Bolsonaro cria seu incêndio no Reichstag

 

Em 27 de fevereiro de 1933 ocorreu o incêndio no Reichstag ( Parlamento Alemão). O prédio em chamas causou indignação junto a sociedade alemã. Hitler estava recém-empossado no posto de chanceler do Reich e os nazistas não detinham a maioria parlamentar. Os nazistas liderados por Hitler acusaram os comunistas de incendiar o Parlamento, que pretendiam desestabilizar a Nação Alemã, causar tumultos e subverter a ordem social.

Considera-se o incêndio no Reichstag o marco da escalada nazista ao poder. O restante da História o mundo conhece.

A História se repete !

Líderes de índole autoritária desprezam vozes dissonantes, as instituições que freiam seus ímpetos autocráticos e ao fim e ao cabo a própria democracia. Extremistas repelem o diálogo e o contraditório.

Hittler e Bolsonaro assemelham-se no mais visceral desapego à democracia e a dialogar com os contrários. Aliás, os contrários são os inimigos a extirpar. São portadores de discursos virulentos, adotam a violência como método de prática política e insuflam seus seguidores com inverdades no mais indecente e mesquinho maniqueísmo na infame luta do bem contra o mal.

Está mais claro do que a luz solar que Bolsonaro incorreu em crime de responsabilidade – atentar contra os Poderes da República. Bolsonaro escuda-se ao justificar que a convocação se deu em ambiente de rede social privada, após, justifica-se, ao se referir que vídeo convocatório remonta ao ano de 2015.

É sabido que Bolsonaro elogia e flerta com ditaduras e ditadores.

Bolsonaro não atende a liturgia do cargo que ocupa. A opinião pessoal do Chefe do Executivo confunde-se com seu ocupante, e por isso se responsabiliza por seus atos.

A combalida e frágil democracia brasileira, jovem em termos históricos, construída por meio de um pacto oligárquico em 1985, sofreu duro abalo com um arremedo de processo de afastamento viciado, diante da conjuração da mídia oligopolista, Parlamento e setores do Poder Judiciário, de uma Presidente legitimamente eleita. A disfunção institucional criada por este ambiente foi o rebento da liderança neofascista que ocupa o chefia do Executivo.

Urge a construção de uma frente política do campo democrático e progressista da sociedade, de modo a cessar a volúpia autoritária do tosco capitão. A composição da frente democrática, de amplo espectro político, deve sustentar-se da esquerda ao centro democrático, superar divergências ideológicas e promover a defesa da democracia.

Jefferson Lima é advogado e Procurador Legislativo