Jovem ourinhense assume cargo da Igreja Católica na Comissão Justiça e Paz

Luiza é coordenadora adjunta da comissão que faz parte da CNBB para garantir os direitos humanos baseada nas doutrinas da igreja

 

Juliana Neves

Advogada e integrante da Pastoral da Juventude, a ourinhense Luiza Camargo, 23, é a mais nova Coordenadora Adjunta da Comissão Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Regional Sul 1 do estado de São Paulo. Ela foi convidada para o cargo, pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz, no início de setembro e tomou posse no último sábado, 17.

Como coordenadora adjunta, Luiza passa a ser integrante das lideranças de pastorais, comissões e movimentos sociais indicada pela Pastoral da Juventude. O Frei Marcelo (Ordem dos Franciscanos Capuchinhos) foi quem entrou em contato e lhe fez o convite.

Luiza no dia da posse na Basílica Nossa Senhora do Carmo, em São Paulo (Foto: arquivo pessoal)

A Comissão Justiça e Paz é um organismo vinculado à CNBB e tem caráter ecumênico, formado por leigos — no caso do nosso Regional, é composto por 20 membros que são lideranças que atuam em pastorais, comissões e movimentos sociais.

O seu principal objetivo é um compromisso fundamental na construção da paz a partir da defesa e da garantia dos direitos humanos, sobretudo, a partir da Doutrina Social da Igreja. Tendo como alicerce a vigilância constante das injustiças estruturais e presentes na sociedade, além de ser um espaço para denúncias, buscando por avanços reais de um mundo mais justo e equilibrado para todos.

Para colocar a Doutrina em prática, a Comissão realiza estudos aplicados sobre os desafios de caráter estrutural. Esta é uma ferramenta aos organismos da Igreja e para as ações dos cristãos, em busca constante e incessante da vida plena em comunhão, em todos os momentos e em qualquer lugar.

A escolha para este cargo foi através de uma solicitação à coordenação da Pastoral da Juventude paulista para a indicação de dois jovens. O critério, que serviu de base para a escolha dos nomes, foi selecionar jovens comprometidos e atuantes na Pastoral, bem como uma formação aliada aos objetivos da comissão. Como direito, educação e história. E, assim, chegaram à Luiza e ao Matheus Rafael Almeida, da Diocese de Jaboticabal.

Luiza e Matheus, os jovens escolhidos para a Comissão (Foto: arquivo pessoal)

Luiza explica que aceitou o convite por “reconhecer na Comissão Justiça e Paz essa importante atuação e compromisso com os Direitos Humanos e da promoção da dignidade humana e da paz. Trago como inspiração os exemplos de vida e missão de Dom Paulo Evaristo Arns na Arquidiocese de São Paulo. Em um período tão difícil como o da ditadura militar, ele se colocou a serviço das pessoas e por meio da Comissão Justiça e Paz defendeu e lutou, principalmente, por aqueles e aquelas que, injustamente, tinham sido presos e pelas denúncias de tortura. Pois a principal intervenção da comissão era investigar e denunciar casos de tortura. É evidente que hoje os tempos são outros, mas permanece a necessidade de defender e lutar pelos direitos e a dignidade humana contra o retrocesso”.

Em relação ao bispo, Dom Salvador, a jovem fala que foi uma surpresa para a autoridade religiosa, pois ela foi indicada pela coordenação regional estadual da Pastoral da Juventude e não pela Diocese de Ourinhos. Com isso, o bispo se demonstrou curioso em saber mais sobre a indicação e a estrutura regional da Pastoral.

Inesperadamente, diante desta situação, Luiza exclamou que ainda enfrentamos dificuldades internamente, mas que o ‘ser cristão’ é “compreender que a justiça é ordem do Evangelho e que Jesus nos convida a fazer a opção preferencial pelos pobres e a lutar por uma vida digna. Até Ele teve entraves, mas seguiu firme em sua missão”.

 

Posse

A posse do cargo foi realizada em um sábado, 17 de outubro, na Basílica Nossa Senhora do Carmo com missa solene que foi presidida pelo Presidente do Regional Sul 1 da CNBB, o Dom Pedro Luiz Stringhini e concelebrada por Dom Luiz Carlos Dias, bispo auxiliar de São Paulo e Secretário do Regional, Dom Julio Enfi Akamine, Arcebispo de Sorocaba e Referencial Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora, do Regional, Dom Eduardo Vieira, bispo auxiliar de São Paulo, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, Bispo de Itapeva, Dom Reginaldo Andrietta, Bispo de Jales, Frei Thiago Borges Isidoro, pároco da Basílica Nossa Senhora do Carmo e por outros padres presentes.

Presença de Dom Arnaldo (Bispo de Itapeva), Dom Reginaldo (Bispo de Jales) e Pe. Gianfranco (assessor nacional da Pastoral Carcerária) (Foto: arquivo pessoal)

 

Ações a partir de agora

Luiza também terá a função de secretariar a comissão dentro da Coordenação Executiva junto com Murilo Gaspardo da cidade de Jaboticabal-SP e de Ana Sueli de São Paulo. Suas atividades e ações serão desenvolvidas de acordo com um planejamento, que está em fase de elaboração, para a missão de articular as Comissões Justiça e Paz nas 41 Dioceses do estado de São Paulo. Com o foco de acompanhar de perto questões que possam agredir os direitos humanos e, assim, traçar ações concretas e assertivas para restaurar a paz e fortalecer as pastorais dos próprios movimentos sociais.

Coordenadores da Comissão (Foto: arquivo pessoal)

Certamente, os ourinhenses podem esperar os reflexos dos trabalhos da jovem católica no município. “Penso que é importante que os ourinhenses saibam que tem uma cidadã da cidade participando desse coletivo, levando o nome da cidade, e que também posso ajudar em eventuais situações referentes à defesa da dignidade humana em nossa cidade e região. E quem sabe ajudar à Diocese a articular uma Comissão Justiça e Paz como faremos no Estado e a ajudar a se abrir e perceber estes desafios da realidade local e das cidades que fazem parte desta Igreja Particular, que está nas periferias e nos apresenta como demanda. Existe uma realidade premente na vida do povo menos favorecido, com maior vulnerabilidade social. Nossa missão é sobretudo evangélica, é acompanhar o que nos ilumina o Papa Francisco. Estar à serviço do povo de Deus, auxiliar no que me demandarem enquanto Comissão”, conclui Luiza.