporativos, de serviços e industriais, cujos projetos terão como elemento primordial que as pessoas como deficiência tenham direito ao trabalho livre, em ambiente acessível e incluso. Entretanto, especialistas apontam que a grande mudança é cultural, começando pela concepção e projeto dos espaços urbanos, assim como a conscientização das novas gerações para a compreensão sobre a importância dessas questões.
Você nota que isso não se aplica no município de Ourinhos, começando com o prédio da prefeitura,que deveria partir de lá o exemplo?
Podemos chamar de uma gestão inclusiva?
Pense e não contribua para exclusão existente.

* Jaci Guimarães é representante da Associação de Defesa das Pessoas com Deficiência de Ourinhos

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