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O Paranapanema e a guerra dos paulistas em Ourinhos em 1932

O Paranapanema e a guerra dos paulistas em Ourinhos em 1932

A Estrada de Ferro Sorocabana seviu para o deslocamentro das forças Paulistas pelo estado

José Luiz Martins – 

Na Revolução Constitucionalista de 1932 Ourinhos e várias cidades da região como Salto Grande, Santa Cruz do Rio Pardo, Chavantes e Ribeirão Claro foram palco de confrontos entre as tropas do governo Federal e contingentes paulistas que exigiam de Getúlio Vargas uma nova constituição para o país.  O estado de São Paulo estava em  grande desvantagem bélica e quase que sozinho nesse propósito, ficou cercado pelas forças do governo central em todas as frentes de batalha.

 

Em vários locais  da extensão da  divisa do Paraná e São Paulo pelas margens do rio Paranapanema, os paulistas enfrentaram contingentes federais vindos dos três estados do Sul. Foi artilharia pesada contra os constitucionalistas que lutaram na região com cerca de 8 mil homens contra 19 mil soldados das tropas de Getúlio Vargas. Saídos de Ourinhos e Chavantes os paulistas chegaram a ocupar as cidades paranaenses de  Ribeirão Claro, Jacarezinho e Cambará. As forças de São Paulo utilizaram-se da linha férrea da E.F. Sorocabana  para avançar com homens e armamentos até os outros locais da fronteira, onde o grande  desafio seria transpor águas do Paranapanema como aconteceu em Ourinhos e Itararé.

Batalhão Theopombo formado por moradores de Ourinhos na praça Melo Peixoto

O Sul do estado de São Paulo era o setor mais desprotegido, soldados federais vindos do sul se posicionaram na divisa de São Paulo e Paraná, próximos de Itararé.  Ali as tropas paulistas não ofereceram resistência, não defenderam a fronteira e se retiraram para o rio Paranapanema em nossa região, abrindo uma grande extensão em território paulista para as tropas federais.  Essa localidade  acabou sendo um dos principais teatro de operações das tropas do governo Vargas.

 

A ponte ferroviária sobre o Paranapanema era um ponto estratégico a ser defendido pelos paulistas. O ponto mais próximo a Ourinhos onde houveram confronto entre as tropas, foi numa área  na região do clube Diacúí do lado paulista.  Do outro lado do rio, em frente, do  lado paranaense,  local conhecido como “pedra criminosa” foi onde o contingente adversário sediou-se.

 

Combatentes ourinhenses em frente a 1ª Igreja Matriz de Ourinhos e Praça Melo Peixoto na atual rua 9 de julho

A resistência de São Paulo nas barrancas do Paranapanema por aqui não durou por muito tempo, as tropas gaúchas cruzaram o rio em Salto Grande onde bloquearam a ferrovia Sorocabana por onde as forças paulistas se deslocavam, houve confrontos em outros trechos da ferrovia que era percorrido pelos trens blindados dos paulistas. O poderio de fogo das tropas gaúchas com mais canhões e homens foi obrigando os paulistas a recuarem e logo Ourinhos seria invadida.

Cozinheiros servindo oficial e soldados numa pausa do front. Os suprimentos para as tropas eram coletados em sitios, fazendas e casas de comercio compulsóriamente

Documentos da Biblioteca Pública do Paraná revelam parte do  que foram os combates na região:  “…em 05 de agosto de 1932, próximo a ponte ferroviária sobre o Rio Jacaré, próximo a Jacarezinho, o General Paim enfrentou os paulistas e os fez recuar no final do dia 07 pela estrada de Ourinhos. Outros combates ocorreram ainda entre os dias 22 de setembro e 03 de outubro na da Fazenda Laranjal e Porto Maria Ferreira em Itararé.” Outros relatos como o da  ordem do dia da Coluna João Francisco dão conta do que ocorreu nas margens do caudaloso rio da divisa SP/PR : “O que foi a marcha e travessia do Paranapanema, o que foram os dias de inquietação e de sacrifícios, sob a inclemência do tempo, sem calçados, sem agasalhos, quase nus, parcamente alimentados, sob intensa e violenta fuzilaria na defesa da ponte metálica para Ourinhos, não poderei eu dizer, que horas tais vivem-se, sentem-se, depois de se ter vivido, mas não se pintam, nem se descrevem”.

Música para levantar o moral das tropas – Banda do Batalhão Constitucionalista de Presidente Prudente em passagem pela frente de batalha em Ourinhos

Vários ourinhenses participaram da luta na fronteira, em  Ourinhos formou-se um batalhão denominado Teopompo integrado por moradores voluntários que serviram em nas frentes de batalha em Ourinhos e Salto Grande. O avanço dos gaúchos ainda seguiu para Santa Cruz do Rio Pardo e Chavantes que ficaram sob jugo federal até o fim do conflito  com a rendição total dos constitucionalistas . No total, foram 87 dias de combates (de 9 de julho a 4 de outubro de 1932 – sendo os últimos dois dias depois da rendição paulista), com um saldo oficial de mais de 900

mortos, embora estimativas, não oficiais, ultrapassem 2000 mortos, sendo que muitas cidades do interior do estado de São Paulo sofreram destruições por ocasião das batalhas.

As fotos retratam alguns personagens anônimos desse conflito, registrado através de muitas fotografias pelo fotografo Frederico Hahn, um dos pioneiros da arte de fotografar na cidade nos anos 30.

Pelados com armas em punho – Um Momento de folga e irreverencia dos soldados gaúchos que ocuparam Ourinhos em 1932, ao que parece dentro de uma sala de aula

 

 

 

 

 

 

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