O artista da fome

Por Daiane Almeida

 

E dançando a beira do abismo flerta o artista da fome
Esfomeado por sentimentos vivos, por seres vivos
Que não aplaudam, que não sorriam, mas que questionem sua existência

O artista contemporâneo efervescente é urgente
A arte sempre gritou, mas agora ela tem que lutar
Lutar pra mostrar aqueles que estão dormentes pela resignação
Que o fim da vida está no começo do não se importar.

A arte não agoniza, ela está mais viva do que nunca
Ela cresce aonde menos se investe,
porque a vida não se compra, ela não se mensura,
nem se pode aprisionar.

E emergente é a nossa forma de se expressar
Em tempos de desinteresse, mostrar o que sente
É resistir a moda mais estúpida que já houve
Hoje é chique ser ocupado e não responder,
Ser indisponível, aprender a não ver.

As pessoas estão gritando por atenção,
Por reciprocidade, em seus sorrisos online.
Somos muito mais parecidos em espécie,
Que a individualidade capitalista possa querer nos individuar.

A arte grita, porque vocês entupiram seus ouvidos de músicas vazias,
De materialidades caras e frias, de prestações e dívidas,
Para pagar um padrão apresentável que diga, esse venceu na vida!

Chega, olhem para o chão, tem sempre gente deitada nele.
Olhem para os bares das vilas,
tem sempre gente esgotada de beber porque a vida perdeu o sentido.
Porque cantaram em seus ouvidos,
que a vida só tem o valor que se pode comprar.

A arte de consumo, essa merda toda que vocês comercializam,
Isso mata a vida, irmão, irmã, vamos olhar nos olhos daqueles que falamos,
Vamos ver que a arte transcende os sentimentos engolidos,
traz arrepios em camadas de peles que não sentíamos,
A arte movimenta vísceras antes dormentes, a arte não te adormece.
Ela te acorda para ver a vida, vida que não pode ser vendida,
essa que todos ganham ao nascer.

*Daiane Almeida é professora de Filosofia e poeta

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