Preso, morto ou ter a vitória, que futuro intermitente

Sábado, dia 28 de agosto, Bolsonaro afirma, num encontro de líderes evangélicos, que existem três alternativas para seu futuro: ser preso, morto ou ter a vitória. De todas as opções a que mais me deixa intrigado é o ser preso. Então agora já não fala que não cometeu nenhum crime? Estará finalmente assumindo todos os erros, todos os crimes cometidos e praticados por si e por seu governo, bem como por sua família? Não é para qualquer família a capacidade de comprar ou alugar em tão pouco espaço de tempo duas casas caríssimas, uma no valor de 6 milhões de reais e a outra no valor de 4 milhões de reais.

Não vou falar de mais crimes cometidos ou suspeitas de crimes. Deixo somente no ar o preço da gasolina, o preço dos alimentos, enfim, uma panóplia há muito tempo inexistente no nosso país.

O que falar então do preço da luz? Os defensores virão falar que é culpa da baixa altura dos rios, da falta de chuva. Mas até neste quesito o governo Bolsonaro mostrou a sua total inaptidão para governar. Somente no dia 21 de junho, o governo assumiu, através do ministro de minas e energia, em tv que estávamos enfrentando uma crise hídrica. Desde maio, e atrevo-me a dizer antes mesmo sendo desde o início do ano, que o governo sabia que íamos chegar a este ponto. Pensou que as chuvas de primavera dariam algum conforto. Mas o pato é sempre pago pelo povo.

Falando em arcar com as consequências, veja-se a desgovernança praticada por Guedes. O homem não sabe o que está fazendo, não sabe mesmo, são decisões erradas atrás de decisões erradas. Isto porque o governo é liberal. O povo não tem poder aquisitivo, não consegue respirar direito, vive sufocado. Vamos esperar pelo dia 7 de setembro para ver o que vai acontecer. Não acredito que tenha muitas pessoas nas ruas apoiando o governo. Tenho escutado que empresários que vão bancar transportes para as pessoas irem para São Paulo, normal que assim seja, ao preço a que está a gasolina. Não deve faltar muito para acabar o apoio dos evangélicos ao governo, assim que o dízimo começar a diminuir fruto do galope que a inflação está atravessando, esse apoio tresloucado, desvairado vai-se esvair no céu que nem uma bexiga perdendo o ar e voando sem rumo certo. O tempo o dirá, se tenho ou não razão. Veremos.

Ah e não esqueçam que no churrasco de família não é para comprar feijão, está caro, comprem fuzil. Fuzil é o que os vossos filhos precisam em casa, é o que precisamos no trânsito, mais do que feijão. Aliás para quê comprar feijão? Ao preço a que está o gás é preferível deixarmos de alimentar nossos filhos, é preferível comprarmos fuzis por forma a que as pessoas se comecem a matar, com isso não passam fome e os dados da miséria, da pobreza e da fome mudam drasticamente de forma proveitosa para o governo. Infelizmente, é este o governo que temos, mas acreditem, não foi falta de aviso, desde a destituição de Dilma que falo que é golpe e que foi tudo orquestrado para a burguesia voltar a reinar e não ter pobres do seu lado.

Faz-me lembrar a Revolução dos Bichos, fábula que se encaixa em qualquer sistema totalitário, mesmo com 75 anos de existência permanece atual. George Orwell escreveu o livro entre fins de 1943 e 1944, em que fazia uma sátira contra a ditadura de Stalin na União Soviética.

Acredito que muitos não conheçam a galinha de Hitler, de um autor desconhecido. Em uma de suas reuniões, Hitler pediu que lhe trouxessem uma galinha. Agarrou-a forte com uma das mãos enquanto a depenava com a outra. A galinha, desesperada pela dor, quis fugir, mas não pôde. Assim, Hitler, tirou todas as suas penas, dizendo aos seus colaboradores: “Agora, observem o que vai acontecer.”

Hitler soltou a galinha no chão e afastou-se um pouco dela. Pegou um punhado de grãos de trigo, começou a caminhar pela sala e a atirar os grãos de trigo ao chão, enquanto seus colaboradores viam, assombrados, como a galinha assustada, dolorida e sangrando corria atrás de Hitler e tentava agarrar algumas migalhas, dando voltas pela sala. A galinha o seguia fielmente por todos os lados. Então, Hitler olhou para seus ajudantes, que estavam totalmente surpreendidos, e lhes disse: “Assim, facilmente, se governa os estúpidos. Viram como a galinha me seguiu, apesar da dor que lhe causei?

-Tirei-lhe tudo…, as penas e a dignidade, mesmo assim ainda ela me segue em busca de farelos.”

“Assim é a maioria das pessoas, seguem seus governantes e políticos, apesar da dor que estes lhes causam e, mesmo lhe tirando saúde, educação e dignidade, pelo simples gesto de receber um benefício barato ou algo para se alimentar por um ou dois dias, o povo segue aquele que lhe dá as migalhas do dia.”

Deixo-vos com uma frase de José Saramago:

“A esperança é como o sal, não alimenta, mas dá sabor ao pão.”

Pedro Saldida

APOIE

Seu apoio é importante para o Jornal Contratempo.

Formas de apoio:
Via Apoia-se: https://apoia.se/jornalcontratempo_apoio
Via Pix: pix@contratempo.info