ARTIGO: COP 28 Emergências climáticas. Desafio global – Por Nilto Tatto

 

Nilto Tatto é ambientalista, administrador e político brasileiro, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde o início dos anos 1980

Os esforços do governo Federal para enfrentar as emergências climáticas podem ser traduzidos na diversidade de pautas e da própria delegação brasileira presente na 28a Conferência das Partes (COP28), o maior encontro internacional para discutir o Clima em escala global. Como já era de se esperar, o Brasil vem assumindo o protagonismo nas questões ambientais, que não podem ser vistas separadamente do enfrentamento às desigualdades sociais e econômicas.

Uma das grandes novidades neste ano, no entanto, tem sido a construção de uma rede internacional de parlamentares comprometidos com as causas socioambientais. Uma aliança de representantes do poder legislativo de cada País é extremamente importante para garantir a estabilidade e a continuidade de políticas e programas nas áreas de meio ambiente e sustentabilidade, articulando o parlamento com movimentos sociais e setores empresariais, independente de governos.

A iniciativa é positiva não apenas para garantir que não haja interrupções ou retrocessos, mas também para o equilíbrio na busca por sustentabilidade ambiental, social e econômica. Isso não significa que deputados e senadores, empresários e Ong’s dialoguem apenas entre si, mas ao contrário, participem de forma ativa da construção e da manutenção dos meios para cumprir as metas de conservação e recuperação ambientais, enfrentando o aquecimento global e combatendo o racismo ambiental.

No Brasil, a Frente Parlamentar Ambientalista, da qual sou o coordenador, já cumpre esse papel, dando voz e vez para a sociedade civil e os setores econômicos, articulados com o Estado, na construção de um País justo e sustentável. Este exercício democrático é uma das experiências que eu trouxe para esta edição da COP, somada evidentemente ao trabalho que tenho desenvolvido pelo menos desde 2015 na Câmara dos Deputados e há mais de 30 anos, como socioambientalista.

Felizmente já superamos a ideia de que os eventos climáticos extremos, como secas prolongadas ou tempestades, furacões e deslizamentos de terra, seriam problemas localizados – os desafios são globais e demandam a dedicação de todos.