Desmonte

Desmonte

Talvez quando tudo ficar para trás
Quando os passos alcançarem o céu
Talvez quando as sementes germinarem
Sem a necessidade do sol e da chuva
Quando a única voz a ouvir seja a do vento
E que as nuvens não mais se formem
Nem mesmo os corações se toquem
Um crepúsculo de paz
Um silêncio total
E a idade rompendo os faróis
Raios transcendentais
Talvez seja o equinócio de um novo lar
Que caibam coisas de não se apalpar
Coisas de sentir e ser e de enxergar
Coisas que é e que não se tem
Talvez neste ponto as regras padronizadas
Destas de grafia e pronúncia e gramática sem existência deem lugar para todos
Sem as órbitas sociais que separam até pela língua social o poder de quem pode pagar por ela
Deram preço para tudo
Pro feijão
Pro arroz
Pro caviar
Pro frango caipira e de granja
Pra cebola branca e roxa
Pra água
Pro beijo e pro batom
Pro orgasmo e pro casamento
Pro rim e pro sangue
Deram preço às praias
Aos montes de neve
Pro cacau e pro pau Brasil
Até para o negro deram preço
Mas também pra mulher brasileira e asiática
Para as linhas equatoriais
Se bate sol demais
Se cai neve
Depende de como anda a carteira
Vazia ou cheia?
Não importa como anda a barriga
Se com vermes ou comida
Não importa seu nome
Importa é o valor da moeda que carrega
E quantas dela conseguiu juntar
Trace um plano pro amanhã
Quem sabe possas gastar
Não me incomode
Ouço apenas as ondas do mar
Abelhas? Colibris?
Macacos?
Que coisa, onde moras não carece de natureza
O chão do asfalto é igual a sua camisa engomada, dura
Carrega as almas que se agruparam
E morreram para manter a cerâmica abaixo dos teus pés
Brincas com os animaizinhos que deleitam
Por uma marquise da cidade
Um pedaço de lixo com sal
Um canudinho de plástico com açúcar
Dormes antes que venhas a acordar
Morrerás por fim friamente e se ajuntarás
Aqueles que outrora não viu.

“Por um futuro de amor e acolhimento, menos dor, menos desamor, mais humanidade e acalentos”.

Silvia Aparecida Araújo

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