Panelaços, os protestos do povo, 2015 e 2021, e agora Jair???

Os panelaços contra Dilma começaram a ser ouvidos em 2015. Foi um símbolo de luta de uma classe média de direita que, revoltada com a crise econômica, explodiu nos centros urbanos. Sempre que Dilma aparecia em público, fosse na rua ou em entrevistas ou, até mesmo, em pronunciamentos, lá aparecia essa forma de protesto com gritos de fora Dilma e fora PT. Bolsonaro, em 2016, afirmava que era a insatisfação do povo com o governo, inclusive falou que não acreditava que Dilma renunciasse, que o prazo final para tirá-la era 2018, mas que não sabia se o Brasil aguentaria até esse prazo, por isso o melhor seria o impeachment.

Pois bem, o grito de revolta da população estava preso na garganta. Demorou porque as pessoas respeitaram o distanciamento, o isolamento. Começou com os panelaços, a forma que as pessoas tinham de protestar sem aglomerar como os defensores do presidente faziam. Por muito tempo as ruas foram invadidas pelas cores amarela e verde, uma usurpação da camiseta da canarinha que ainda não entendi muito bem, mas o tempo recuperará seu verdadeiro significado. Estamos agora assistindo a uma inversão nas ruas. As pessoas rasgaram o domínio dos apoiantes de Bolsonaro nas ruas.

Mas atenção que as manifestações não são somente sobre a gestão da pandemia, são sobre as mortes. As manifestações transbordam várias áreas já que chegamos ao mesmo problema de 2016, será que o Brasil aguenta até 2022? Duvido muito, veremos.

Não vislumbro nenhuma área em que possamos afirmar que o governo está agindo bem em prol do povo. Lembremos da promessa do preço do botijão do gás, a única que me lembro que seria benéfica para a população, todas as outras, enquanto deputado em todas as suas intervenções, discursos e pronunciamentos, anunciara ao que vinha para gerir o país.

Mulheres, negros, Amazônia, enfim foi eleito o discurso de ódio em 2018, falo eleito porque o povo assim escolheu. Não é surpresa para ninguém o que está acontecendo nas periferias, na Amazônia, com as mulheres e com os negros. Nem vou falar das suspeitas de corrupção, já que o presidente fala que no seu governo não tem corrupção. Lembro esta semana de ter respondido a um amigo, via Facebook, sobre um vídeo que havia postado sobre Dilma passar até uma receita para a jornalista, e ele me respondeu que em 16 anos o PT roubou escandalosamente, ao que respondi que ao Bolsonaro bastaram 2 anos. Esqueci de mencionar os anos de deputado do presidente.

Sempre falei que o que me estava assustando era o silêncio dos bons, pois bem os bons estão chegando, vamos ver se vai dar tempo para recuperar todo o prejuízo criado ao Brasil e seu povo. As pessoas votaram porque se identificavam com estas políticas, com este discurso de ódio, nada foi escondido, tudo feito às claras, aliás até já transportam madeira ilegal da Amazônia em plena luz do dia.

Em conversa com uns amigos, questionei se a culpa seria somente de Bolsonaro ou se o centrão e maior parte dos políticos brasileiros não teria também uma responsabilidade muito grande no seio do que vivemos atualmente no Brasil. O papel do centrão, todos os partidos que o compõem, estão nos tempos sombrios do país. Queda de Dilma Rousseff tem mão pesada do centrão, dois anos de governo bolsonarista tem 100% de responsabilidade do centrão. Bolsonaro, lembrando que não tem partido, para se manter no poleiro comprou o centrão. Vamos ver quanto tempo durará esse apoio e se o centrão não irá cair fora para não ser prejudicado aos olhos do povo e continuar sua luta incansável por lugares de destaque na política brasileira, sempre sendo comprados em troca de apoio político a quem pagar mais.

Para quem acredita na reencarnação, se pudéssemos escolher, eu não teria escolhido vir para o séc. XXI e viver igual aos tempos de Al Capone, onde até da nossa própria sombra devemos ter medo, tudo numa esfera ampla, não somente na esfera federal. A política deve ser um ato de servir a população e não ser servido. Político é um mero empregado do povo, deve seguir os interesses da população e não interesses pessoais.

A vida é feita de escolhas e muitas vezes devemos escolher contornar o muro ao invés de tentar derrubá-lo. Para contornar o muro devemos saber que demora um pouco mais de tempo, mas não perdemos tempo à posteriori em pegar os cacos que ficam espalhados pelo chão. O muro fica atrás de nós e inteiro, onde podemos ter a certeza de que o sabor é muito maior que qualquer outra forma de luta. O problema é acreditar nos políticos, saber se irão trabalhar em prol da população. Sei que muitas pessoas não acreditam, também sei que muitas se vendem, todos nós temos um preço na vida e pode não ser monetário, mas temos.

Esta semana não irei falar muito mais, aguardemos o desenrolar dos próximos atos a nível político e de CPI, porque ainda muita água irá correr até ao final da apuração da verdade. Deixo-vos com uma frase de Camilo Castelo Branco (escritor, cronista, dramaturgo e romancista português):

“ A felicidade é parecida com a liberdade, porque toda a gente fala nela e ninguém a goza.”

Pedro Saldida