Artigo: “Ubuntu” Por Pedro Saldida

Ubuntu é uma palavra que nos remete à cultura Africana, originária dos povos Bantu. Ubuntu significa eu sou porque nós somos. Isto significa que o cada um faz, ou deixa de fazer, traz consequências para o próximo. Esta Filosofia resgata a essência de que uma pessoa com consciência, é parte de algo maior e coletivo. Somos pessoas através de outros indivíduos e não podemos ser plenamente humanos sozinhos, precisa existir interdependência.

Quando lembro desta Filosofia lembro sempre da nossa Gestão. Nesta Gestão me sinto sempre dentro de um livro da famosa Agatha Mary Christie. Agatha Christie foi uma escritora britânica, que atuou como romancista, contista, dramaturga e poetisa. Em todos os seus livros nunca sabemos quem será a próxima vítima, os vilões sabemos logo à partida. Quando falo em vítima nesta Gestão, falo do assassinato de políticas públicas, o vilão já sabemos que é a Gestão.

Imaginem a população de deslocar a um posto de saúde para um atendimento com um Dentista e ter a sorte de ser somente a extração de um dente. A extração se dá porque o bisturi e a agulha se encontram lacrados, mas pasme-se, é a Médica quem traz os instrumentos, e teve sorte porque só havia um par de luvas.

Dentista não tem nem o espelho para observar os dentes tudo porque não podem esterilizar os instrumentos. Estão economizando até na esterilização.

Agora imaginem se a necessidade for para além de uma extração. Aí que o caso complica.

Imaginem estarem numa sala de professores e saberem que tem uma professora que grava as conversas dos seus pares principalmente se forem falas contra a Gestão. Qual o fim da gravação não sei, tirem vossas próprias conclusões.

Imaginem que agora basta somente a assinatura do Prefeito e do Secretário Municipal da Educação para movimentar as verbas do Fundeb. Queria saber para que servem então os Conselhos Municipais. Será que são somente figuras de estilo?

Durante estes meus cinco anos como Servidor Público as pessoas me questionam constantemente sobre as minhas posições mesmo sendo da família, por afinidade, do Prefeito. Me perguntam porque não ligo para ele a solicitar um cargo. Sempre digo que uma coisa nada tem que ver com a outra. Sempre aprendi que onde não me sentir bem, não me devo demorar. Apesar de família critico se acho que algo não está certo. Se vejo pessoas sendo injustiçadas como posso fazer parte de uma Gestão que está levando a Cidade para o abismo, a cada dia que passa. O que mais me custa é ver o silêncio daqueles que têm mais poder que eu, Vereadores por exemplo, é ver que ninguém toma uma posição forte e justa para acabar com todos os problemas que na Cidade tem causado. Não tenho políticos de estimação nem de ódio, escrevo e luto contra o que vejo que está errado na política.

Um ser político é uma pessoa que influencia a forma como a sociedade é governada. Essa influência inclui também as pessoas que almejam cargos por indicação.

Nunca poderia estar num cargo e ter que fazer a figura ridícula que um jornalista, que já foi um acérrimo opositor da Gestão, fez ao gravar um vídeo criticando as vestimentas de um pré candidato. Não consigo entender como as pessoas se vendem e deixam de lado seus princípios e valores. A educação que tive foi construída com base em valores e princípios, com empatia e amor ao próximo. Não vi ninguém criticar o Prefeito quando postou o vídeo da Fapi e das cirurgias eletivas, um dia após rejeitarem o requerimento da Vereadora Roberta Stopa. É de um cinismo sem precedentes. Mas como sempre falo o que me assusta não é o barulho dos ruins, é o silêncio dos bons. A Cidade está sem Rei nem roque, o dia a dia está se tornando nebuloso, o que deixa muita preocupação para a próxima Gestão. Sabendo nós que, até que algo tenebroso surja no caminho, o vencedor está definido, não acredito que algo mude ao mudar a Gestão. Acredito que teremos um 2025 repleto de peripécias e percalços que a nova Gestão não conseguirá resolver, fruto desta atual Gestão. Espero sinceramente que a nova Gestão se debruce com carinho e atenção sobre a Educação e Saúde, pilares fortes e de suma importância para qualquer sociedade.Nosso Município passa por extremas dificuldades e não é culpa do Governo Federal como querem colocar nas nossas mentes. Lembremos que Lucas Pocay sempre defendeu teorias contrárias às que pratica hoje. Na altura era Vereador da oposição a Belkis, hoje é Gestão, e quando se é Gestão a realidade é outra.

