Artigo: “Não é a pornografia que é obscena, é a fome que é obscena!” Por Pedro Saldida

José Saramago, escritor Português, galardoado com o Nobel da Literatura em 1998, bem como o prêmio Camões em 1995, e considerado o principal responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa, nos brindou com o seguinte argumento: “ Não é a pornografia que é obscena, é a fome que é obscena! E enquanto nós não compreendermos isto, que não há o direito, que não há nenhuma razão para que um único ser humano morra de fome, então todo o discurso sobre a moralidade pública é um discurso hipócrita.” Este argumento me lembra a tragédia de Rio Grande do Sul; mais de 400 municípios Gaúchos afetados, pelo menos 146 mortos e meio milhão de pessoas desalojadas ou desabrigadas.

Eduardo Leite dizia que não é hora de procurar culpados, mas eu digo mais é hora de apurar responsabilidades; um dos grandes responsáveis é o Governador Eduardo Leite. Em menos de um ano desastres naturais nos mostram enfraquecimento em políticas ambientais. O Brasil precisa urgentemente de planejamento urbano e territorial; começar agora por realocar moradores de bairros mais atingidos para outras áreas se torna imprescindível; temos casos em que deveriam até deslocar cidades inteiras. Claro que desastres desta dimensão se tornam difíceis de prever, mas o sistema de alerta deve ser aprimorado. O problema é que o Governador e seu governo não têm dado uma resposta à altura das ameaças, nem tampouco consegue colocar em prática medidas de prevenção e ordenamento territorial, o que se poderia traduzir em minimizar os danos humanos, físicos e econômicos de tamanha catástrofe; agir depois dos desastres mostra claramente uma falta de organização. Lembremos que a previsão orçamentária para 2023 a nível de Defesa Civil foi de R$100,000, quando em 2022 foi de R$ 1 milhão, enquanto o valor previsto para Gestão de Projetos e Respostas a Desastres Naturais foi de R$ 5 milhões, quando em 2022 foi de R$ 6,4 milhões. Depois tem o Governo Federal que investir dinheiro e esforços em ajuda humanitária aquando das tragédias ambientais; não temos ações, temos ao invés reações.

Não bastando as pessoas terem que passar por tamanha obscenidade, nos aparecem uns seres errantes que nada mais fazem que interferir negativamente em setores como política, educação ou saúde; hoje temos empresas especializadas em identificar uma série de sites com conteúdo no mínimo duvidoso. Mas relativamente ao Rio Grande do Sul encontramos um nova barreira para além daquela que as pessoas estão sofrendo na pele, a desinformação, a circulação de informações falsas confundem e atrapalham quem mais precisa de ajuda. Alguns exemplos que vos deixo que são fáceis de desmascarar: é falso que as doações estejam sendo retidas para cobrança de impostos, os veículos que transportam doações têm passagem livre e liberação imediata para chegar junto da população; não está sendo cobrada nota fiscal ou sendo impedida a circulação de alimentos; não há infração de circulação aos veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento; não há recolhimento de jet skis e barcos para quem não tem habilitação; o dinheiro doado por pix não vai para o caixa do Governo, o que existe é uma auditoria e fiscalização do poder público; helicópteros não estão sendo impedidos de ajudar no resgate, e o Governo Federal não patrocinou o show da Madonna no Rio; finalmente as marmitas não estão sendo fiscalizadas. Surreal em plena catástrofe que o povo Gaúcho está sentindo na pele ainda existem sujeitos, e alguns figuras públicas e figuras políticas que se prezam a um trabalho de desestabilização e desinformação. Querer lucrar em cima de problemas com falsa informação mostra bem a obscenidade das pessoas.

 

Falando em obscenidade queria comentar a notícia e concretização desta semana, em que a Gestão da nossa cidade de Ourinhos terceirizou os serviços gerais na Educação Infantil. Em final de mandato o Prefeito mostra claramente o despreparo como Gestor Público; nem se digna a abrir licitação, coloca nas mãos de uma ONG a Gestão de serviços gerais; como saber se o dinheiro está sendo bem aplicado? Como saber da idoneidade da referida Empresa? Pois é, não sabemos e nunca saberemos. É por isso que o Ministério Público iniciou ação de improbidade administrativa a Lucas Pocay e Maurício Amorosini por supostamente agirem com dolo no quesito de limpeza pública do município.

Ainda falando de obscenidade, porque Vereadores em Iaras que votaram contra a implementação de um Distrito Industrial, depois dizem que não era projeto de Distrito industrial, antes um projeto de permuta de terrenos? Por aí se vê a inoperância de uma oposição que se diz de verdade, uma oposição que não olha o bem comum, que não olha para um bem maior, que é a cidade e seus munícipes, que só olha para seus umbigos e interesse maior de lutar contra a Gestão, mesmo que isso atrapalhe o bem estar da população.

Deixo-vos como sempre com uma frase, desta vez de Sören Kierkegaard, filósofo, Teólogo, Poeta e crítico dinamarquês, nascido em Maio de 1813, e faleceu em 1855:

“A esperança é um vestuário novo, rígido e justo e brilhante, porém nunca o envergamos e portanto não se sabe como assentará ou como se ajustará. A recordação é um vestuário usado que, por belo que seja, não serve, porque não se cabe nele. A repetição é um vestuário inalterável que assenta firme e delicadamente, não aperta nem flutua.”

Pedro Saldida

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