Somos professores, não calem a nossa voz!

Por Silvia Aparecida Araújo

Neste dia tão especial em que se comemora o Dia do Professor devemos refletir sobre essa profissão que resiste e forma todas as outras. Passa-se ano, entra ano, e a categoria embora não seja na atualidade uma das mais cobiçadas, persiste em meio ao desrespeito, salários baixos, violência, insegurança causada por alunos, bem como pelo governo e sociedade.
Recordo-me com amor os profissionais que me ensinaram, pois a disciplina que tenho, a criatividade aflorada, a capacidade de visão e solução de problemas, o amor pelo próximo e pela vida, o senso de justiça e de luta pelas questões sociais, bem como o amor pelas palavras foram-me aguçadas por mestres que não se cansavam.
Da época em que eu estudava para cá, houve várias mudanças, e quantas outras desde que falamos em educação, porém o fato é que não importa o que façam, o quanto tentem conduzir a nossa aula, seja no material utilizado, seja no comportamento, seja no salário, e naquilo que dissermos, fato é que resistimos as mudanças, as perdas salariais e de categoria, a divisão da própria categoria em escalas e resoluções que apenas servem para nos desorientar. São tantas, que não há como nos pautar, é preciso sempre que fiquemos atentos para não nos prejudicarmos, pois somos confundidos diariamente por decretos.
No dia a dia, somos bombardeados por demandas de papeis para preencher, um a cópia do outro que apenas se diferenciam em títulos e configurações, a escola sem papeis tornou-se a escola dos arquivos em HD. Também não podemos comer na escola, embora a escola trate os alunos como seus filhos e o ditado popular diga que onde come um, comem dois, não somos tratados como tal, pois esse direito nos foi negado. Pagamos o café, o açúcar e o chá, levamos a tal bolachinha pedagógica, compramos materiais para trabalhar nos projetos e em aulas de mão na massa, e ainda assim, a sociedade acha que não trabalhamos de acordo.
Além de tudo, tiraram os nossos dias trabalhados durante a pandemia. Falou-se e fala-se tanto em trabalho remoto, porém o nosso trabalho remoto não foi visto como trabalhado.
Então, o que nos resta dizer? Resta pedirmos para que NÃO CALEM A NOSSA VOZ, porque enquanto estivermos lecionando para seus filhos, Oh pátria amada! Oh mãe gentil! Enquanto estivermos educando seus filhos, sendo espelhos a serem seguidos, com criticidade, amor, cuidado, transmitindo valores que os façam despertar para a luta que terão que travar quando saírem da escola, enquanto estivermos fazendo isso, sabemos que ainda haverá esperança, e que eles serão homens e mulheres de bem, aptos a vencer o mundo, assim como vencemos todos os dias apesar dos pesares.
Somos formadores, nos formamos continuamente para ensinar, ensinar a aprender e a ser num país confuso que repele os seus filhos.
Que neste dia maravilhoso, não romantizemos a nossa profissão, mas que façamos uma reflexão que nos mantenha conectados em categoria para continuar a luta pelos direitos que nos foram sucateados. Vale lembrar que se um sofre, todos sofrem, e que se um professor perde hoje, amanhã podemos perder todos nós.
Sempre é tempo de mudar e fazer a mudança que todos queremos. Que saibamos enxergar esse momento que se desponta a nossa frente para fazer o que deve ser feito, para que possamos ter uma nova oportunidade, ou tudo continuará como sempre, daí não adianta reclamar. Como dizia meu querido professor João Paes – “Depois, não adianta chorar pelo leite derramado”.

APOIE

Seu apoio é importante para o Jornal Contratempo.

Formas de apoio:
Via Apoia-se: https://apoia.se/jornalcontratempo_apoio
Via Pix: pix@contratempo.info