A poesia afrodisíaca de Silvia e o Caminho das Borboletas – Parte I Por João Teixeira

A poesia é um gênero reconhecidamente difícil – chato mesmo! – os críticos mais rigorosos tem apontado isso com precisão.

É difícil ser bom poeta.

Não pela poesia em si, a sagrada arte de expressar sentimentos, bons ou maus, nem pela quantidade de poetas que se alastrou como erva daninha no campo fértil da literatura.

Creio que meu travo com a poesia tem mais a ver com a maneira simplória e banal com que os sentimentos são versejados hoje.

O Poeta e diplomata Vinícius de Moraes descobriu isso e deixou soberba obra em sua parceria com o músico João  Carlos Pecci (Toquinho).

Dificilmente a a amorosidade do “Poetinha” seria tão lembrada se ficasse apenas no livro, no papel, sem o amparo das cordas musicais.

“… é bom passar uma tarde em Itapoan…”

“… Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais mas sabe menos do que eu…”

São tantas as pérolas da música popular brasileira, onde, creio eu, está o melhor de nossa poesia.

“””… mas não tem nada não, tenho o meu violão…”

“””… Quem nunca curtiu uma paixão, esse não vai ter perdão…”

Chico, Caetano, Milton, Roberto e a infindável galeria de estrelas que brilharam na música romântica.

Aliás, note -se, todos homens que cantaram as aventuras e venturas, os tapas e beijos, da alma feminina.

As exceções- que só confirmam a regra – são Maysa, Dolores Duran, Sueli Costa, entre outros nomes de compositoras de sucesso.

Em nossa cultura, as mulheres escrevem pouco sobre si e o mundo, constatei isso ao coordenar a coletânea “Vício da Palavra” (Editora Garninzé, 1977, Marco dos melhores contistas regionais dos anos 70).

Juntamos contistas e poetas paulistas, mineiros, gaúchos, cariocas e capixabas – a supremacia masculina era latente.

As mulheres escreviam pouco.

Nesta etapa de feminismos, minorias e lutas identitárias incendiárias, cumpre-nos registrar a grata surpresa de ser apresentado a uma talentosa e legítima representante da cultura regional.

Silvia e o Caminho das Borboletas (Ribeirão do Sul, Edições e Publicações, 2019, 135 páginas), levanta defunto da cova.

A bela Silvia Aparecida Araújo, filha de tradicional família de Ribeirão do Sul, é formadas em Letras e Pedagogia, professora de Língua Portuguesa e Literatura da rede pública do Estado de São Paulo.

Organizou três livros em suas turmas na EE Professor Homero Calvoso, em São Pedro do Turvo, entre 2012 e 2014.

“Um Encontro e Várias Histórias”, “Cartas de Homero” e “Nova Odisseia de Homero” foram lançados inicialmente.

“Cada palavra que eu escrevo, conhece uma parte de mim, ás vezes me perco, ou me escondo, noutras me acho e sigo assim…”.

A densidade poética de Silvia Araújo, e sua dedicação no magistério, lhe valeram Menção Honrosa da Câmara Municipal de São Pedro do Turvo, em 2016.

“… as palavras escritas que eu berro, ou apenas balbucio no papel, e choro ou Rio, sao meu alimento. Verdadeiramente o único alimento de que preciso para viver ou sobreviver á minha insanidade…”

A contracapa do belíssimo livro de Silvia AA é definitiva:

“Porque a única coisa que temo é deixar de viver o que sou”.

Vale a pena conhecer a obra.

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