Profissionais publicam nota de repúdio contra mudanças impostas pelo Secretário de Assistência Social

Na manhã desta quinta-feira, 16, veio à tona, uma situação de claro desgaste e divergência entre os profissionais de Assistência Social e o secretário da Pasta, Felipe Pereira Ramos, que de acordo com eles,impôs desde o dia 01 de fevereiro, mudanças que prejudicam as famílias atendidas pelos quatro CRAS (Centros de Referência de Assistência Social) da cidade e no CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), cujas medidas contrariam as indicações das políticas nacionais de Assistência Social e Tipificação dos Serviços Assistenciais.

O descontentamento dos profissionais atingiu o ponto extremo, com a publicação de uma nota de repúdio (leia abaixo), hoje (16), após várias tentativas frustradas de diálogo com o secretário e da apresentação de várias propostas de alternativas as mudanças determinadas serem rejeitadas por Ramos.

De acordo com informações obtidas pela reportagem do Contratempo, no final da tarde do dia 01 de fevereiro (quarta-feira), o secretário publicou um memorando interno, determinando a mudança de local de trabalho de diversos profissionais que atendem as famílias nos CRAS e CREAS na cidade e que na segunda-feira, 06 de fevereiro, deveriam assumir suas funções nos novos locais de trabalho.

Apesar de a determinação ter sido acatada por todos profissionais envolvidos, desde que as mudanças começaram a vigorar, foram solicitadas reunião com o secretário e encaminhadas propostas alternativas como a implantação da mudança de forma gradativa, num prazo de 30 dias para sua efetivação, além da apresentação de diversos argumentos para que voltasse atrás em sua decisão, tais como: os malefícios  do rompimento do vínculo entre profissionais e usuários, falta de diálogo entre a gestão e os servidores e priorizar as mudanças de profissionais que se colocaram a disposição e não dos profissionais que disseram não querer mudar de local.

Apesar de todos os esforços de negociação com o secretário, de acordo com eles, o Chefe da Pasta não aceitou nenhuma das propostas e sequer respondeu aos argumentos apresentados, limitando-se a dizer apenas a palavra “Cumpra-se”.

Segundo os profissionais envolvidos, o argumento utilizado pelo secretário de Assistência Social para realizar as mudanças seria o atendimento a demanda de cada território, colocando um profissional da área onde não havia, o que segundo as equipes de trabalho é um argumento inverídico já que apenas foram invertidos os profissionais de cada região, se limitando a trocar um assistente social por outro e psicólogo por psicólogo.

Perseguição a funcionários

De acordo com relatos, as mudanças ocorridas no CREAS ocorreram por solicitação da ex-diretora da Proteção Social Especial e atual gerente do CREAS , Andréia Nichio Pantoja, a fim de atingir três profissionais devido a questões políticas e por questionarem ações e medidas implantadas por sua gestão, e as demais mudanças foram realizadas para que não ficasse evidente seu objetivo verdadeiro.

De acordo com informações obtidas, a questão de fundo para todas as mudanças realizadas é a influência de pessoas da gestão anterior que continua ativa e interferindo na nova gestão, e que foram responsáveis pelas sugestões de mudanças ao novo secretário de Assistência Social, que as acatou e implantou.

Ainda segundo relatos, esse tipo de ação é uma retaliação a servidores que não apoiaram o candidato da situação na eleição do ano passado, tendo o objetivo de perseguir, punir e humilhar por meio de decisões tomadas pelo secretário Felipe Pereira Ramos, por influência de pessoas da antiga gestão, que através destas mudanças realizadas, desprezou totalmente os profissionais da Secretaria e os usuários da Assistência Social.

Rompimento do vínculo das famílias e os profissionais

A mudança segundo os profissionais da Assistência Social interrompeu a relação de vínculo de psicólogos e assistentes sociais com famílias que atendiam há anos e por quem tinham confiança e intimidade para expor seus problemas e situações delicadas, e a troca abrupta por outro profissional que não os conhecia, criou constrangimentos e deixou essas famílias perdidas, muito deles inclusive procuraram os CRAS para pedir que continuassem a ser atendidos pelos mesmos profissionais, mesmo que fora de seu bairro ou região.

Segundo eles, a mudança foi realizada pelo secretário sem qualquer diálogo com os profissionais da Assistência Social e ignorou   os vínculos já estabelecidos entre eles e os usuários dos serviços de Assistência Social.

O que diz a Política Nacional de Assistência Social

A ação determinada pelo secretário de Assistência Social, vai totalmente contra as indicações da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e a Tipificação dos Serviços Assistenciais, uma vez que ambos os documentos norteados prezam pelo vínculo entre as pessoas,  conhecimento do território em que se trabalha.

De acordo com os documentos, existe dentro da assistência social o acompanhamento familiar, onde um técnico faz todos os atendimentos e encaminhamentos necessários para determinada família. Essas famílias simplesmente não viram mais esses profissionais, que já conheciam intimamente os problemas que enfrentam e as necessidades de cada uma delas, sem ao menos serem avisadas da mudança e terem um período de adaptação, tanto para as famílias, como pelos novos profissionais responsáveis em atendê-los.

Tal ação é considerada um desrespeito não só com os profissionais,  mas também com os membros dessas famílias,  que perderam sua referência e apoio para superar conflitos familiares, situações de negligência e violência, entre outras questões.

NOTA DE REPÚDIO

Nós, trabalhadores organizados da Assistência Social, em reunião no dia 13 de março de 2017, decidimos por redigir esta nota de repúdio frente às decisões tomadas pela nova gestão da política municipal da assistência social de Ourinhos, uma vez que decidiu alterar o local de trabalho de servidores sem nenhuma consideração a rotina estabelecida, em alguns casos, de anos de serviço no mesmo equipamento.

É sabido que a mudança de local de trabalho não altera apenas as condições de trabalho dos servidores, mas também sua rotina diária, como o transporte e gastos com o mesmo, a logística familiar e qualquer outra peculiaridade inerente a vida pessoal. Assim como, o rompimento abrupto do vinculo entre os profissionais e os usuários dos serviços, prejudicando todo o trabalho realizado com as famílias, sem tempo hábil para comunicar os usuários assistidos pelo acompanhamento e sem a adequada transição para os outros profissionais. Infelizmente, a decisão de mudanças tão drásticas aos servidores foi tomada sem levar em consideração seus posicionamentos, já abertamente declarados e por meio de memorando enviado através de protocolo interno.

Salientamos ainda que, o prazo estabelecido (período de apenas dois dias) finaliza a caracterização de uma atitude antidemocrática, verticalizada e impositiva. Está aí o pernicioso precedente que se abre com essa decisão.

Sabemos que as mudanças continuarão a ocorrer, e não nos colocamos contrários às decisões administrativas, mas isso não quer dizer que iremos aceitar de bom grado tais atitudes.

Defendemos uma gestão participativa e verdadeiramente aberta ao diálogo.

Repudiamos a forma que ocorreram as mudanças!

Repudiamos toda e qualquer atitude antidemocrática e impositiva!

Grupo de trabalhadores organizados da Assistência Social