A equipe do Ouro Branco, o Moinho Santista e a Sanbra

 

Por Carlos Lopes Bahia

Até 1937 Ourinhos tinha aproximadamente 10.000 habitantes. Em março desse ano a empresa inglesa responsável pela construção da ferrovia São Paulo Paraná cria o seu time de futebol. Em 1938 começa a se expandir a Vila Nova, hoje conhecida como Vila Margarida. Na década de 40 a família Sá resolve vender lotes ao lado das oficinas da São Paulo Paraná surgindo ruas ligando a Vila Nova à estrada que levava às fazendas Chumbeada e do sr. Horácio Soares, a hoje Av. Rodrigues Alves. As ruas receberiam mais tarde os nomes de Rui Barbosa, Cristóvão Colombo, 12 de outubro e Sete de Setembro.

No lado leste surgiu a Vila Manuela (hoje hotel pousada) e do outro lado da ferrovia da Sorocabana se instalaria o Moinho Santista dedicado à exploração dos ricos produtos agrícolas do município como o algodão, o milho, o amendoim, a mamona, o feijão e outros.

Moinho Santista / Sambra

No final da década, aproximadamente 1949, chegava a Ourinhos a família de Antonio Capato, vindo de Arapongas – PR. Capato iria trabalhar no Moinho Santista e logo se transformaria em figura  de prestigio dentro da empresa. No inicio década de 50, usando o seu prestígio, Capato resolveu montar um time de futebol representativo da empresa, a exemplo de outros times existentes na cidade, como os Bancários, o Operário, o Sorocabana, o paulista, os paraquedistas, etc. Do outro lado da rua hoje Cardoso Ribeiro, fábrica que se denominou SANBRA, Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro. O nome Sanbra seria o nome dado ao time de futebol e mais tarde seria mudado para Associação Atlética Ouro Branco. Para ali foram trazidos jovens que se revelavam no esporte, para trabalharem e jogarem futebol. Capato ficaria à frente do time até bem perto de sua morte.

O time da Ouro Branco também teve um Diretor de Esportes, funcionário da empresa e que também fora um jogador de destaque Maurílio Maroco, o Mineiro. Maurílio ganhou esse apelido porque seus pais vieram de Minas Gerais, ainda em 1948 e era ele apenas um garoto.

Em Ourinhos havia muita dificuldade para se arrumar um bom emprego e o pai ficava na estação e ajudava a carregar e descarregar mercadorias que eram embarcadas ou desembarcadas dos trens. Também ajudava o pai a cavar fossas nas residências, pois a cidade ainda não tinha esgotos.

Foi assistindo a um jogo de futebol no campo do Operário (chamado de Olímpico na época) que Maurílio foi percebido por Eugenio Peixe, o bagre, e a sua vida começou a mudar. Ao apanhar uma bola que caíra fora do campo, aproveitou para fazer algumas embaixadas antes de devolve-la aos jogadores que treinavam, com um bom chute. Eugenio viu e gostou. A partir daí começou a treinar, a conhecer pessoas até arrumar um bom emprego na firma Anderson Clayton.

Maurílio acabou sendo levado para a SANBRA e a jogar como zagueiro da A A Ouro Branco. Já adquirira por essa época a profissão de eletricista.

Mineiro tornou-se adulto e se casou com a filha de Osório Christoni formando uma família. Vieram os filhos (as). Por ocasião do nascimento de sua terceira filha resolveu parar de jogar futebol para se dedicar mais tempo á família. Aceitou, no entanto,  o cargo de Diretor de Esportes, pois assim continuaria no emprego.

Em 1967 seu bom coração o levou a colaborar na reforma da Santa Casa de Misericórdia e para conseguir recursos para a compra de material, organizou, com a ajuda de alguns colaboradores, um evento esportivo no estádio da baixada: um jogo entre uma seleção local e o time de máster do Sport Club Corinthians paulista que aqui trouxe seus principais jogadores já veteranos. A equipe ourinhense perdeu de 4 a 1.

Após sair da Sanbra tornou-se empresário no ramo elétrico fundando a MG- materiais Elétricos (av. Jacinto Sá) hoje dirigida por sua filha enquanto ele repousa em sua residência à av. Jacinto Sá 901 após ficar viúvo.

O time seria campeão de Ourinhos em 1960, 1963 e vice campeão em 1961 e 1969.

Hoje a empresa não existe mais: mudou-se para Maringá. O seu espaço deve tornar-se um condomínio residencial (parte) e comercial. Seu campo rivalizava-se com o campo do operário e do ourinhense. Era o terceiro melhor campo da cidade.

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