Sempre sou desafiado a falar tudo que sei. Sempre falei que nunca entrarei na vida pessoal de alguém. Fazer isso é descer a um nível baixo de quem não tem argumentos, de quem é sujo e não sabe debater ideias. Sempre escrevi sobre a parte profissional das pessoas e, contrariamente ao que possam pensar até preservo muitas vezes a imagem das pessoas. Por exemplo se algo estava mal com as contas de algumas APM( para quem não sabe é um órgão de representação de pais, Mestres e funcionários de uma Escola), se a prestação de contas estava ilegal e se a Gestão nada fez, então não serei eu a falar, mas acredito que, como dizia um Diretor meu no Banco em Portugal, pagamos tudo aqui em baixo, e não quando estaremos frente a frente com o Criador.

 

No nosso País assistimos a esta semana a algumas notícias que podemos já começar a confirmar que houve uma tentativa de golpe e muito bem orquestrado por sinal. Só não se consumou porque o cnpj Forças Armadas não abraçou a causa. Se muitos ainda pensam que não houve tentativa de golpe esta semana desmistificamos tal fantasia.

O STF indiciou Carla Zambelli e o hacker Walter Neto tudo porque encontraram no celular de Zambelli provas que invadiram o site do CNPJ.

O General Oliveira ouvido na Polícia Federal, era membro da estrutura montada para a consumação do golpe. Oliveira era o Comandante das Forças Terrestres do Exército e responsável pelo emprego das operações especiais, que iriam prender Alexandre de Moraes, logo que o decreto de Estado de Sítio fosse assinado por Bolsonaro.

Quem não é fanático ou moldado por fantasias percebe claramente que estivemos perigosamente perto de uma escalada antidemocrática. Até mesmo no dia 25 de Fevereiro na Av. Paulista as falas de Bolsonaro e Malafaia nos deram todas a certezas, se dúvidas ainda restassem em nós. Hitler nunca revogou a Constituição Alemã de 1919, simplesmente criou leis de excepção.

Falarem que não houve tentativa de golpe porque não se consumou, é o mesmo que planejar um assassinato e não ter sucesso por alguma variável incontrolável alheia a quem planejou surgiu no caminho. Planejar já é crime e as pessoas estão tentando desviar o foco deste quesito tão relevante.

 

A nível Internacional o que falar do atentado de Israel contra Palestinos que aguardavam a chegada de caminhões de ajuda humanitária? Enquanto as pessoas cercavam os caminhões para poder obter água e comida, Israel dizimou 100 pessoas e feriu mais de 700. O desespero e a fome levou as pessoas a recorrer à ajuda humanitária. Cada vez mais assistimos a um genocídio e desumano e execrável é quem pensar o contrário. Fiquei estarrecido, fiquei mudo, triste, comovido e impotente. Só desejo que nunca passemos por tais atrocidades.

Mais de 500 mil pessoas estão á beira da fome em Gaza. Se isso não nos deixa tristes e indiferentes então só acho que virámos espantalho e homem de lata do “Mágico de Oz”. O espantalho buscava um cérebro e o homem de lata um coração, por forma a ter sentimentos de verdade.

Finalizo como sempre com uma frase, desta vez do livro “Mágico de Oz”, um diálogo entre o espantalho e Dorothy:

“Espantalho: – Eu não tenho um cérebro… só tenho palha.
Dorothy: -Como você pode falar se você não tem um cérebro?
Espantalho: -Eu não sei… Mas algumas pessoas sem cérebro falam de monte, não é?
Dorothy: -É, eu acho que você está certo.”

Pedro Saldida é bacharel em administração e servidor público

 

 

 

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