Representatividade feminina em tempos de eleição

Por Silvia Araújo

A uma semana das eleições, pergunto se de fato as mulheres estão bem representadas nos pleitos as governanças de nosso país. Qualquer pesquisa na internet nos mostra que apesar de representarmos 53% do eleitorado brasileiro em 2022, ainda são poucas as candidaturas, bem como as que são eleitas.
Segundo o portal do Senado Federal, para as eleições do próximo 02 de outubro, teremos 156.454.011 brasileiros aptos a escolher o presidente da República, além de 27 governadores, 27 senadores, 513 deputados federais, 1.035 deputados estaduais e 24 deputados distritais, num total de 28.274 candidatos, sendo que apenas 33% destes representados por mulheres.
Não quero que este meu primeiro artigo (aqui neste jornal) apenas traga dados de pesquisa, como disse anteriormente, a internet nos traz informações que elucidam esta visão. O que me importa agora é discutir o papel da mulher na política. Longe de ser esta uma questão feminista ou não, porque a mulher desde tempos bem remotos exerce papel crucial no mundo, seja na vida social, econômica, educacional, espiritual, familiar, dentre tantos outros.
Há algum tempo ouço um conceito que cresceu e tornou-se muito significativo para mim, SORORIDADE, que nos revela a união entre as mulheres e que impõe fortalecimento quando lutam juntas pelo mesmo objetivo. Sendo assim, quão mais empoderadas e fortalecidas estaríamos se, durante as candidaturas, apoiássemos uma de nós para nos representar, em nossos quereres do ideal para uma sociedade mais justa e igualitária.
Não podemos esquecer que a mulher conhece as dores do corpo e da alma em apenas existir e trazer ao mundo, animalesco, o olhar transgressor da inovação, da criatividade, da beleza, da igualdade, do amor. É a mulher quem dosa a quantidade de “mistura” e de água no feijão para as refeições. É a mulher quem vai à igreja levar o filho para conhecer algo que julga ser importante para o seu despertar. É a mulher que olha os cadernos escolares e percebe a febre do filho com apenas um toque na testa. É a mulher quem em meio a dor da perda, encontra forças para lutar por outros filhos e por outras mães. É a mulher que foi estuprada, violentada, banida da família, que deixou os sonhos para parir, que come arroz e feijão para o filho ter um ovo no prato, que usa os mesmos calçados na virada do ano, ou o celular antigo de 8 giga de memória, para que seu filho tenha um celular mais potente, que trabalha fora e em casa, em turno de quase 24 horas para que a família consiga pagar as contas, essa mulher que ainda dança sobre salto alto, absolutamente linda, à frente de uma bateria de escola de samba, dentre tantas outras representações nesta sociedade patriarcal, machista, egoísta. Essa é a mulher que não pode ser esquecida pela candidata que assumirá uma das cadeiras em 2023.
Há quem diga que Deus é mãe e não pai, isso implica dizer que a mãe é mais paciente, que governa melhor uma casa, uma família, então, quanto pode fazer por nossa sociedade brasileira. Esteja onde estiver mulher, saiba que precisa pensar em si mesma, pensando em si, pensará na outra de nós. Que tenhamos quantidade acrescida de mulheres nas próximas eleições, e que possamos apoiar esta que teve coragem de romper os grilhões para se candidatar, e que principalmente tenhamos consciência de que somos muito para desperdiçarmos nosso tempo e energia sendo laranjas para um homem ou um partido. Chega de intolerância, de julgamentos, de desvalorização.
Que possamos assumir o lugar que nos cabe, ainda que torçam o nariz, afinal e no final, sempre estamos com a razão e apenas precisamos despertar o poder que existe em nós.

Silvia é escritora e professora da rede pública do estado.

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