ELE ISOLOU O BRASIL DO MUNDO


Por Nilto Tatto

Mesmo ausente, o posicionamento de Bolsonaro em relação a 26ª Conferência do Clima da ONU (COP26), em Glasgow (Escócia), rendeu ao presidente brasileiro o troféu Fóssil do Dia. É a 6ª vez, nos últimos 6 anos, que o Brasil leva o prêmio concedido pelo coletivo internacional de ambientalistas, Rede de Ação no Clima. Embora pareça apenas uma piada, a condecoração irônica reforça o isolamento do País no cenário global, como ficou claro semanas atrás, na reunião do G20 em Roma, na Itália.

Há menos de 10 dias, jornalistas presentes no encontro das 20 maiores economias do mundo, flagraram o presidente brasileiro sozinho em um canto do salão, ou quando muito, acompanhado de membros de sua própria equipe. Enquanto os chefes de Estado da Alemanha e França discutiam com outros líderes europeus sobre a criação de um fundo para distribuir vacinas aos países pobres, por exemplo, Bolsonaro se resumiu a contar piadas para atrair a atenção dos garçons.

Já no encontro para construir políticas e mecanismos de colaboração internacional para mitigar os efeitos das Emergências Climáticas, decisivo para a garantia das condições de vida no Planeta, o pior presidente da história do Brasil sequer compareceu. Ao invés disso, incumbiu o ministério da Agricultura, em associação com as Confederações da Indústria (CNI) e da Agropecuária (CNA), de representar o País na conferência. O setor é o maior responsável pelas emissões de gases de efeito estufa em território nacional, seja pela produção agropecuária em si, ou pelo desmatamento ilegal ligado a ela.

Ao se retirar da construção de acordos multilaterais, Bolsonaro acredita que, além de enfraquecer o bloco, poderá obter ganhos maiores em relações bilaterais, construindo parcerias sob medida para o segmento da economia brasileira mais festejado pelo seu governo: o agronegócio. Com esta postura covarde e mesquinha, no entanto, o presidente daquela que já foi a sexta maior economia do mundo e o país referência em conservação ambiental, não está apenas isolado, mas ridicularizado e sujeito a perder o emprego.