Os buracos em Ourinhos

Problemas crônicos

É evidente que há muitos buracos na cidade. Qualquer pessoa com a visão em boas condições pode enxergar. Mesmo os cegos podem “visualizá-los” através de outras sensações como por exemplo: cair em um buraco enquanto cruza alguma avenida; andar de circular e automóvel escutando-os chocar-se com as crateras.

A forma mais fácil de mapearmos este velho incômodo da população é culpando a Prefeitura Municipal de Ourinhos por não haver feito a manutenção corretamente. Mas será que o problema é apenas dela? Será o poder público municipal o único responsável?

Segundo dados do IBGE a frota municipal de veículos em Ourinhos somando: automóveis; caminhões, caminhões-trator; caminhonetes; caminhonetas; micro-ônibus; motocicletas; motonetas; ônibus; tratores e utilitários, chega ao número de 67.497 (IBGE 2010), em uma localidade onde vivem 103.035 (IBGE, 2010). Sabemos que atualmente, se compararmos com o ano em que esta pesquisa foi feita, a frota municipal de veículos provavelmente aumentou. Talvez a relação população/frota esteja quase um para cada munícipe.

Vocês acham que isso é sustentável? Vocês acham que este modelo de urbanização consegue se manter? Vocês acham que os impostos arrecadados pela prefeitura aumentaram na mesma proporção que a frota municipal (Em 2010 este valor era de R$ 232.411,814 anual)? Lembrem-se que 50% do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos automotores) fica para na cidade, e a outra metade vai para o Estado. Mas antes que termine este parágrafo, pensem: será que a porcentagem de IPVA arrecadado por veículo é diretamente proporcional ao desgaste que ele gera nas vias públicas e ao meio ambiente? Não é fácil equacionar esta relação.

Soluções sustentáveis 

            Primeiramente, acredito que um caminho para se resolver este problema é mudando a nossa matriz de transporte: sairmos do individual e pensarmos no coletivo. Francesco Cattapan, formado em Arquitetura e Urbanismo nas FIO (Faculdades Integradas de Ourinhos), elaborou a sua monografia pensando um novo modelo de desenvolvimento para a cidade.

Um dos principais focos do trabalho de Cattapan, girou em torno do transporte público. Ourinhos pode-se considerar privilegiada neste sentido. Uma das principais “dores de cabeça” da população, pode ser a sua principal solução: a ferrovia.

Ourinhos surgiu a partir da junção “café e ferrovia”. O “ouro verde” precisava ser escoado para os mercados consumidores norte-americanos e europeus através do porto de Santos. A maneira mais viável e eficiente para época eram os trens.

O traçado ferroviário iniciado pela Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) por volta de 1906 e inaugurado em 1908, foi se expandindo ao longo da primeira década do século XX. Atualmente, se olharmos uma imagem de satélite do município, veremos que vivemos entre trilhos. O desenho da malha ferroviária vista de cima forma uma espécie de “Y”. Esse percurso possibilita unir todas as pontas da cidade com o centro em poucos minutos se tivéssemos um V.L.T. (Veículo Leve sobre Trilhos) em nossa cidade.

O veículo leve sobre trilhos se fosse instalado em Ourinhos, poderia entrar em funcionamento em pouco tempo, porque já temos o caminho por onde ele andará. Essa vantagem que a cidade tem, auxiliará muito na execução do projeto, já que o seu preço final será reduzido para mais da metade.

Até onde sei, o contorno ferroviário de Ourinhos já esta aprovado pelo executivo federal, estando o projeto atualmente em análise no IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).Em breve o mesmo estará aberto para licitação, estando o valor da obra orçado, segundo dados da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em matéria divulgada no dia (19/02/2016), em torno de R$ 20,3 milhões de reais. Em resumo, isso significa que teremos toda a linha do trem que corta a cidade, livre para ser utilizada!

 

Conclusão 

Se quisermos um desenvolvimento sustentável para o nosso município, com transporte público eficiente, rápido e confortável, de baixo ruído, custo e poluição, a saída é o VLT (Veículo leve sobre Trilhos). A ideia de cada um ter o seu próprio veículo, é insustentável, de alto custo particular, coletivo e ambiental.

Os buracos na cidade são as feridas criadas por este modelo de locomoção. Toda a doença tem um sintoma, e os buracos são apenas um dentre vários. Podemos ter um centro mais arborizado, com mais “calçadões”, sem ruídos de motores, sons e buzinas, onde somente o cidadão será o seu protagonista. Isso abriria caminho para a utilização de bicicletas (ciclovias), criação de parques, jardins, centros de cultura e lazer.

O problema não se resume em culpabilizar apenas a Prefeitura Municipal de Ourinhos, jogando o problema para ela, como se fosse a única responsável pela cidade. Se não houver uma mudança de comportamento de toda a população, já que a grande parte da mesma cultua o automóvel e consumo desenfreado de maneira irresponsável, dificilmente conseguiremos mudar esta realidade.

Vejam o VLT de Sobral, no Ceará.
https://m.youtube.com/watch?v=pt9sryao_98

André Rodrigues da Silva é licenciado em História, trabalha com cultura e adora tocar bateria