Local é mais legal, e mais difícil

Por Eduardo Devai*

 

Salve povo! Saudades de sentar num boteco né? Tomar uma gelada com a galera? Quem não tá né? Essa onda de isolamento e distanciamento social tem provocado mudanças que estão se tornando cada vez mais o novo-normal.

Nessa onda, as cervejarias artesanais tem inovado para garantir seu lugar no mercado durante esta pandemia. As mudanças mais comuns tem sido o aumento das vendas online e dos serviços de entregas. No entanto, porém, como fica para os micro-cervejeiros artesanais?

O paneleiro, o de casa, o cigano, o sem MAPA, o que produz lotes pequenos com o sonho de levar suas receitas e toques especiais para seus amigos e vizinhos?

Os  entraves para o crescimento das micro-cervejarias acabam por limitar as possibilidades de cervejas que temos disponíveis.

Claro que grandes redes de supermercados oferecem uma grande variedade de rótulos, porém que estão cada vez mais se fundindo a grandes conglomerados de bebidas.  Porém quais são mesmo as principais dificuldades do produtor local?

Barba não é um requisito para ser cervejeiro!

Primeiramente o acesso a matéria-prima e insumos. O Brasil não é um grande produtor de cevada, trigo e lúpulo – recursos básicos para a produção de cerveja. Sendo assim acabamos por importar grande parte da nossa demanda. Flutuações no dólar acabam piorando essa situação, tornando os produtos estrangeiros mais caros.

Depois tem o custo de investimento para a produção em maior escala. De fato a produção caseira de cerveja é uma atividade bem barata em pequenas escalas, porém a produção de uma litragem maior exige maiores investimentos – entrando já em um modelo semi-industrial.

Para superar este entrave alguns cervejeiros optaram por serem ciganos. Cigano? Como assim? Se você tem a receita daquela cerveja incrível que fez, você leva esta receita para uma cervejaria de maior porte – já com todos os equipamentos e licenças necessárias. Lá a produção será feita e repassada a você com o seu rótulo.

É uma alternativa muito comum usada por micro e pequenos cervejeiros que mantém uma litragem baixa, porém comerciável. Uma das vantagens de ser cigano está ligada ao famoso MAPA. Registro necessário no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é um tema legal para discutirmos.

Ter o registro representa um custo ao produtor cervejeiro. Em troca garante ao consumidor um controle sanitário rigoroso.

Pra você leitor e consumidor, isso é relevante? Ou acredita numa maior liberdade de venda e consumo?

Essa é apenas uma pincelada nos problemas das cervejarias de micro e pequeno porte. Seja qual for a sua posição sobre os problemas que apresentamos aqui, valorize o cervejeiro. Seja sincero sobre o que acha da cerveja dele. Compre.

Divulgue boas cervejas e sempre, acima de tudo, apoie a produção local – por mais clichê que isso pareca.  Nas próximas matérias falaremos mais sobre os cervejeiros artesanais de Ourinhos e região. #ourinhostemcerveja

* Colunista

Eduardo Devai

Eduardo Devai é professor de Geografia na rede pública e privada e psicopedagogo e aficionado em cervejas.