Crônica: Jair Vivan Jr. “Meu Primeiro Bamba”

Meu Primeiro Bamba

Jair Vivan Jr.

A cada chute na lata eu cronometrava a ida, ao completar três passos, eu bicava novamente, era melhor que relógio para controlar o tempo e não perder as aulas de Educação Física que faziam repetir o ano por faltas.

Eu sabia exatamente, eram 315 chutes até ao Ginásio, salvo um ou outro que quicava errado e acabava desviando, mas era raro, além de ter muita habilidade em chutes a latas, o que não acontecia com bolas, eu estava de tênis novo, até que enfim eu tinha descolado meu Bamba de cano alto preto de sola de látex branco.

Se de Conga eu já mandava longe imagine agora, dava até o para compensar chute torto, dando chute de quatro passos, assim podia até chegar mais cedo e exibir meu keds novo.

Chegava lá, já tinha modelo mais atual, eu sabia, tinham lançado um de sola sintética, cano curto, super na moda, mas nada a ver, eu gostava mesmo do meu, não sei, parece que me dava uma espécie de super poderes, aquelas duas rodelas emborrachadas que protegiam o ossos do tornozelo me davam além de conforto, uma certa segurança.

E também acabou me gerando uma boa economia na quantidade de chutes, tendo em vista que adotei os de quatro passos passei a fazer o itinerário em 225 chutes.

E levando em conta que passei a dar quatro passos com o mesmo tempo em que dava três, ganhei em tempo, a média de quatro minutos e meio.

Estas eram as vantagens que eu via no meu super tênis Bamba cano alto, que na verdade acho que foi meu primeiro All Star.

Eu pensava, sei que não sou bom de bola, não dei sorte no footbol, mas tenho certeza que ninguém chuta latas como eu.

No basquete também não virou, mas se tem uma coisa que fui campeão na escola, foi na modalidade de atirar bolinhas de papel no cesto de lixo atrás da porta na sala de aulas.

Chegou a desbotar o preto da lona já rota, mas continuava em meus pés, meu fiel companheiro, parceiro de tantas vitórias, conquistas e tentativas.

Hoje posso dizer com certeza que do primeiro Bamba a gente nunca esquece, e olha que depois do Kichute, já tive outros, até Rainha de couro.

JVivanjr

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